“A gente não gostava de explicar as imagens porque explicar afasta as falas da imaginação.”
Um dos últimos livros escritos por Manoel de Barros, Menino do mato sintetiza com perfeição suas aspirações e seu estilo. Esse menino, que é a consciência do poeta, deseja apreender o mundo sem explicações ou propósitos. Na primeira das duas partes que compõem esta obra, Manoel reforça sua instintiva ligação com a natureza e a infância. Em sua procura por “palavras abençoadas pela inocência”, o poeta busca o universo em seu estado primordial. A segunda parte, “Caderno de aprendiz”, evidencia a absoluta liberdade de sua linguagem. Aqui, as palavras deixam de nomear para nos fazer simplesmente sentir a pureza dos primeiros tempos de nossas vidas.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
lembrete para nunca ficar longe de manoel, onde o primitivo, o essencial e a imaginação reina. o desconcerto se faz casa nas palavras.
clarifica sentidos, o absurdo divino das imagens e glorifica as coisas do chão, como se deve ser.
para não esquecer da importância de descutivar os costumes da linguagem. o verbo é puro sonho.
a palavra nunca foi tão livre e divertida quanto em suas inveções.
felicidade é poder retornar sempre aos seus feitos para lembrar o quanto o ínfimo conforta e torna a natureza de tudo que é vivo e não vivo um lugar em comunhão.
Minha professora me emprestou um livro do Todorov. Todorov escreveu que a linguagem poética pertence à pré-história. Pensei que a conversa que ouvira, um dia, das rãs com as pedras e das pedras com águas. Havia de ser linguagem pré-histórica e até quase poética. Faltasse talvez apenas a harmonia das palavras
Não sou muito chegada a poesia, mas é uma coisa que eu quero muito ler mais sobre, acho que a escola e a forma que eu tive o contato com ela foram muito regradas, focadas em entender o significado do que eu to lendo, entender o que o autor queria me passar, mas depois de alguns videos que vi sobre e nessa própria coleção, entendi que:
"Eu só não queria significar Porque significar limita a imaginação"
Vou tentar trabalhar mais nisso lendo mais poesia, não buscando significados ou mensagens, mas sim entender o que toca em mim ou apenas apreciar a entoação e a beleza das palavras.
“A gente não gostava de explicar as imagens porque explicar afasta as falas da imaginação.” Um dos últimos livros escritos por Manoel de Barros, Menino do mato sintetiza com perfeição suas aspirações e seu estilo.
simplesmente fascinada com tudo que já li do manoel de barros. os poemas dele tem um toque de magia e um toque de infancia e um toque de coisas que nao fazem sentido, pq todas essas coisas são a mesma coisa e coisas diferentes ao mesmo tempo. nao gosto de poeta pq todo poeta eh pretensioso, mas me dou o direito de amar um poeta que se autodenomina “vagabundo profissional”.
A poesia de Manoel de Barros lembra em alguns momentos a de Alberto Caeiro. Buscando a simplicidade, Barros quebra qualquer expectativa ao criar combinações totalmente absurdas como nos versos a seguir: "Eu hoje vi um sapo com olhar de árvore. Então era preciso desver o mundo para sair daquele lugar imensamente e sem lado. A gente queria encontrar imagens de aves abençoadas pela inocência. O que a gente aprendia naquele lugar era só ignorâncias para a gente bem entender a voz das águas e dos caracóis. A gente gostava das palavras quando elas perturbavam o sentido normal das ideias. Porque a gente também sabia que só os absurdos enriquecem a poesia". Esses versos dão o tom do livro inteiro e fazem com que sejamos obrigados a desver o mundo com seus significados prontos para repensar o que está em nosso entorno. Simplesmente fantástico!
só tinha bicho solidão e árvores (e quase todos os caracóis eram viúvos de suas lesmas, e o sabugo um serzinho mal resolvido, e o vento sem bunda, e as palavras que se juntavam por amor e não por sintaxe, e a prosa dos rios, e as pedrinhas de posse das rãs, e o abandono primordial, e as coisas inúteis)
E sempre muita emoção ler Manoel de Barros. Ele tem o poder de nos levar de volta à nossa infância e nos transportar para um mundo de fantasia onde toda a liberdade do brincar e poetar das palavras nos permite voar por terras impossíveis.
Acordar de manhã cedo, ler poesia de Manoel de Barros (ou da Mary Oliver) vendo montanhas da janela, ouvindo pássaros e barulho de água, no meio dos gatos, com um café pra esquentar ou preencher tem sido minha terapia mais gostosa do ano.
li em uma noite e sem duvidas perdi muitas coisas, meu primo livro de 2026 que me lembra da simplicidade. Fui pego de surpresa com um trecho entre as paginas escritos pela minha mãe que trouxeram palavras chaves para explicar o abandono.
"Menino do Mato" me fez reviver partes de mim que estavam adormecidas. Sonhos, desejos, anseios e objetivos. O olhar mais puro e verdadeiro o da criança. Recomendo para todos aqueles que querem "desver" o mundo e voltar a apreciar poesia.
“eu queria fazer parte das árvores como os pássaros fazem (…) eu só não queria significar. porque significar limita a imaginação. e com pouca imaginação eu não poderia fazer parte de uma árvore.”