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Às mulheres portuguesas

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Às Mulheres Portuguesas (1905) é uma colectânea (250ps) de artigos fundamentais, sobre as principais questões femininas que nunca conheceu reedição, onde exorta as mulheres ao “trabalho e ao estudo”, que considera “passo definitivo para a libertação feminina” ,apelando para que as mulheres não façam do amor “o ideal único da existência”. Ser feminista, diz, é “desejá-las criaturas de inteligência e de razão”.
Sobre a rapariga portuguesa da época é implacável e irónica: “não tem opiniões para não ser pedante, não lê para não ser doutora e não ver espavoridos os noivos”. Defende a igualdade de salários, “por igual trabalho, igual paga” e afirma que “nada mais justo, nada mais razoável, do que este caminhar seguro, embora lento, do espírito feminino para a sua autonomia”.
Em Às mulheres Portuguesas analisa detalhadamente a situação da mulher e o casamento, da mulher casada perante o código civil e perante o trabalho.

250 pages, Paperback

First published January 1, 1905

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About the author

Ana de Castro Osório

58 books10 followers
Intelectual, jornalista, ensaísta, conferencista, feminista e republicana, considerada uma das mais notáveis teóricas dos problemas da emancipação das mulheres foi uma dedicada e incansável lutadora pela igualdade de direitos. Fundadora da literatura infantil em Portugal, (o aspecto vulgarmente mais salientado da sua biografia) com Para as Crianças, uma colecção que iniciou em 1897.
Nascida em Mangualde, foi residir para Setúbal, onde casou com Paulino de Oliveira tribuno republicano. Desenvolveu uma intensa actividade em prol dos direitos das mulheres. Fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, do Grupo de Estudos Feministas e da Cruzada das Mulheres Portuguesas. Dirigiu várias publicações destinadas às mulheres e colaborou com inúmeros artigos, na imprensa, numa linha de actuação, comum à maioria das mulheres republicanas, que privilegiou a educação e a formação de uma opinião pública feminista esclarecida. Realizou conferências e comícios. Foi consultora de Afonso Costa, Ministro da Justiça do Governo Provisório, na elaboração da lei do divórcio.

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Profile Image for Rita.
912 reviews189 followers
April 9, 2025
Kind instructors! what were we created for? To remain, it may be said, innocent; they mean in a state of childhood. We might as well never have been born, unless it were necessary that we should be created to enable man to acquire the noble privilege of reason, the power of discerning good from evil, whilst we lie down in the dust from whence we were taken, never to rise again.

Ignorance is a frail base for virtue! Yet, that it is the condition for which woman was organized, has been insisted upon by the writers who have most vehemently argued in favour of the superiority of man; a superiority not in degree, but essence; though, to soften the argument, they have laboured to prove, with chivalrous generosity, that the sexes ought not to be compared; man was made to reason, woman to feel: and that together, flesh and spirit, they make the most perfect whole, by blending happily reason and sensibility into one character.

A Vindication Of The Rights Of Women, by Mary Wollstonecraft


É preciso entrar numa máquina do tempo, recuar 125 anos e tentar imaginar o que seria a sociedade da época para se fazer um juízo justo sobre este manifesto feminista que Ana de Castro Osório escreveu às mulheres portuguesas quando tinha 33 anos.

Em 2025, algumas das ideias deste manifesto feminista podem parecer-nos retrógradas e conservadoras - outras são bastante actuais - mas foi grande a coragem da ACO ao escrevê-las e mais ainda ao publicá-lo.

Como disse Simone de Beauvoir:

nunca te esqueças que basta uma crise política, económica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Terás de te manter vigilante durante toda a vida.

E, nos tempos que correm, basta olhar para o que se passa, por ex., nas terras do Tio Sam, para perceber que essa vigilância tem de ser cada vez mais apertada. Uma vez mais, os direitos das mulheres estão a ser postos em causa. Esperemos que daqui a 125 anos as mulheres do futuro olhem para nós e nos achem retrógradas e conservadoras.

Ana de Castro Osório nasceu a 8 de Junho de 1872 em Mangualde e faleceu a 23 de Março de 1935 em Setúbal. Foi escritora - sobretudo de livros infantis - jornalista e pedagoga. Era também marcadamente feminista e activista republicana.

Na litografia alegórica de homenagem à República, realizada por Roque Gameiro, Ana de Castro Osório é colocada pelo artista como figura de grande relevância. Surge em primeiro plano, ao lado da representação da República, num lugar de inequívoco destaque.

“Pela República” (Abril de 1910), Roque Gameiro (1864 - 1935)

No fim do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, Portugal atravessava um período de grande instabilidade política e social. A monarquia encontrava-se em declínio, processo que culminaria na proclamação da Primeira República, em 1910. Este contexto histórico foi marcado por um forte impulso reformista, impulsionado pela difusão de ideais republicanos, laicos e progressistas, que procuravam modernizar o país em múltiplas dimensões.
Mas, a sociedade portuguesa permanecia profundamente patriarcal, analfabeta e com um catolicismo enraizado que confinava as mulheres ao espaço doméstico excluindo-as, quase por completo, da participação na esfera cívica e política. É precisamente neste cenário que o movimento feminista começa a adquirir maior visibilidade, sobretudo graças ao contributo de figuras como ACO, que se destacou na defesa dos direitos das mulheres e na promoção da educação como instrumento fundamental da emancipação feminina.
Desenvolveu intensa campanha em prol dos direitos das mulheres, fundando o Grupo Português de Estudos Feministas, a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, a Associação de Propaganda Feminista e a Cruzada das Mulheres Portuguesas.

Neste manifesto feminista ACO entra logo a matar:

Feminismo: é ainda em Portugal uma palavra de que os homens se riem ou se indignam, consoante o temperamento, e de que a maioria das próprias mulheres coram, coitadas, como de falta grave cometida por algumas colegas, mas de que elas não são responsáveis, louvado Deus!

e a partir daqui dirige-se às mulheres do seu/meu país, com o objectivo de despertar a sua consciência cívica, social e política num contexto profundamente conservador e machista.

Porque ser feminista não é querer as mulheres umas insexuais, umas masculinas de caricatura, como alguns cuidam; mas sim desejá-las criaturas de inteligência e de razão, educadas útil e praticamente de modo a verem-se ao abrigo de qualquer dependência, sempre amarfanhante para a dignidade humana.

ACO apela:

à educação,

uma educação séria e fundamentada, começando nas coisas práticas e úteis da vida, acabando na literatura e na arte em geral (…)

Educar a mulher; torná-la útil a si e aos seus, pelo trabalho remunerado; escolher cada homem livre esposa que o seja, não só do corpo, mas também do espírito, não só humilde e paciente dona de casa, mas nobre e inteligente educadora, foco de luz e de bondade superior, irradiando na família, como sol por onde se norteia a alma caminhando para o futuro.

à independência financeira através do trabalho,

Mas esperemos serenamente, porque à mulher portuguesa há-de chegar também a sua vez de compreender que só no trabalho pode encontrar a sua carta de alforria. (…)

Educar a mulher dando-lhe meios de poder auferir com o seu trabalho o suficiente para a sua sustentação — quando é só — de auxiliar o homem, esgotado pelo trabalho de sobreposse que lhe exige a concorrência e a carestia da vida moderna — quando casada —, parece-nos a maneira mais prática de a tornar um ser livre, apta a escolher por moto-próprio o caminho a seguir direitamente na vida.

E desde que se torne independente pelo seu próprio esforço, desde que saiba agenciar o pão que come, a casa que habita, os vestidos que veste, sem estar à espera do homem, fonte perene de todo o dinheiro que hoje a sustenta — seja como pai, como marido ou irmão — a sua alforria está decretada.

ao progresso,

É fundamental este assunto, visto que a nossa civilização se baseia não na força, mas na inteligência, não na rotina, mas no progresso.

à instrução das mulheres

O que falta no nosso país é a instrução, principalmente a instrução prática que faz progredir um povo.

A independência da mulher não pode importar o não reconhecimento da autoridade do marido (um dos grandes receios de V. Ex.ª) porque essa autoridade existe, se não de facto, pelo menos de direito, enquanto existirem as leis que hoje nos governam, leis que a mulher deveria conhecer quando vai casar, leis que a tornam uma menor sob a tutela directa do homem.

e à sua participação activa na sociedade,

Escolham os homens livres companheiras que igualmente o sejam; determinem-se os campos, forme-se a família pelas convicções de cada um e não pelas convenções duma sociedade que não tem sinceridade nem nobreza, e a transformação será completa.

à luta por direitos iguais

Por igual trabalho, igual paga — tal deve ser o princípio fundamental do labor feminino.

E defende que as mulheres não podem aceitar continuar a ser espectadoras da história e devem ser protagonistas da transformação social.

Mas não se fica apenas por aqui. Também explora temas como a habitação, a necessidade de hospitais e maternidades, a higiene, a criação de creches e infantários para os filhos das trabalhadoras.

Os homens não ficam bem na fotografia:

O homem português não está habituado a deparar no caminho da vida com as mulheres suas iguais pela ilustração, suas companheiras de trabalho, suas colegas na vida pública; por isso as desconhece, as despreza por vezes, as teme quase sempre.

O homem português, como todo o dos povos latinos, despreza no fundo a mulher, apesar de ser o que mais a tem cantado poeticamente e turificado pelo amor.


Há ao longo do manifesto alguns aspectos conservadores e nacionalistas que aos nossos olhos são retrógrados, mas mesmo assim alguém tinha que dar o pontapé de saída numa luta que não terá fim.


#incunábulos @mastodon
Profile Image for David.
1,695 reviews
July 4, 2022
It’s been a turbulent time for women over the last decade. First the Me-too, rampant sexism and then the U.S. Supreme Court struck down Rowe vs Wade. Are we moving forward or backwards?

I was moved by this collection of essays by Ana de Castro Osório. They were published about 120 years ago as she was fighting for women’s rights in Portugal. It a tough time for a feminist. The obstacles were huge. Education, the right to vote, and equality in pay were fundamental to bettering, not just the lives of women, but their children and even for men. She even demanded child care for working women. How bold was this!

She even quotes Émile Zola,

“… Instruir a mulher, dar-lhe ao nosso lado o seu verdadeiro lugar de igual e de companheira, porque só a mulher libertada pode libertar o homem.

You would think this would be all dated material, but her effective words and reasoning still make this relevant today. Yes, it was a different time back then, but reading this made me think, can we really turn back time? Hopefully not.
Profile Image for ᴍᴀ́ʀᴄɪᴀ   ฅ՞•ﻌ•՞ฅ.
90 reviews3 followers
July 7, 2024
Este ebook, foi uma boa surpresa...
Não sei como eu ainda não tinha ouvido falar desta escritora antes.
Ana de Castro Osório foi inovadora e ambiciosa na sua luta contra como feminista.
Uma senhora instruída e que não deixa de fora nenhuma classe social nesta análise (muito bem desenvolvida nesta edição).
Estes textos, escritos entre 1907 e 1915, são ótimos insights, na vida da mulher e mesmo da família portuguesa na época.
Um livro que deveria ser mais estudado, e utilizado no segundário (principalmente quando falamos na matéria feminista).

E a verdade, é que este Portugal, não está longe da realidade que se vive ainda em muitos países...


"O homem vê isso e não se sobressaltado nem indigna, porque são trabalhos que ele não quer para si, por mal remunerados."

"Logo, o homem não afasta a mulher da luta e do trabalho para a poupar a fadigas com que não possa, visto que a deixa carregar fardos, esfregar casas, trabalhar a qualquer hora da noite em que chegam os barcos de pesca, nas fábricas de conserva de peixe, quer de Verão quer de Inverno, molhada em salmoiras, com as mãos geladas, de pé, horas e horas consecutivas; que a deixa mondar, ceifar, fazer muitos outros serviços do campo, qualquer que seja o tempo, de ardente calor ou de frígido Inverno... A mulher desempenha, em muitas terras das nossas províncias do Norte, o serviço de estafeta, percorrendo a pé muitas léguas, carregada com pesos que o homem, certamente, não aguentaria sobre a cabeça."

"Se, por acaso, qualquer destes serviços viesse a ser bem pago, não há dúvida que a correria logo pugnar pela fraqueza da mulher. "

🕯️Uns pequenos excertos, que demonstram, a qualidade da escrita desta escritora!
👌🏼👩🏻‍🏫👏🏻
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Mariana.
110 reviews22 followers
October 3, 2024
ana de castro osório (1872-1935) foi minha conterrânea e dá nome à escola básica que frequentei, mas pouco sabia sobre ela até há pouco tempo. ainda assim, sei que sou privilegiada no sentido em que tive meios para conhecer o seu lado mais profissional, como pioneira na escrita de histórias para crianças. quanto ao seu lado mais revolucionário e político, acredito que seja pouco conhecido e considero que seja uma personalidade subvalorizada, como todas as mulheres que lutaram pelos seus e nossos direitos na história deste país.

para além de escritora, ana de castro osório foi um ícone feminista em portugal. segundo as minhas pesquisas, este é considerado o primeiro manifesto feminista português. infelizmente, acredito que não se irão chocar se vos disser que muito do que está escrito neste livro, publicado em 1905, poderia ser dito por alguém nos dias de hoje.

a autora faz um retrato do que é ser mulher nestes primeiros anos do século XX, focando-se muito no casamento, vida doméstica, educação e no trabalho, defendendo a igualdade de salários e apelando a todas as mulheres que estudem, se tiverem a possibilidade, e não desistam do que querem para si mesmas, mesmo que isso não inclua ser dona de casa e “gerir” a família. tem piada que ainda esta semana este tema foi discutido na televisão como algo crucial a ser novamente conversado, passados mais de 100 anos.

gostei da ironia na sua escrita e da ousadia de publicar algo tão revolucionário. ana de castro osório queria mulheres com opinião, inteligentes e com a possibilidade de escolha. e acho que é isso que ainda hoje queremos.

hoje, parece-me que estamos a andar para trás e sinto-me cada vez mais assustada. ainda assim vejo muita gente boa e lutadora, e sei que a maioria das pessoas que está a ler isto pertencem a esse grupo.

vamos conhecer a história e quem a fez. só assim podemos tomar as melhores decisões e homenagear quem nos ajudou a chegar mais longe.

sobre este livro: penso que não está disponível nas livrarias mainstream, mas se quiserem ler procurem em alfarrabistas e bibliotecas. é um tesourinho português, assim como a nossa ana de castro osório!
32 reviews
May 1, 2022
Sem defeitos!!!
Uma escrita simples, sincera, direta
Textos que se aplicam aos nossos dias
Uma mulher a frente do seu tempo ♥
26 reviews3 followers
April 13, 2025
Um livro escrito há mais de 100 anos, e que demonstra que as bases do feminismo continuam actuais. Os meios para lá chegar são tímidos, pequenos passos que serão os alicerces para a igualde que continuamos a procurar. Ana Castro Osório tem uma visão da sociedade e do futuro que hoje considero retrógrada, mas que explica muito sobre a sociedade portuguesa antiga e actual.
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