Manoel de Barros nos convida para uma viagem em ''Tratado geral das grandezas do ínfimo''. Através de um vôo pelas belezas do Pantanal e de sua lírica, o poeta pantaneiro trata de coisas pequenas e desimportantes, as mais importantes para ele, na verdade. As que possuem maior grandeza e valor, as coisas simples da vida. Encontramos poemas de beleza singular nos quais Manoel revela, entre outras características, a disfunção lírica.
Manoel Wenceslau Leite de Barros is a Brazilian poet. He has won many awards for his work, including twice the Prêmio Jabuti, the most important literary award in Brazil. Today he is renowned by his critics as one of the great names of contemporary Brazilian poetry, and by many authors he has been considered the greatest living poet from Brazil, like the poet Carlos Drummond de Andrade recognized Manoel de Barros as the biggest poet of Brazil.
(Tem vez que a natureza ataca o cisco para o bem.) Principais elementos do cisco são: gravetos, areia, cabelos, pregos, trapos, ramos secos, asas de mosca, grampos, cuspe de aves, etc. Há outros componentes do cisco, porém de menos importância. Depois de completo, o cisco se ajunta, com certa humildade, em beiras de ralos, em raiz de parede, Ou, depois das enxurradas, em alguma depressão de terreno. Mesmo bem rejuntado o cisco produz volumes quase sempre modestos. O cisco é infenso a fulgurâncias. Depois de assentado em lugar próprio, o cisco produz material de construção para ninhos de passarinhos. Ali os pássaros vão buscar raminhos secos, trapos, asas de mosca Para a feitura de seus ninhos. O cisco há de ser sempre aglomerado que se iguala a restos. Que se iguala a restos a fim de obter a contemplação dos poetas. Aliás, Lacan entregava aos poetas a tarefa de contemplação dos restos. E Barthes completava: Contemplar restos é narcisismo. Ai de nós! Porque Narciso é a pátria dos poetas. Um dia pode ser que o lírio nascido nos monturos empreste qualidade de beleza ao cisco. Tudo pode ser. Até sei de pessoas que propendem a cisco mais do que a seres humanos.
Grande Manoel de Barros. “Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo”, de Manoel de Barros, é uma obra que celebra o encanto do pequeno, do insignificante e do aparentemente banal. Com uma linguagem poética única, o autor desconstrói a lógica tradicional da grandiosidade e valoriza o ínfimo, explorando a riqueza das palavras e das imagens sensoriais. A simplicidade se transforma em potência, e o olhar para o cotidiano revela um universo de descobertas. O livro provoca uma reflexão sobre a beleza do detalhe e a força do imaginário, reafirmando Manoel de Barros como um mestre da poesia que encontra grandeza na delicadeza do mundo.