Um quase romance – é como Heloisa Seixas define O oitavo selo, que tem por protagonista um personagem da vida real, seu marido, o escritor Ruy Castro. Intercalando ficção e realidade, em uma narrativa hipnótica que inclui beleza e horror, o livro mostra os diversos momentos de um homem diante da morte. Os “selos” a que se refere o título são os diferentes trâmites enfrentados, uma saga que inclui drogas, alcoolismo e doenças gravíssimas. Com muitas referências literárias, musicais e cinematográficas o livro é resultado da parceria de vida desses dois escritores brasileiros, começada há mais de vinte anos.
Heloísa Seixas (Rio de Janeiro, 26 de julho de 1952) é uma escritora e tradutora brasileira. Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense, Heloísa trabalhou como jornalista na agência de notícias UPI e depois na assessoria de imprensa da ONU. Em 1995 estreou como escritora, ao lançar um livro de contos chamado Pente de Vênus: histórias do amor assombrado. Um ano mais tarde, a Record lançou seu primeiro romance, A porta. Desde então, Heloísa Seixas têm escrito romances, contos e novelas. Além disso, Heloísa mantém uma coluna na revista Domingo do Jornal do Brasil, entitulada Contos Mínimos. Heloísa Seixas é casada com o também escritor Ruy Castro
Se eu fosse Ruy Castro, estaria eternamente grata por uma pessoa dedicar a sua escrita para relatar a experiência de vida que eu tive. Devoção parece ser uma palavra que transpassa a escrita da autora, que com tamanha descrição, ressignifica as memórias de seu marido, o escritor Ruy Castro, quando essas cruzam com a morte. Apesar disso, a tarefa me pareceu contraditória para Heloísa, tanto um fardo quanto um prazer ao escrever as coisas que lhe condizem em relação às histórias do marido. É incrível o tamanho grau de descrição das memórias, mesmo sendo intercalada com partes faladas na primeira pessoa tanto por Heloísa como por Ruy, a impressão é um conhecimento íntimo da história de seu marido. Acredito que ele não estaria vivo se não houvesse o apoio desta mulher. O livro é dividido em selos, cada um representando uma marca na vida do escritor, traz diversas referências desde musicais até cinematográficas e o bônus contextual carioca no século XX em suas primeiras marcas. Um livro muito angustiante, mas uma prova da resistência de Heloísa e do papel fundamental que ela possuiu nos encontros de seu marido com uma quase morte.
É difícil dar nota para uma biografia, apesar do livro de Heloisa não ser exatamente isso, mas é quase. Ela reviveu as memórias do marido, o escritor Ruy Castro, de uma forma magnífica. Em muitos momentos me senti angustiada com a história do homem, na qual agia de formas que eu particularmente não gostei. Mas acho que é justamente isso: a humanidade, nossos erros, nossos acertos, sempre passível de excessos, julgamentos, dores e amor. Ninguém é perfeito.
Quando eu tinha 10 anos, estava perto da minha irmã, de 8, que estava sentada na mesa fazendo lição e lendo o dicionário, quando perguntou para minha mãe: "mãe, o que é câncer?". Naquela noite, recebemos o telefonema de que meu avô tinha falecido. Nunca me esqueci o jeito que minha mãe nos deu a notícia: "sabe aquela palavra que você me perguntou hoje? então, seu avô tinha isso". Foram palavras rápidas, presas em sua própria dor, mas que até hoje, 20 anos depois, ainda me recordo quase em detalhes. Todos os selos, a partir do Língua me remeteram àquele dia.
A escrita de Heloisa é profunda, na qual cita vários outros autores de poemas, ficção, diretores, filmes, música e músicos. Me senti conectada com as descrições de tantas celebridades e obras que eu também sou apaixonada, com uma escrita tão perspicaz, crua e profundamente poética. Apesar das situações tão tristes e pesadas da vida de Ruy, como em o primeiro selo, Sangue, sobre a irmã dele, que me tocou imensamente, e deles como casal também, eu vi um encanto divino nas palavras da autora.
Vi beleza no amor entre eles, nas risadas conjuntas, na sinceridade, na amargura, na melancolia, nas doenças, na tristeza compartilhada. A vida é assim mesmo, um quase romance.
Um livro repleto de referências literárias, musicais e cinematográficas atravessando quase que 40 anos da vida de Ruy Castro, seu marido e o qual esse livro é livremente inspirado e dedicado.
I confess I did not know Heloisa Seixas, and this book introduced me to her. It is soft style, but deal it hard topics. Interesting to know contemporary authors. Also, of course, we imagine the Ruy Castro's life because the main subject of the book is his confront with death. As the book's title is an almost novel.