O QUE OS SOLDADOS DA WEHRMACHT PENSAVAM DE SEUS INIMIGOS?
Graças à publicação do livro Soldaten (Soldados del Tercer Reich (Soldados do Terceiro Reich)), temos acesso a centenas de milhares de conversas telefônicas grampeadas realizadas pelos Aliados em campos de prisioneiros de guerra.
Entre as informações abundantes e diversas coletadas, estão as opiniões de soldados e oficiais alemães — expressas em particular, é claro, sem saberem que estavam sendo gravadas — sobre seus inimigos: os britânicos, os americanos e, naturalmente, os russos. Essas são, obviamente, as impressões dos soldados e não devem ser interpretadas literalmente. No entanto, são interessantes porque refletem as visões predominantes (fundamentadas ou não) nos círculos militares alemães. Vejamos o que eles pensavam.
BRITÂNICOS
Os britânicos eram muito respeitados, considerados "altamente resilientes", "muito resistentes" e, acima de tudo, justos. Tanto em Dunquerque quanto na Grécia, eles lutaram fantasticamente bem; eram "aviadores de primeira classe" e magníficos combatentes. Eles eram "caras grandes", gente "igualzinha a nós", como se repetia constantemente. "Vista um britânico com um uniforme alemão e você não vai notar a diferença", afirmou um soldado do Afrika Korps.
No entanto, os oficiais de alta patente acreditavam que os alemães eram mais corajosos que os britânicos: "Bem, quando os ingleses levam uma surra, eles recuam e não chegam tão perto quanto os nossos, e quando chegam perto, são muito desajeitados." Segundo o comandante da 1ª Divisão Paraquedista, no contexto da guerra contra os Aliados Ocidentais na Itália: "Em geral, a mão de obra inimiga é pior em suportar o fardo prolongado de pesadas baixas."
AMERICANOS
Os americanos eram vistos com uma opinião decididamente pior. Presumia-se que seus sucessos decorriam unicamente da superioridade material, e isso parecia injusto para os soldados da Wehrmacht. Como soldados, os americanos eram "covardes e mesquinhos", "mentalmente fracos", "não tinham ideia" do que era uma "guerra de verdade", "não suportavam privações" e eram "inferiores a nós em combate corpo a corpo".
O General Von Arnim relatou suas experiências na Tunísia: "Esses porcos fogem assim que você pressiona". Sobre os combates na Itália, outro general disse: "Em geral, o americano é considerado um combatente inferior, com poucas exceções, porque lhe falta força interior e coragem".
RUSSOS
Os soldados russos, por outro lado, inspiravam enorme respeito entre os homens da Wehrmacht. Eles tanto apreciavam quanto temiam sua disposição para se sacrificar e sua brutalidade. "Essas pessoas têm uma resistência inédita, tanto física quanto emocional", "Eles lutam até o limite, os russos"; "É incrível o quão fanáticos eles podem ser". "Dá arrepios ver como eles lutam". Os soldados alemães não encontram palavras para descrever o desprezo dos russos pela morte; não é incomum que os descrevam como guerreiros sem alma, impassíveis, até mesmo "bestiais".
"Quando eu estava perto de Uman, naquele bolsão da Ucrânia, meus tanques tiveram que matá-los atropelando-os, literalmente, porque eles não se rendiam sob nenhuma circunstância. Imagine", relata o General Ludwig Crüwell. Ao mesmo tempo, ele acredita que os membros do Exército Vermelho são bons soldados justamente por lutarem com tanto desprezo pela vida. Um soldado que luta por sua pátria com tenacidade inabalável não pode, especialmente aos olhos dos escalões superiores, ser considerado um mau soldado sob nenhuma circunstância; aqui, o código de valores militares prevalece claramente na Wehrmacht.
O Major Blink, da Luftwaffe, relata como, em 1941, um total de 125 bombardeiros russos atacaram uma cabeça de ponte alemã perto de Bobruisk, no rio Berezina. Caças alemães abateram 115 das aeronaves russas. Para Blink, isso não era ilógico nem insano. Em sua visão, esse fato apenas demonstrava que "os russos voam com grande audácia e desprezo por suas vidas".
Quanto às suas opiniões sobre os pilotos de outras nacionalidades, certamente eles também tinham opiniões, mas não há registros disso no livro mencionado.
PS: Os alemães chegaram a lançar panfletos em português tentando desmoralizar os brasileiros, chamando-os ironicamente para se renderem, mas o efeito foi oposto: a resistência brasileira rendeu aos pracinhas o reconhecimento de "tropas de elite" em determinados setores do front italiano.
Verdade verdadeira?
Sim, durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados alemães desenvolveram um respeito notável — e, em muitos casos, temor — pelos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Essa postura foi resultado tanto da eficácia em combate quanto do tratamento humano dispensado aos prisioneiros.
Motivos do Respeito?
Além de terem chegado à Itália com treinamento e equipamentos inicialmente insuficientes, os alemães notaram a rapidez com que os pracinhas se adaptaram à tecnologia militar americana e às táticas de guerra moderna.
Os alemães ficaram impressionados com a determinação dos brasileiros em batalhas cruciais como a de Monte Castello, onde os pracinhas venceram resistências nazistas em condições geográficas e climáticas extremamente adversas. Relatos históricos indicam que os alemães temiam o uso do facão e a agressividade dos brasileiros em patrulhas noturnas e combates corpo a corpo, habilidades muitas vezes atribuídas à experiência de vida de muitos soldados em regiões rurais ou de selva no Brasil.
Em 1945, na região de Fornovo di Taro, a 148ª Divisão de Infantaria Alemã, composta por quase 15 mil homens, optou por se render especificamente aos brasileiros. Eles preferiam a custódia da FEB à de outras forças aliadas ou guerrilheiros italianos devido à fama de que os brasileiros tratavam os prisioneiros com humanidade e dignidade.