Neste romance delicado, a autora de Flores azuis narra vidas marcadas pela ausência e pelo abandono. Como começa o amor? À primeira vista, num encontro casual, depois de anos de convivência? Qual é a distância entre dizer "eu te amo" e amar alguém? O que resta quando o tempo passa, as pessoas mudam e o amor acaba? Nina tem vinte e três anos quando ela e o narrador se conhecem na faculdade. Os dois têm um envolvimento amoroso, mas certo dia ela desaparece sem deixar notícias. A partir da reconstrução ficcional dos diários deixados por Nina, o narrador conta a história de seus antepassados e assim vai delineando seus contornos, numa tentativa de recriar a mulher amada. Mas como falar do outro sem falar de si? E como falar de si quando a sua própria vida é marcada pelo abandono, pelo impalpável? Essas são algumas das questões que O inventário das coisas ausentes lança ao leitor e à sua própria estrutura narrativa. Com uma abundância de tramas paralelas que por vezes se entrelaçam e por vezes seguem independentes, o romance de Carola Saavedra investiga o fazer literário, a memória, o amor e as marcas deixadas pela ausência do outro.
Romancista e contista. Aos 3 anos de idade, muda-se com a família para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Na infância e na adolescência estuda em um colégio alemão. Na década de 1990, após se formar em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), transfere-se para a Europa, morando na Espanha, França e Alemanha, onde conclui mestrado em comunicação social. Trabalha como tradutora de alemão e espanhol. Publica seu primeiro livro em 2005, o volume de contos Do Lado de Fora. Entre 2005 e 2006, publica microcontos no blog Escritoras Suicidas. Seu romance Flores Azuis (2008) recebe o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2008. (Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural)
Em A Paixão Segundo G.H., Clarice Lispector inicia seu texto com "Este livro é como um livro qualquer. Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada". Ao ler O Inventário das Coisas Ausentes, tive a sensação que o livro é direcionado para o mesmo público, aqueles que já são completos o suficientes para perceber e sentir aquilo que se esconde nas entrelinhas. Um romance-documentário que nos apresenta como a vida molda a ficção por meio da palavra, bem como o impacto de diferentes ausências ao longo da vida.
No começo do segundo capítulo, a autora cita Lucian Freud: "Tudo é autobiográfico e tudo é um retrato, mesmo que seja apenas uma cadeira." Entretanto, nesse livro, não apenas o criador se vê na criatura, mas o espectador também se identifica com aquilo que é criado. No princípio, apresenta-se Nina, uma mulher intensa que abandona o namorado sem grandes explicações, deixando 17 cadernos que exibem a vida da mulher e de sua família: histórias de amor, desamor e silêncios torturantes. A partir disso, o narrador transborda e expõe sua infância repleta de abandonos, desafetos e sentimentos reprimidos por seu pai.
Dentre as temáticas que perpassam a vida e morte das personagens, ressalta-se as mais variadas rupturas: imigração, política, religião, abandono e tempo. Indico muitíssimo para quem gosta de escritores que manuseiam as palavras com maestria, tal qual Carola e Eliane Brum, sem perder a capacidade de emocionar.
"É necessário coragem para possuir as coisas, o homem velho diz, porque coragem não é só sair por aí vociferando meia dúzia de ideais, coragem é ser capaz das coisas mais prosaicas, como ter coisas que te prendam a um lugar, que te amarrem, coisas que pesem sobre teus ombros, veja esta casa, ela pesa sobre meus ombros, veja estes livros, esta mesa, estas paredes, está vendo?, tudo aqui pesa sobre os meus ombros, inclusive você, nada mais pesado do que você sobre meus ombros, desde o início."
No Direito Civil, inventário é a listagem e avaliação dos bens de alguém falecido, realizada com o intuito de distribuí-los entre herdeiros. Aqui, Carola Saavedra invoca uma grande licença poética e engendra um inventário às avessas: as faltas, vazios e caminhos íntimos que existem em nós e nos outros são evidenciados por meio da história de vida de personagens comuns e singulares.
Pedro e Nina são dois jovens que se conhecem na faculdade e se apaixonam. Mas ao redor e no meio dos dois existe bem mais que o amor, bem mais que a vontade de estar juntos: subsiste um povoamento de influências, carências e ambiguidades. Elas são tomadas neste romance como por um caleidoscópio, e nos provocam as mais diversas sensações.
O tema da escrita e da criação literária ocupa, na obra, papel primordial; com destaque para uma narração desconstruída que exige do leitor um papel ativo e laborioso na busca do sentido geral do romance. Um livro pequeno, porém grandioso.
Eu sinceramente não sei como começar nem como levar a resenha desse livro.
O livro tem trechos bonitos, pequenos cenas de como nasce o amor, que descrevem uma paixão. Mas é abstrato demais para contar uma história. Os trechos não lineares são soltos, desconexos, o que me causa uma frustração enorme. Não é o tipo de livro que te entrega uma história profunda mas que segue um caminho definido, e nem aquele tipo de livro que vai te fazer refletir e ligar os pontos e compreender a história.
Os personagens são interessantes, bem como as cenas descritas no livro, mas é tudo tão “jogado ao vento” que é difícil extrair alguma coisa além de passagens bonitas. Então, dessa forma, vou deixar aqui duas delas:
“(…) por que você não escreve um romance autobiográfico? Eu digo, não gosto de romances que acabam antes do fim.”
“Queria te beijar mais vezes, eu penso, mas esqueço, quando vou ver o dia passou e a noite passou e eu esqueço, queria te beijar mais vezes, mas esqueço, eu quero dizer, mas ela não entenderia.”
Talvez apegando-se tanto à linearidade, um pouco da beleza do livro se perderia, mas fiquei com aquele gosto amargo na boca de que estava faltando alguma (muita) coisa.
Eu amo a escrita da Carola, e o “Com armas sonolentas” me tocou demais. Mas esse não me ganhou… Tinha tudo pra ser um excelente livro, os personagens tem imenso potencial e profundidade. Mas o estilo da narrativa deixou tudo muito confuso, superficial, fiquei perdida e desengajada durante boa parte do livro. Uma pena…
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"Penso, o que será do passado quando os rastros se forem e ficar apenas a memória. Como se os rastros dissessem alguma coisa. Os rastros contam sempre uma outra história. Abro um dos cadernos, leio com cuidado o primeiro parágrafo, sinto como se o lesse pela primeira vez. E talvez seja, uma leitura divorciada da emoção, do acontecimento em si. As palavras parecem ter perdido sua substância, como uma fruta que tivesse perdido sua carne e restasse apenas a casca. A casca das palavras é frágil e ressecada. Eu te amo, diz o texto. Talvez entre o eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Leio o texto como se fosse parte de um romance. Talvez seja isso, e quando o amor acaba resta apenas a ficção.”
A Carola Saavedra já ganhou alguns prêmios, foi finalista de outros e até apareceu em lista de "melhores jovens escritores". Foi com essa expectativa que peguei esse livro - que, aliás, tem um título ótimo.
Bom, é um livro curto, mas não exatamente fácil porque a narrativa é fragmentada e as histórias vão se alternando como num caleidoscópio. É um livro bastante introspectivo, a autora parece menos interessada em levar a história para algum lugar do que se deter nos seus meandros. Por mim, tudo bem. Gostei bastante da primeira parte, conseguiu me prender, mas a segunda parece apenas exercício estilístico cansativo.
Definitivamente não é para todos os gostos, mas tem momentos inspirados como o transcrito acima que valem a leitura.
Eu já disse que não gosto de livros sobre escritores, né? Disse. Mas tem uns que são bons. Esse, por exemplo. Porque na verdade nem é um livro sobre um escritor: é um livro sobre o ato de escrever, e sobre o processo de criar, recordar, reconstruir, descobrir e juntar tudo isso em algo que faça sentido.
Ou seja, é um livro sobre a vida.
E o texto da Carola Saavedra é primoroso. Daqueles que você está lendo tranquilamente e, quando chega no fim de uma página, se pega dizendo: "Não. Ela não fez isso". Fez. Volta lá no começo e olha bem como foi que ela fez. Pois é.
Quando Carola Saavedrapublicou seu primeiro romance, “Toda Terça”, li meio que ao acaso, depois de me deparar com uma resenha elogiosa. Gostei muito, muito mesmo, do livro, e fui atrás da primeira coletânea de contos dela, “Do Lado de Fora”, que havia saído algum tempo antes. Gostei ainda mais do que li. Quando saiu “Flores Azuis”, que cheguei a resenhar (http://diplo.org.br/2008-12,a2686), eu tive um certo frio na barriga, porque, né, dois livros muito bons, será que ela conseguiria o mesmo feito com o 3º? Na verdade, conseguiu ainda mais – acho o romance genial, de uma complexidade rara em nossa prosa contemporânea, na qual há mais gente querendo ser moderninho, e acaba meio modernoso. Agora, acabo de ler “O inventário das coisas ausentes”, e encontro nele uma percepção sagaz de nosso tempo, de feridas abertas, e de um mundo global onde as pessoas se esforçam para manter suas identidades pessoais e não serem engolidas pelo mundo – o que já é dizer muito sobre o estado das coisas. Além disso, a autora tem uma capacidade tão grande de criar personagens (e não só nesse romance) que nos dá a sensação de conhecer essas pessoas há anos. É um grande romance, de uma de nossas melhores romancistas em atividade. Torço para que seja cada vez mais lida e admirada, e quando tudo mundo disser, nossa, como os livros dela são bons, eu vou dizer: Eu já sabia!
É um livro sobre solidão, amores inacabados, frustrações e idas e vindas.. vale pelos trechos bonitos. Acho que talvez numa releitura futura eu goste mais.
"Penso, o que será do passado quando os rastros se forem e ficar apenas a memória. Como se os rastros dissessem alguma coisa. Os rastros contam sempre uma outra história. Abro um dos cadernos, leio com cuidado o primeiro parágrafo, sinto como se o lesse pela primeira vez. E talvez seja, uma leitura divorciada da emoção, do acontecimento em si. As palavras parecem ter perdido sua substância, como uma fruta que tivesse perdido sua carne e restasse apenas a casca. A casca das palavras é frágil e ressecada. Eu te amo, diz o texto. Talvez entre o eu te amo e o amor propriamente dito haja um espaço intransponível. Talvez o tempo que passa. Mas não apenas. Talvez um inevitável desencontro. Essa incoerência. Leio o texto como se fosse parte de um romance. Talvez seja isso, e quando o amor acaba resta apenas a ficção.”
Essa é a máxima, às vezes apresentada como afirmação, às vezes como pergunta, que os muitos personagens de O Inventário das Coisas Ausentes oferecem como conclusão às suas histórias pessoais de amores e perdas, e que pode servir como chave de leitura desse curioso e caleidoscópico romance de Carola Saavedra.
Escrito de forma fragmentária e não-linear, é dividido em duas partes: Caderno de Anotações e Ficção. Na primeira parte somos apresentados ao narrador, que tenta costurar os muitos fragmentos das histórias que podem compor um livro, e a Nina, a mulher que lhe fornece os fragmentos. Os dois se conhecem jovens, na faculdade, e após um relacionamento que nenhum dos dois quer nomear como “namoro”, Nina vai embora, deixando para trás dezessete cadernos, onde estão anotados os diversos pedaços que compõem as muitas narrativas paralelas do romance.
“Dentro da caixa vários cadernos, logo descobri que eram diários, os diários de Nina. Dezessete no total. Pelas datas, cobriam os últimos cinco anos. (...) Demorei alguns meses para ler o primeiro. Digressões sem sentido, filosofias baratas, histórias de família. não que houvesse ali alguma pretensão literária, para ela a literatura parecia tão distante quanto o tabuleiro de xadrez.”
Assim, Carola Saavedra cria, a partir de Nina e do narrador, uma teia de ficções aparentemente independentes que por vezes explicam ou complementam o drama dos dois. Um drama que até o momento da escrita, ainda carece de um fim, um nó que amarre seus episódios e lhes dê sentido. Somos convidados, como leitores, a também tomarmos papel nesse jogo de quebra-cabeça, organizando os fragmentos enquanto lemos e vemos o narrador tentar fazer o mesmo
Nos cadernos estão escritos diversos episódios de familiares de Nina, sinopses de ficções curtas e longas, fragmentos que, misturando ficção e fatos, por vezes repetindo elementos, nomes ou personagens, logo se mostram como cacos de um espelho partido que refletem, de ângulos e formatos diferentes, um mesmo arquétipo de história: contos de ausências e de abandonos, que nunca se encaixam perfeitamente.
“Leio o texto como se fosse parte de um romance. Talvez seja isso, e quando o amor acaba resta apenas a ficção.”
Enquanto a primeira parte foca nas histórias e nos parentes de Nina, a segunda, Ficção, foca em um único episódio, envolvendo o narrador e seu pai.
Ecoando os mesmos temas de amor e abandono da primeira parte, e pegando emprestado diversos elementos da primeira parte, recria com a mesma precisão dos outros relatos, a história dos dois, servindo como contraponto para a história familiar de Nina.
Nessa parte, Saavedra perde um pouco do que torna Caderno de Anotações uma leitura gostosa e envolvente ao trocar a habilidade de síntese dos muitos relatos dos cadernos de Nina por uma prosa mais experimental, caudalosa. Fica implícito pelo título que esse é o livro que o narrador estava escrevendo enquanto lia os cadernos de Nina, e a mudança de estilo pode ser reflexo do estilo dessa voz literária que assume o relato. Não tira o mérito do livro, mas tira um pouco do prazer da leitura fluida que vinha se estabelecendo, fazendo o livro terminar com um sussurro o que começou como um grito.
2.5 o livro é cheio de frases bonitas, mas é uma leitura que você empurra com a barriga, que não te leva a lugar algum com esse livro cheguei na conclusão de que o amor não existe gostei mais da primeira parte do livro, que contava histórias de vida de diferentes pessoas
alguns dos meus trechos favoritos: "Depois penso, com tristeza, mas também com certo alívio, o corpo de Nina é apenas o corpo de Nina."
"... eu lia porque eram aqueles livros que me tirariam dali, eu sempre soube disso, os livros e a coragem e a força."
"Isto sou eu, aos quarenta e seis anos, quando eu poderia ter sido tão mais, tão melhor, tão maior, eu poderia ter me tornado um grande homem, eu poderia ter reunido um exército, eu poderia ter vencido as mais difíceis batalhas, ter conquistado o mundo, ter descoberto outros continentes, ter feito uma viagem interplanetária, eu poderia ter feito uma viagem astral, ou uma viagem para o exterior, ao menos, eu poderia ter me tornado um homem respeitado na minha área, um homem respeitado nacionalmente, um símbolo internacional, eu poderia ter sido tantas coisas que eu não sou e jamais vou ser..."
"... e eu penso, aos quarenta e seis anos, tudo o que eu tenho é isso que eu sou, e o desejo de sair correndo, essa covardia."
"... porque é a coisa mais importante que eu já te pedi, a memória de toda uma vida, todos os acontecimentos, o que eu nunca disse nem a você nem a ninguém, a infância, a casa dos meus pais, a dificuldade em sobreviver, a miséria, depois os anos na faculdade, os estudos, o dinheiro, sempre o dinheiro."
"... está tudo aí, tudo o que eu vivi, o que eu pensei, as pessoas, suas frases, seus nomes, está tudo aí, todo o tempo que eu passei lá, que é todo o tempo do mundo, um tempo que não acaba."
"... nesse último instante, e os últimos pensamentos de um homem que acabava, que se misturavam com os de outros homens que acabavam, homens que vieram antes dele, e os que viriam depois, os pensamentos de todos os homens num só homem que acabava..."
tem tempos que leio sobre os livros da Carola Saavedra, inclusive, estou ensaiando ler Com armas sonolentas há muito tempo (alguém por aí leu?), mas fui sugada antes para dentro da história de Nina e do narrador e de tantos outros personagens que aparecem ao longo desse livro. especialmente pela histórias das mulheres contadas, que sempre abrem mão de algo em nome de "ah, então isso deve ser o amor"... será? é um livro para se ler atento as histórias que ocorrem paralelas. os detalhes estão nelas. __ sobre o impacto de certas ausências. [tentativas] de preencher existências que foram marcadas pela falta. sobre espaços vazios que não podem mais ser ocupados, sobre amor (excesso e a falta) sobre ódio, abandono, família, ditadura. e muito mais. é triste. mas de uma tristeza reflexiva. daquelas tristezas que deixam um vazio pelas similaridades. pra quem assim como eu, não estava conseguindo se concentrar em uma leitura e gosta de livros tristes. __ "Em que momento, distraídos, nos tornamos outras pessoas?" O inventário das coisas ausentes.
A primeira parte se estrutura como uma coleção de ideias e anotações, a segunda é uma história curta, ou um conto acabado em torno da autoridade paterna, da família, da repressão, da dor e de algo mais. O título é um evento por si só, não só apresenta e estampa a obra, mas serve como uma espécie de arranjo final, participa da estruturação do que estamos lendo, já que o que lemos é justamente isto, um inventário de silêncios e vazios em torno do abandono, da perda, do amor, da perda aparente do amor, das desgraças que se abatem sobre as famílias, da migração, do êxodo, da casa e da falta de lar...
É um romance astuto e corajoso, imerso dentro do furacão da literatura. Os narradores das duas partes constroem frases longas baseadas em repetições, fazendo com que o livro se componha de certos motivos e ritornelos, não só as frases se repetem mas também os dramas, uma conexão profunda se estabelece entre todas as narrativas. Tristeza, ressentimento e escrita estão imbricados.
Que delícia ler esta autora! Ela que tem essa escrita contínua, com ritmo e pausas próprias, bem pensadas. A histópria densa, melancólica, das ausências, de pessoas e de feitos, diz como quem quer despir a alma nas palavras, uma poesia livre que dá vazão para questões tão humanas e também etéreas. A narrativa é de um jovem escritor que recebe diários escritos por 17 anos e tem a missão de lê-los. Precisa-se, aqui, ler com calma, ir sentindo, sentir o chamado, especialmente para quem gosta da escrita da Carol Saavedra. No entanto, é uma leitura fácil e fluída, cheias de significados, contanto que saiba sentir todas as miúcias que o narrador transmite. Fazia tempo que não me sentia tão atraída intelectualmente por uma escritora brasileira, e que sortea minha enocntrá-la.
"leia atentamente, preste atenção aos detalhes, às minúcias [...] você vai entender minhas batalhas, minhas lembranças, minhas impossibilidades..."
A primeira parte se estrutura como uma coleção de ideias e anotações, a segunda é uma história curta, ou um conto acabado em torno da autoridade paterna, da família, da repressão, da dor e de algo mais. O título é um evento por si só, não só apresenta e estampa a obra, mas serve como uma espécie de arranjo final, participa da estruturação do que estamos lendo, já que o que lemos é justamente isto, um inventário de silêncios e vazios em torno do abandono, da perda, do amor, da perda aparente do amor, das desgraças que se abatem sobre as famílias, da migração, do êxodo, da casa e da falta de lar...
É um romance astuto e corajoso, imerso dentro do furacão da literatura. Os narradores das duas partes constroem frases longas baseadas em repetições, fazendo com que o livro se componha de certos motivos e ritornelos, não só as frases se repetem mas também os dramas, uma conexão profunda se estabelece entre todas as narrativas. Tristeza, ressentimento e escrita estão imbricados.
Não é um livro que se comunica de forma simples, requer que façamos associações, distinções, enfim que exige de nós. Gostei muito dessa autora.. Sabe quando parece que há algo a mais nas frases que lemos? como se quem escreveu estivesse depositando algo de muito valor da própria experiência ali?! então, ai está a grandiosidade do livro. Os diálogos do homem velho com o Pedro (supostamente) são emocionantes de tão palpáveis. Se tivesse que destacar algo de ruim diria que aquela Nina do inicio deveria existir por mais tempo, gostei bastante dela, me lembrou algumas outras personagens carismáticas. Enfim, gostei! (esse é o terceiro livro com a mesma quantidade de pág que leio seguidamente e sem querer, rs que estranho)
A veces la amalgama de experiencias que vivimos puede ser contada a multitud de voces. Una historia de amor, una historia de vida, la experiencia de querer dejado plasmado en el papel para otras y otros. Nos invita a eso Carola Saavedra, brasileña-chilena, en donde el telón de fondo es la construcción de una vida que va dejando marcas a medida que avanza cada generación.
La excusa de un encuentro de amor, para narrar cómo se construye una vida en torno a perseguir lo que pensamos que es lo correcto, que es lo amado y cuándo a veces tenemos que abandonarlo a pesar de todo.
De esas lecturas muy rápidas, ideales para un fin de semana.
Um texto fragmentado como flashes de lembrança, o peso do vazio, o espaço da existência, o impacto da ausência. A autora é bastante cirúrgica em passear por esse campo minado de histórias, convidando ao leitor a não pisar numa mina, compondo, a partir de suas próprias dores e alegrias, a compreensão geral do que se lê. Se um livro já é, por si mesmo, uma fonte de interpretações, neste inventário, ele não só requer a imaginação: ele quer memória. Um bom exercício, um tanto incômodo, talvez um livro que é menos do muito ainda que poderia ser, mas muito mais do que somos nós mesmos diante de nossas próprias narrativas costuradas por tempo e abandono.
Comovedor. Narrado de forma originalmente provocante e intensa. Dúvidas existenciais sobre viver a vida sem distinguir os erros e os acertos. Talvez não existam erros, e sim somente acertos, esperando ser reconhecidos neste emaranhado da vida, que nos cobra… muito… todos os dias. Personagens fortes, humanos, como eu, como você, dia após dia, acertando, e acertando…
fui ao encontro desse livro como um sedento vai ao copo d'água, e finalizo ele ainda com sede. embora Carola Saavedra tenha conduzido de maneira excelente a trama, com uma boa escrita, leve, confortável de ser acompanhada e com personagens interessantes, a história não vai a lugar algum. esperava muitíssimo mais.
Eu amei a escrita da Carola Saavedra. É algo gostoso de se ler. O livro é divido em duas partes. A primeira é maravilhosa, uma mistura de romance com contos. A segunda é boa. Recomendadíssimo a leitura.
linda a escrita da autora, a primeira parte do livro sobre amor e solidão é muito melhor, a última parte infelizmente acaba sendo monótona, mas ainda assim muito tocante
eu gostei do livro, mas tem uns momentos fluxo de consciência que acho meio forçado, meio querendo puxar um Lobo Antunes - mas não encaixa na vibe do livro. no geral, bem bom.