Editada pela primeira vez em 1977, A vaca e o hipogrifo apresenta Mario Quintana no esplendor da maturidade como poeta. O título mostra a informalidade do autor, empregando constantemente expressões do cotidiano e se utilizando tanto da prosa quanto do verso - como em seu Caderno H, coluna que manteve durante décadas no Correio do Povo, de Porto Alegre. No entanto, mesmo com a espontaneidade aparente em sua escrita, que poderia soar ingênua com sua linguagem simples, encontra-se uma constante experimentação de formas. O livro abre a série de lançamentos programada pelo selo Alfaguara para a obra de Quintana. Em A vaca e o hipogrifo, com mais de 200 textos, estão reunidos pensamentos, aforismos, anotações, poemas e breves crônicas, reunindo prosas, miniprosas e poemas. Por muitas vezes próxima à forma de um diário, o título permite experimentar o domínio de Quintana no contraste entre os versos e a prosa, que também se mesclam. Foi como cronista diuturno, em diálogo permanente com o público, que Quintana acabou encarnando exemplarmente a figura de poeta do povo e de sua cidade. Mas é justamente por sua condição de cronista e poeta e pela aguda sensibilidade de leitor, demonstrada em seu texto espirituoso e esclarecido, que Quintana assume essa dimensão universal. A vaca e o hipogrifo traz em sua inteireza a dupla persona de cronista e poeta enredada na assinatura de Quintana. Este é o livro em que se pode melhor observar como essas duas faces acabaram por integrar-se e alimentar-se uma à outra. Ao ler o cronista do Caderno H, o leitor se deparava com o poeta. Diante disso, o fato de Quintana escrever em verso ou prosa tornava-se de menor importância. Nos textos recolhidos, que tanto sucesso fizeram quando de seu lançamento, o autor assume com muita segurança o papel de mediador entre os seus leitores e a cultura literária. Assume assim a parte que lhe toca no espaço público: promover a união entre conhecimento literário e experiência vivida. Ainda hoje, e para sempre, a leitura de A vaca e o hipogrifo constitui excelente introdução ao repertório literário básico, através do exercício de um saber com sabor, leve e delicado, mesmo nos momentos de melancolia e nostalgia.
I was born in Alegrete, on the 30th of July 1906. I believe that was the first thing that happened to me. And now they have asked me to speak of myself. Well! I always thought that every confession that wasn’t altered by art is indecent. My life is in my poems, my poems are myself, never have I written a comma that wasn’t a confession. Ah! but what they want are details, rawness, gossip...Here we go! I am 78 years old, but without age. Of ages, there are only two: either you are alive or dead. In the latter case, it is too old, because what was promised to us was eternity. I was born in the rigor of the winter, temperature: 1 degree °C; and still I was premature, which would leave me kind of complexed because I used to think I wasn’t ready. One day I discovered that someone as complete as Winston Churchill was born premature - the same thing happened to Sir Issac Newton! Excusez du peu... I prefer to cite the opinion of others about me. They say I am modest. On the contrary, I am so proud that I think I never reached the height of my writing. Because poetry is insatisfaction, an affliction of self-elevation. A satisfied poet doesn’t satisfy. They say I am timid. Nothing of the sort! I am very quiet, introspective. I don’t know why they subject the introverts to treatment. Only for not being as annoying at the rest?
It is exactly for detesting annoyingness, the lengthiness, that I love synthesis. Another element of poetry is the search for the form (not of the form), the dosage of words. Perhaps what contributes to my safety is the fact that I have been a practitioner of pharmacy for five years. Note that the same happened with Carlos Drummond de Andrade, Alberto de Oliveira, Erico Verissimo - they well know (or knew) what a loving fight with words means.
Quintana é uma espécie de Rivotril literário. Bom pra despressurizar os fardos, podendo ser incluído na mesma categoria dos passarinhos, da pipoca, e dos filhotes de cachorro. Pra ler e reler.
Meu primeiro livro do Mário Quintana e achei MUITO poética e enrolada, mas os poemas que eu entendi gostei bastante. Muita informação pra minha cabeça, sinceramente.
“A vida é continua, não uma projeção imóvel de slides, mas o desenrolar de um filme em câmera lenta”
Que gracinha de livro! <3 Lançado pela primeira vez em 1977, "A Vaca e o Hipogrifo" reúne poemas, minicrônicas e prosa de um autor que eu conhecia só de nome e de uns poucos poeminhas aqui e ali. Uma leitura muito gostosa, que me lembrou bastante Luis Fernando Veríssimo no tom humorístico e na leveza. Muito recomendado!
E por sinal, o título é uma brincadeira com a magia de cada animal. Segundo o Quintana, as vacas voam devagar, ao contrário dos hipogrifos.
Este é um livro de pequenos poemas e mini-crônicas de Mario Quintana, um estilo característico do escritor gaúcho. Sua beleza está no lirismo e na simplicidade de alguns dos seus textos minimalistas, como:
"As mãos que dizem adeus são pássaros Que vão morrendo lentamente"
Micro-poemas como esses contém uma alta densidade de lirismo por linha de texto, e são agradáveis de se interpretar, apesar de que o velho Mário diria: "Mas, afinal, para que interpretar um poema? Um poema já é uma interpretação.".
O "A vaca e o Hipogrifo" é um livro aconchegante, em que textos soavam na minha cabeça com uma voz de avô querido, refletindo sobre a vida: " I Quando a idade dos reflexos, rápidos, inconscientes, cede lugar à idade das reflexões — terá sido a sabedoria que chegou? Não! Foi apenas a velhice.
II Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os rapazes sem respeito nenhum. "
I thought why the title A Vaca e o Hipogrifo, from reading it I realized the mixture of aphorism, notes, poems and chronicles, verses and prose mix to achieve universal poetry. Hippogriff is a legendary creature from the fruit of a griffin and a mare. It reminded me of one Harry Potter´s characters. A Vaca e o Hipogrifo was published in 1977, it is a mixture of thoughts in prose, poetry and chronicles that make us think of many things in life. Fantastic work! I recommend it.
Não que seja um problema, é um livro de prosa, opiniões, crônicas rápidas e pensamentos. Sempre certeiro, sempre tão leve e inteligente, porém, prefiro seus poemas.