Ao vigésimo livro, João Tordo regressa à cidade onde tudo começou, para construir uma narrativa atravessada de mistério, solidão e ternura.
«João Tordo tem uma capacidade enorme deefabulação, que não se encontra facilmente.»José Saramago,na atribuição do Prémio Literário José Saramago
Nova Iorque, 1991.
Ao aterrar na América, Natasha, refugiada de um país da ex-União Soviética, está longe de imaginar que o seu exílio se transformará numa aventura labiríntica pela grande cidade e pela alma humana. O caminho desta rapariga cheia de medos e sonhos cruza-se com o de George B., homem marcado por um passado misterioso, que vive em total isolamento em plena cidade, barricado num apartamento apinhado de objectos inúteis.
George oferece a Natasha um emprego ler-lhe em voz alta a lista telefónica de Nova Iorque. Enquanto a rapariga aprende a suportar as saudades da sua família e do seu país, esboçando uma nova vida na metrópole vibrante e crua, George, por seu lado, procura obsessivamente um nome entre os milhões de nomes que a cidade esqueceu; um nome que poderá salvá-lo, ou ser a sua danação.
Tomando como inspiração uma história verdadeira publicada no New York Times, João Tordo constrói um romance enigmático, impulsionado pelo acaso e pela memória. O resultado é uma narrativa que disseca a solidão, grande doença dos nossos tempos, confrontando as suas personagens e os leitores com o passado com que todos tentamos reconciliar-nos. O nome que a cidade esqueceu marca o regresso de um dos escritores mais estimados do público a um lugar que lhe é familiar, numa história plena de imaginação, arrojo, candura e compaixão.
Sobre a obra de João Tordo
«João Tordo tem uma capacidade enorme de efabulação que não se encontra facilmente.»José Saramago
«Tal como o Nobel José Saramago, João Tordo põe em questão, com o seu talento, a crença numa identidade própria à qual nós, os humanos, estamos apegados.»Le Monde
«Um romance que se abre em escuridão e labareda, para que nos vejamos ao espelho.»José Tolentino Mendonça (sobre O luto de Elias Gro)
«Uma escrita vibrante, capaz de momentos de grande intensidade expressiva ou de inesperado lirismo.»José Mário Silva, Expresso(sobre O luto de Elias Gro)
«Há-de guardar lugar próprio e intransmissível entre as melhores obras da literatura portuguesa contemporânea.»João Gobern, Diário de Notícias (sobre O luto de Elias Gro)
«Tordo não dá respostas. Alimenta cuidadosamente a ambiguidade, o paradoxo, como se fizessem parte de um silêncio cujo mistério não quer desvendar.»Isabel Lucas, Público(sobre O Paraíso segundo Lars D.
João Tordo was born in 1975. He has published twenty-one books - novels, crime novels and essays - and received several awards, including the José Saramago Literary Prize 2009, the Fernando Namora Prize 2021 and the GQ Prize. He was a finalist for many other awards, including the European Literary Prize, the Fernando Namora Prize, the Oceanos Prize and the PEN Club Prize. His books have been published in several countries, including France, Italy, Germany, Hungary, Spain, Croatia, Serbia, Czech Republic, Mexico, Argentina, Brazil, Uruguay and Colombia.
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Publicou vinte e um livros - divididos entre o romance, o policial e o ensaio - e recebeu diversos prémios, incluindo o Prémio Literário José Saramago 2009, o Prémio Fernando Namora 2021 e o Prémio GQ. Foi finalista de muitos outros prémios, incluindo o Prémio Literário Europeu, o Prémio Fernando Namora, o Prémio Oceanos e o Prémio PEN Club. Os seus livros foram publicados em diversos países, incluindo França, Itália, Alemanha, Hungria, Espanha, Croácia, Sérvia, República Checa, México, Argentina, Brasil, Uruguai, Colômbia.
✨ “O Nome que a Cidade Esqueceu”, o novo livro de João Tordo, não é apenas um romance. É, sobretudo, uma viagem pelos meandros da solidão, da angústia, da saudade, das memórias ora fugazes, ora longínquas, que ora encarceram, ora libertam, e que se sedimentam no recanto mais profundo da nossa identidade individual e coletiva.
Neste livro conhecemos George B., um senhor peculiar que não sai do seu apartamento nova-iorquino há oito anos, acumulando tudo aquilo que é desnecessário. Natasha, uma jovem refugiada de um país da ex-União Soviética, que chega sozinha a Nova Iorque no início da década de 1990, também poderá achar bizarro o trabalho que aceita para poder sobreviver: ler, para George B., a lista telefónica de uma metrópole, na qual o tempo é como o metro subterrâneo: quando chega, não se demora e apressa-se a partir. George B. procura um único nome. Porque é que esse nome é tão importante? E quem são, para Natasha, as pessoas que trazem cor, significado e esperança ao seu quotidiano? Que privilégio foi, para mim, conhecer todas estas personagens!
Este é um livro sobre o amor e o perdão, sobre como tantas vezes as pessoas mascaram as suas feridas com um trato difícil quando, na verdade, procuram testar quão forte e inabalável é a presença de quem delas se aproximam.
A escrita cristalina, generosa e sensorial contribui para que o leitor observe as nuances dos relacionamentos humanos.Para mim, esta foi uma narrativa imersiva e introspectiva que me fez olhar de outra forma para as tantas vidas anónimas neste mundo. Quem sabe se, um dia, não seremos também um George B. ou uma Natasha? Nas voltas que a vida dá, desconhecemos quem, de facto, vai olhar para nós, por nós e para além de nós ou quando é que o “kairos”, qual epifania, deitará por terra tudo aquilo que outrora nos aprisionara, por fora e por dentro. Uma coisa é certa: serão lembradas as pessoas que nos fizeram acreditar em nós mesmos, quando elas próprias, estavam desacreditadas de quase tudo.
Urge, assim, agradecer ao João Tordo pela riqueza e intemporalidade deste livro.
"O esquecimento é uma coisa bizarra, não achas? Apaga quase tudo, mas deixa resquícios. Como quando nos lembramos apenas do final de um sonho, mas sabemos que temos dentro de nós o sonho inteiro. ...e também está ligado à imaginação, não achas? Tudo o que não vivemos permanece imaginado. Um fragmento. Um pedaço, com arestas que nunca deixam de nos incomodar."
Natacha chega a Nova Iorque em 1991 depois de um episódio traumático ocorrido no seu país, um país da ex-URSS. Com o estatuto de refugiada e sozinha numa cidade estranha, consegue arranjar um emprego invulgar: ler em voz alta a lista telefónica de Nova Iorque para George. George B. é um homem solitário, antipático, muito reservado da sua vida pessoal e que não sai de casa há vários anos. Todos os dias Natacha lê os nomes da lista telefónica porque George procura por alguém cujo nome esqueceu. João Tordo criou para este seu 20° livro, duas personagens muito fortes : George, um homem irascível e detestável que não confia em ninguém, e Natacha, uma jovem resiliente que não descansa enquanto não descobre o que realmente se passou na vida de George. O Nome que a Cidade Esqueceu é um livro sobre a memória e como esta nos molda durante a nossa vida e na forma como nos relacionamos com as pessoas à nossa volta, mas também é um livro sobre a solidão e como é tão fácil nos sentirmos extremamente sozinhos no meio de uma multidão .
Decidi começar pelo mais recente romance do João Tordo para me estrear com a obra do autor.
Bem, foi uma agradável surpresa! Se por um lado fico de pé atrás quando alguém usa um método de escrita corrido, sem grande uso da pontuação, por outro lado fiquei deveras surpreendido pela delicadeza e pelo tom poético da escrita de Tordo. É um texto que torna a leitura muito leve e prazerosa.
Quanto à obra em si, muito tocante, com uma poderosa carga emocional presente na vida destas personagens. Pessoas que sofreram, carregam pesadas cicatrizes, e é, dentro de um baixíssima probabilidade matemática, quando os seus caminhos se cruzam que se transformam.
Um livro sobre magoas, sobre dor, sobre o luto... mas acima de tudo sobre uma primavera depois de um longo e gélido inverno.
O mais recente livro de João Tordo, "O Nome Que a Cidade Esqueceu", tornou-se, sem dúvida, num dos meus preferidos do autor!
Natasha tem 17 anos quando chega a Nova Iorque, como refugiada da União Soviética, na sequência de um evento traumático que a deixou a gaguejar. Sozinha e desamparada, num país tão diferente do seu, acaba por encontrar um trabalho bem estranho: ler as Páginas Amarelas em voz alta para George B., o seu igualmente estranho empregador, um homem solitário, quase cego, que não sai de casa e que adora acumular tralha. Curiosa e destemida, Natasha começa a interrogar-se sobre George: o que lhe terá acontecido para não sair de casa há tantos anos? Como é que alguém aguenta viver naquela confusão?
Um dia, abre um envelope e encontra o testamento do patrão. Como ele é muito reservado e não partilha nada sobre si, a protagonista chega à conclusão de que só o poderá conhecer melhor através de terceiros e parte em busca dos beneficiários do testamento para que lhe contem algo sobre George. E mais valia ter estado quieta...
A vida dele mistura-se na dela e Natasha sente-se compelida a salvar George, não desistindo enquanto não descobrir a sua história e ignorando que há pessoas que não querem e não podem ser salvas. No testamento, há, ainda, referência a um desconhecido, o tal nome que George e a cidade esqueceram e que procura tão desesperadamente na lista telefónica.
Esta é a história central, mas, paralelamente, vamos acompanhando a adaptação de Natasha à sua nova vida, enquanto lida com as saudades que sente de casa. As personagens são maravilhosas e muito bem construídas e a história é tão original e cativante que pensava várias vezes no livro e no quanto queria voltar a pegar nele para avançar mais um pouco no enredo.
O 20º livro do autor, que celebra o seu 20º aniversário de carreira, não poderia ter resultado melhor!
"O tempo é assim, creio eu: cuida de nós da mesma maneira que trata das árvores e dos rios, dos pássaros e das nuvens. As feridas saram; é a sua natureza."
"Coragem é saber estar triste, é uma pessoa persistir quando mais se sente desalentada."
Adorei este livro do João Tordo. É belo, melancólico, poético entre muitos outros adjetivos que reflitam qualidade no mais alto nível.
Acaba por ter uma premissa simples, que consegue explorar as personagens que fazem parte dela de uma forma complexa e completa.
Sinto que, ao longo da leitura deste livro, me tornei amigo do George, da Natasha, da Dorah e de outras personagens que conheci e que mexeram comigo. Em cada uma delas encontrei um pedaço de mim próprio.
Em «O nome que a cidade esqueceu», João Tordo tece habilmente a trama em torno de Natasha, uma refugiada da União Soviética, e a sua improvável jornada ao aceitar o estranho emprego proposto por George B.: ler a lista telefónica de Nova Iorque em voz alta. Este encontro peculiar desencadeia uma série de eventos que vão além da simples leitura de nomes e números.
A relação entre Natasha e George é a espinha dorsal da narrativa, proporcionando uma cura gradual para as feridas que ambos carregam. À medida que lemos, percebemos que a própria cidade de Nova Iorque não é apenas um cenário, mas também é uma personagem importante porque acompanha o desenrolar da história.
A escrita é marcada por uma prosa lírica que dá ênfase à condição humana, criando uma atmosfera única que se entrelaça com as emoções dos personagens e as nossas.
É uma obra lindíssima. Na minha opinião e com 16 livros já lidos, digo que é a obra mais bonita que o João já escreveu A originalidade da história é impressionante e mantém o leitor preso ao enredo do início ao fim. As personagens estão muito bem desenvolvidas e são carismáticas.
Foi uma excelente experiência de leitura, em que ri e chorei, que vou guardar com muito carinho na minha memória. Estes 20 anos, 20 livros não podiam ter corrido de melhor forma.
Passa também a ser o meu segundo romance favorito do João e um dos livros que aconselho para quem queira começar a conhecer a sua obra.
Cheguei à leitura do 20° livro do João Tordo. Foi uma aventura enorme ler a biografia do João. Adorei conhecer os seus livros e não me atrevo a escolher um preferido. Acho que seria injusto.
Em "O nome que a cidade esqueceu", lançado em 2023, conhecemos Natasha - a narradora da história. É uma jovem da União Soviética, que os pais obrigam a partir para os EUA como refugiada para fugir à Guerra. Natasha parte então para NY, fica alojada numa residência e numa ida à lavandaria em frente conhece Julie que lhe arranja emprego na casa de um senhor. George vive há 7 anos fechado num apartamento, acumula um número incalculável de coisas inúteis e espera que Natasha lhe leia a lista telefónica - nome a nome. Natasha não sabe o objetivo de George e fica intrigada. Um dia, George recebe correio e Natasha descobre um testamento, a partir dele vai tentar desvendar a história deste homem.
A história deste livro é inspirada numa história verídica publicada no New York Times, em 2015. A forma como o autor cria uma narrativa altamente viciante ao redor deste homem é estupenda. Cheguei ao fim da leitura com a sensação que não esquecerei a Natasha e o George. Enquanto lia senti-me lá, em NY, a percorrer aquelas ruas, a contactar com as pessoas. O João tem uma capacidade de escrita fabulosa.
Melancólica narrativa num outro tempo. Desesperançadas personagens que quase me aborrecem, se não fosse o controle que o autor tem sobre o ritmo da história, até que George B., o acumulador, entra como protagonista com a sua versão de vida. A rapidez com que a narrativa se desenrola é outra. Sombria quando recorda a Sida. E comovente quando se percebe o trabalho de Natasha para George.
Dividido em três partes é um romance que nos vai conquistando a pouco e pouco e enredando com personagens solitárias e inadaptadas numa cidade como Nova Iorque, em que acabamos por nos apaixonar pelas personagens e pela cidade. Um romance que se termina com perplexidade. Um romance de João Tordo.
Gostei tanto, tanto, deste livro de João Tordo!!! Que livro tão profundo e tão necessário. Fala sobre solidão, esquecimento, desprezo, mas também de amor, solidariedade e renovação...
"Amar, perdoar, deixar ir, e voltar a amar. Por esta ordem. Vamos magoar-nos uns aos outros, é inevitável. Mas também sabemos perdoar, e depois, tentamos largar a mágoa (...) E a melhor maneira de deixar ir é tornar a amar, até mesmo os que nos magoaram, concluiu. "
Foi o primeiro livro que li de João Tordo e posso dizer que adorei ! Solidão, tristeza, dificuldade, superação, vida e morte…São as palavras- chave para este romance.
Não há melhor augúrio literário do que começar o ano com um livro destes. "O nome que a cidade Esqueceu" é melancolia, é raiva, é crueldade, é simplicidade, é beleza. Não é um livro para se ler de rajada, é para se ler e digerir. Com pouco, João Tordo fez um tudo, levando-nos a viajar pelas ruas e aromas da Nova Iorque dos anos 90.
“O nome que a cidade esqueceu” é um livro sobre a solidão, sobre como a alimentamos e sobre como, em última instância, é ela que nos consome. Fala-nos de Natasha, uma jovem refugiada de um país da ex-União Soviética, chegada à América. Traz consigo apenas uma mala, mais cheia de medos que de sonhos. Pela primeira vez vê-se longe daqueles que sabe que a amam e confronta-se com a realidade das grandes cidades: centros que pulsam de vida, tão cheios de gente que todos se atropelam entre si; e no entanto, cada vida é uma e uma só, nada se entrelaça, nada se cruza.
«A sobrevivência num lugar com Manhattan não dependia tanto da proximidade como da distância; não dependia tanto do afeto como do desapego. Tal como […] as pessoas que andavam nas ruas ou no metropolitano, eu começara a construir uma redoma em meu redor. Tornara-me um pouco menos sensível, um pouco menos doce, um tanto mais esquiva. Um dia […] não deixaria entrar na minha vida ninguém que pudesse magoar-me, e também ninguém que pudesse fazer-me bem.»
Enquanto Natasha tenta dar sentido aos seus dias ocos, inesperadamente uma oportunidade de emprego surge: a de ler os nomes de uma lista telefónica a um homem ,George B. E se o seu trabalho é incomum, o seu empregador é além de curioso: um “inválido” que vive sozinho num apartamento que nunca abandona, apilhado em tralha e em segredos. Mas apesar da sua rudeza e aparência repulsiva, há algo nele que desperta a compaixão de Natasha. O que procura ele naquela interminável lista telefónica? Porque se isola? Terá sido ele querido a alguém em tempos? É ao remexer no passado de George B que Natasha espera encontrar respostas, antes que seja tarde de mais. Pois cedo se apercebe que «as pessoas que vivem fechadas morrem mais cedo. De tristeza.»
Através destas duas personagens aparentemente tão diferentes, mas que partilham o fardo da solidão, João Tordo mostra-nos como ao tentar salvar alguém, podemos estar a salvar-nos a nós próprios. Como, nesse caminho, a esperança de um se torna na mágoa de outro. Como nada disto é muitas vezes evitável. Como, quando deixamos que a nossa vida se cruze com outra, podemos sair lesados, mas também só assim podemos ser amados. Como é preciso «Amar, perdoar, deixar ir, e voltar a amar. Por esta ordem.»
Natasha chega sozinha a Nova Iorque como refugiada da União Soviética e sem nada nem ninguém a quem se amparar, tem de arregaçar as mangas para sobreviver perante as exigências que a sua nova condição lhe exigem. Esta nova vida leva-a a conhecer George, um homem entre tantos, que vive sozinho, isolado dentro de quatro paredes, e que recorre a jovens mulheres que precisam de dinheiro para lhe lerem a extensa lista telefónica em busca de nomes que lhe são familiares e que estão envoltos em segredos. Assim se juntam duas pessoas que vivem perante a solidão numa sociedade em movimento e que levam o leitor a percorrer caminhos que vão para lá da ligação que os une de início. Através de Natasha e George encontramos muito Mundo por vezes sem sairmos de casa pelo recurso da memória, encontramos um pouco de cada um de nós nos momentos em que por vezes só necessitamos de respirar com calma para se seguir em frente por caminhos translúcidos marcados pelas dores de percurso. João Tordo coloca em O Nome Que a Cidade Esqueceu a sua escrita emotiva e poética onde o poder da descrição das personagens muito bem retratadas e desenvolvidas levam o leitor a sentar-se e a percorrer caminhos ao seu lado para se perceber como cada um irá conseguir dar a volta para seguir em frente perante os presságios que os acompanham do início ao fim. É importante nunca esquecer que a solidão mata, sendo essencial olhar para o lado e perceber quem por vezes precisamos somente de uma alavanca para recuperar estímulos e confiança para dar a volta e sair de um estado moribundo e que não leva a lado algum. Por vezes é necessário parar para fazer a auto análise perante o sentido do caminho que estamos a seguir e se o mesmo tem no presente pontos fracos onde só existe um processo a ser desencadeado, o da recuperação do bom sentido da vida. João Tordo é um nome forte da nossa literatura e com O Nome Que a Cidade Esqueceu volta a dar provas pelo qual tem os leitores do seu lado, ainda para mais com um romance recheado de emoção e sentido onde cada um vai poder encontrar um pouco de si.
"Tentarei que tudo seja muito simples, voro- bushek: como se esta fosse uma história para crianças.Em primeiro lugar, não vai durar muito. Pro- meto.Em segundo, não ficarás triste. E, se ficares, aqui estarei para te dar amparo.Em terceiro, há coisas de que não me lembro. Essas são, provavelmente, as mais importantes.É possivel que, no decurso destas noites que passaremos juntas, comigo aos pés da tua pequena cama e tu tão sossegadinha. Mal se ouve o teu respirar durante o sono elas venham à superficie Gostava de te contar como chegaste a ser e como eu cheguei ao Novo Mundo, esta terra estranha povoada de criaturas tão peculiares. Gostava de te falar sobre o homem mais solitário que algum dia existiu. E sobre o dia em que conheci o teu pai e sobre uma lavandaria onde me esqueci da juventude." Natacha vai para Nova Iorque sozinha sendo refugiada deixando os pais e o irmão num pais da ex- União Soviética . Ali conhece George B, que a contrata para um trabalho no minimo estranho , ler a lista telefónica da cidade . George é um homem antipático,cruel e muito solitário. Fechado no seu apartamento com um cheiro nauseabundo, à medida que os dias vão passando e Natacha vai lendo os nomes da lista , ela apercebe-se que algo de muito traumático aconteceu no passado de George e decide ir à procura de respostas. Criando personagens marcantes e tão diferentes. Tordo contruiu aqui uma narrativa onde a memória e o esquecimento andam de mão dada e leva-nos a pensar em como as nossas memórias os passos que demos no passado, nos podem condicionar a vida toda. Um livro muito bom onde o João Tordo regressa ao registo que eu mais gosto nos livros dele. Leiam vale muito a pena...
com este livro aprendi que mulheres são criaturas que a) reparam sempre nas mamas das outras mulheres com que se cruzam e b) são vítimas de violência sexual
outras pérolas: homem gordo que é nojento! grotesco! mal cheiroso! passa a vida na casa de banho! nunca antes visto.
toda a gente negra novaiorquina nos anos 90 está viciada em substâncias. ok
copaganda woohoo
aguentei tanto tempo porque estava numa de "deixa lá ver como é que isto acaba" mas desisto. a vida é demasiado curta para perder tempo com coisas que detestamos etc provavelmente não lhe vou dar uma segunda oportunidade
Um livro melancólico, sobre a solidão, sobre estar só mesmo estando rodeado de gente, numa cidade hipercinética como Nova Iorque. De resto, é tudo aquilo a que João Tordo já habituou os leitores: uma escrita sensorial e repleta de passagens maravilhosas que convidam à reflexão; poucas, mas muito boas, personagens, bem exploradas.
Primeiro livro que li de João Tordo, e Meu Deus!! Acho que não poderia ter começado com melhor livro, para me apaixonar pela escrita do autor. Gostei mesmo muito deste livro!!! Que maravilhosa surpresa .
João Tordo nunca desilude, mas este é, sem dúvida, o meu livro preferido do autor. Um livro intemporal, uma espetacular reflexão daquilo que a vida é ou pode vir a ser.
Realmente, como adivinhar quão impactante pode ser, ou não, um contacto com alguém, seja ele curto ou prolongado, momentaneamente importante ou insignificante...?
Um dos livros mais bonitos que já li. Tem uma história envolvente, uma componente psicológica muito bem conseguida e a beleza de uma escrita simples e bela.
Está história está baseada num artigo do New York Times de 17/10/2015 “The lonely death”. O artigo relata a morte, em casa, de um homem com a síndrome do acumulador. Os vizinhos só deram pela falta dele quando começou a cheirar mal no prédio. A protagonista é uma rapariga da ex-União Sociética (Natacha) que gagueja depois de ter explodido, ao seu lado, uma bomba que apenas matou um pássaro. A partir desse acontecimento o pai da Natacha tramita a sua viagem aos EUA (Manhattan) onde é acolhida com o estatuto de refugiada. Dos poucos objetos que trouxe, destaco uns sapatos originais Adidas Sputnik que foram um sucesso de moda depois da sua fotografia ter sido publicada num jornal americano. A Natacha estuda e também trabalha para o Sr. George B, dedica horas a ler-lhe, em voz alta, uma lista telefónica à procura de um nome que não sabe qual é (nem ela, nem o empregador). Conforme avança a leitura do livro, há uma série de acontecimentos, todos narrados em primera pessoa, por vezes contando vivências que a protagonista teve no passado, outras vezes os seus romances, enfim, muitos desvios à história principal, até que Natacha decide investigar porquê George B a contratou para aquela tarefa tão tediosa. Descobre, no George B, um homem com deficiência que nunca se sentiu amado por ninguém, apenas por uma mulher funcionária de uma entidade equiparada ao Instituto do emprego, onde se recusam a dar-lhe qualquer trabalho, e acaba por ter uma pensão de invalidez. O trabalho acaba quando George B confirma o nome que procurava, Natacha segue o seu caminho, casa com um polícia, mas sempre preocupada com o seu empregador, porque o excesso de coisas inúteis era sufocante. Curiosamente o Sr. George tinha um testamento e era consciente da tralha que iria deixar em herança.
A leitura é amena, cada personagem está sujeito a situações imprevistas, o que me desorientou um pouco, por vezes me senti perdida na sequência das pequenas histórias paralelas, mas apesar do excesso de detalhes e acontecimentos depois encaixa tudo no ambiente do acumulador. Na parte final, George parece recuperar a ilusão de viver, mas apenas parece porque ele não tem resistência para suportar as suas dores resultado dos abandonos e frustrações ao longo da sua vida.