Este volume traz mais quatro aventuras curtas de Spirou e Fantasio, de autoria de Jijé, que desenhou Spirou de 1943 a 1946, e de Franquin, que o sucedeu e foi responsável por Spirou de 1946 a 1968.
Jijé (simplesmente “JG”, suas iniciais), grande nome dos quadrinhos belgas, orientou e influenciou muitos outros futuros grandes nomes, como Franquin, Morris e Moebius! É tido como o criador do “estilo atômico” de desenho de humor, mas é dos poucos que desenhava simultaneamente quadrinhos realistas. Teve importante papel pela sua contribuição no início de “Spirou”, e por ter sido quem introduziu Fantasio! Criou também “Blondin et Cirage”, “Jean Valhardi” e a série de faroeste realista “Jerry Spring”.
As revistas “Tintin” e “Spirou” disputavam a preferência dos leitores e publicavam diversos heróis em formato seriado, sendo que os artistas de uma não publicavam na outra. Franquin foi uma das exceções. Publicou também na “Tintin”, para a qual criou “Modeste et Pompon”, voltando depois a ser exclusivo da “Spirou”.
O fato é que chegamos ao terceiro volume desta ótima série! Tiramos o chapéu (preto!) para a Editora SESI-SP! E vamos nos divertindo com o humor e as descobertas!
Um dos grandes pontos a favor da publicação dos álbuns na ordem original da série é o desafio que proporciona a entusiastas: há muito a pesquisar e aprender sobre os autores, a evolução dos personagens e o quadrinho europeu em geral.
Justamente, a informação não é um ponto forte na série, até aqui. Por exemplo, quais das histórias deste álbum são de Jijé, e quais de Franquin? E de que ano é cada história? Este álbum é de 1952, portanto, pode-se depreender que, no início da criação da série dos álbuns, algumas histórias de anos anteriores foram juntadas e publicadas como álbum.
São histórias antigas, de mais de 60 anos – se uma das de Jijé fosse de seu último ano, 1946, já teria 70 anos! Portanto, tanto o traço quanto o tipo de humor são mais antigos, mais difíceis de apreciar. Para colecionadores ou apreciadores de quadrinhos históricos, uma beleza. Talvez não para formar leitores. Para isto, uma alternativa teria sido optar por primeiro lançar álbuns mais novos (Spirou continua sendo publicado até hoje), cativar leitores jovens e somente depois lançar títulos praticamente históricos.
O site da editora não nos fornece quase nada. Uma empreitada altamente elogiável como esta, de lançar para o público brasileiro um sucesso europeu de quase 80 anos, poderia ser acompanhada de uma bateria de informação à altura do próprio projeto (como na série MSP Graphic, por exemplo). Neste terceiro volume, dá-se um passo nesta direção: há um bom texto de apresentação, “A hora e a vez de Spirou”, do jornalista e editor Sidney Gusman.
Mas vamos deixar claro: é uma extraordinária, excelente iniciativa, pela qual a editora tem de ser muito merecidamente parabenizada! Esperemos que o projeto siga adiante e alcance o que pretende. Mesmo porque a qualidade gráfica dos produtos é muito boa, com bom papel e impressão, que inclui técnica de verniz localizado nas capas.
As histórias
Como a autoria não está informada, fazemos um exercício de identificação, tentando acertar o autor de cada história ao final do comentário.
1. Os chapéus pretos (Les chapeaux noirs)
Spirou e Fantasio (que são repórteres) vão à América, ou melhor, a um pastiche da América do faroeste. Fica impossível não fazer uma associação imediata a Tintim na América, que é de 1931-1932, portanto, precedente – e que também tinha faroeste! Em ambos os casos, os heróis se vestem de caubóis! Levando em conta o ambiente de disputa entre editoras, é quase impossível não pensar que as revistas rivais praticamente faziam personagens repetir o que um concorrente já tinha feito com sucesso. Indagações similares já foram feitas a propósito de histórias do Volume 1. (Franquin?)
2. Como uma mosca no teto (Comme une mouche au plafond)
História com características do início dos quadrinhos, que comportavam situações absurdas como alguém com poderes mágicos reais, capaz de fazer pessoas levitarem (alguém pensando em Mandrake?). Neste caso, é o vilão, também bastante caricatural. Mas dois policiais de preto, sendo um bigodudo e um chamado Duponeau?? Mais uma citação (ou cópia aberta!) de Tintin!! (Jijé?)
3. Spirou e os homens-rã (Spirou et les hommes-grenouilles)
Atualmente chamados de “mergulhadores”, “homens-rã” era o termo mais comum no início do mergulho com tanque de ar. Passada em um local real, Cassis-sur-mer, na costa francesa do Mediterrâneo, local onde a atração turística são as angras ou enseadas com lados elevados e escarpados como falésias, chamadas de calanques. A trama é também aventureira e envolve bandidos. (Jijé?)
4. Mistério na fronteira (Mystère à la frontière)
Um interessante roteiro quase policial, com um traço bem mais evoluído, com vários quadros com excelente perspectiva e enquadramento cinematográfico. Boas cenas de estrada e paisagens, interessante notar os modelos de automóveis da época – características também que lembram bem alguns álbuns e cenas de Tintin. Entra na história um aeromodelo radio-controlado, que devia ser uma novidade sensacional então. (Franquin?)
Referências
1. Informações sobre todos os álbuns Site da Editora Dupuis, em francês Em www.dupuis.com Passe o mouse em “Catalogue”, clique em “Séries”, clique na letra “S”, clique em “Spirou et Fantasio”, a segunda das várias de Spirou.
2. Tudo sobre o personagem, outras séries e produtos relacionados No site oficial de Spirou, em francês Em www.spirou.com
> Autores: Jijé (Joseph Gillain, 1914-1980) e André Franquin (1924 -) > Lançamento original na Bélgica: 15/09/1952, pela Editora Dupuis, a mesma até hoje > Lançamento no Brasil: junho de 2016, pela SESI-SP Editora, por seu selo “SESI-SP Quadrinhos” > Tradução: Fernando Paz
A série de Spirou
Nº de ordem, ano de publicação original em álbum, título em português, título do original em francês
English EuroBooks (India) Edition = 2007 = 199 Rupees
1. "The Black Hats" 2. "...Like a Fly on the Ceiling..." 3. "Spirou and the Frogmen" 4. "Mystery at the Border"
The middle two cannot be Franquin's hand unless it possessed bipolarity. I would best describe the art as "zany" -definitely more "flavourful"- but maybe he was trying a looser style or something. Then the finale palindromed back to his starting line.
All four stories are absolutely entertaining with action and hysterics abounding!
four pretty fun adventure stories. same slightly flimsy plots, clunky storytelling and frankly weird artwork, but the scope has got a lot bigger, the format a bit less rigid, and some of the frames are sophisticated enough they almost seem to have been ported back from later books (the style of Jijé's underwater scenes in Spirou et les hommes-grenouilles in particular is very reminiscent of Franquin's Spirou et les hommes-bulles from almost a decade later). the flipped text in Comme une mouche au plafond was another clever touch.
'De zwarte hoeden' sluit de jonge jaren van Robbedoes af. Het album bestaat uit vier korte verhalen, waarvan twee van André Franquin en twee van Jijé. Vooral die van Jijé zijn erg niksig en het is duidelijk dat de strip onder zijn naam nooit een klassieker zou zijn geworden. Maar ook Franquin is hier niet erg op dreef. Alleen het laatste avontuur, 'Mysterie aan de grens' is iets waard.
Kahden lyhyen tarinan yhdistelmä. Molemmat olivat hauskan, hieman päättömän mellastamisen kuorruttamia seikkailuja. Ensimmäinen länkkäritarina oli oma suosikki ja antaa humoristisen kuvan Wild West-myyteistä.
This thrid book from Spirou et Fantasio is also interesting because thier personalities are just beginning. Fantasio is still seen as an unreliable, adventurous man by Spirou and his squirrel Spip.
This book comes with several small stories, each one fun though the endings are a bit abrupt. It is fun to read because they transport one to all these lovely places and one feels like an adventure is happening to oneself.
Piko ja Fantasio sitten tempaisivat pikkuiset pilvet Hikoiinilla. Ennen oltiin suorempia asioiden kanssa. Mutta eivät nämä kaksi lyhäriä kauhean hyviä olleet. Vauhdikasta simppeliä iloa.