Esta é a primeira vez que os poemas de Caio Fernando Abreu são publicados em livro. Muito embora sua consagrada prosa fosse sempre poética, os versos presentes nesta obra exprimem o lirismo da escrita de Caio de maneira incomparável. Essencialmente viscerais, seus poemas exalam sentimentos e servem como um belo apanhado do peculiar universo do autor. Aqui estão cento e dezesseis poemas, perpassando toda a sua carreira literária, desde a década de 1960 à 1990.
Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo.
No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo.
Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais.
Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha.
Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad.
Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.
"There's no eyewash to work out the one who saw too much."
Another Caio Fernando Abreu's book, another review. Will I ever grow tired of his work? I doubt it. In this poetry book - yes, he wrote them too -, we are presented with plenty of poems never published by Caio. Ironically, he preserved poems of all the stages of his writing, maybe thinking about publishing it or just creating a legacy for his work.
"We go to the street Without anyone noticing the epitaph on the forehead".
As in his short stories, Caio writes about love, deceptions, solitude, self-affirmation, loneliness and so many different things. However, this writing is more raw, since Caio does not spend time working on the metrics of his sentences. He puts away all his obsession with the perfection of his writing, and what is left is himself crude and naked. How about the result? Magnificent.
"I only wanted a friend Where I could throw my heart Just like an anchor"
It was an immense pleasure to learn more about Caio, and I am getting more and more fascinated as I read each of his books. I will surely revisit this poetry book many times, just as I will recommend you to all my friends.
"I have nothing to give you besides my disturbed individuality isn't it ridiculous?"
Comprei este livro por ter visto um trecho dum poema numa página de Facebook. Ademais, já ouvira falar sobre o autor, mas nunca lera algo dele. Ainda bem que tomei a decisão de começar a lê-lo. Aqui, os poemas se assemelham muito aos poemas modernistas — principalmente com os da primeira fase —, realizando poemas não rimados, com uma linguagem corriqueira e original, a qual muito me lembrou, em muitas passagens, a linguagem usada por Ferreira Gullar em “Poema Sujo”. Para além do estilo e da estética, Caio, aqui, mostra-se um escritor sútil, inteligente e com talento de sobra. O autor aborda temas como solidão, amor, tristeza pelo amor, ilusões criadas pelo amor, questionamentos da vida, atitudes cotidianas, dor da existência e muitos outros assuntos, abordando-os com metáforas inteligentes e completamente reflexivas. Ótimo poeta! Acredito que tenha sido uma boa porta de entrada para ler mais obras desse autor!
Com certeza as melhores poesias que já li, muito verdadeiras e com MUITO sentimento impregnado. Este é o tipo de livro que está todo marcado, grifado e escrito, pois me identifiquei muito, chorei muito, realmente Caio tocou na minha alma. Doídas, tristes, para amores, sobre decepções, uma vida inteira resumida em poesias, feitas de forma magistral. São poucos os livros que tocam tanto em mim, como este toucou. SIMPLESMENTE PERFEITO! Me marcou demais.
"Pobre rebanho que anda em silêncio para o matadouro e nunca teve pastor, nem ovelha negra. Pobre de nós, pobre de mim espatifado aqui sobre ilusões goradas e abortos de sonhos, cinicamente capaz de sobreviver a todos suicídios." 25 de março de 1980
Fragmentos, poesias inteiras e frases. Não cabe espaço para interpretação durante a leitura de uma poesia, mas há espaço para o sentir,para o desbravar da associação livre e para o sublimar das palavras.