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14 Contos de Kenzaburo Oe

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Escritos entre 1957 e 1990, estes contos refletem não apenas a evolução da escrita do autor, mas também os seus temas recorrentes. Kenzaburo Oe foi construindo aos poucos um universo tipicamente japonês, habitado por personagens que jamais poderiam ser ocidentais. Os contos "O homem sexual" e "Em português brasileiro", tratam de um tipo de incomunicabilidade muito nipônica, em que algo importante deixa de ser dito, numa tentativa nem sempre bem-sucedida de preservar a harmonia social. O delicado equilíbrio dentro da família Oe, que inclui um filho com deficiência cerebral, está retratado em "Viver em paz" e "A dor de uma história", supostamente narrados pela filha do escritor. Já em "Seventeen", um dos contos mais polêmicos, Oe se baseia no assassinato do presidente do Partido Socialista japonês, nos anos 1960, por um adolescente ultranacionalista, para refletir sobre o nível de fanatismo que as ideias políticas podem incutir num indivíduo confuso ou ainda malformado. Na época, o conto foi duramente atacado por ambos os extremos do espectro político. A visão sem ilusões, porém compassiva, que Oe tem da existência humana amarra todos os textos. Repetidas vezes, ele afirmou que sua obra trata da inegociável dignidade dos seres humanos.

454 pages, Paperback

First published November 24, 2011

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About the author

Kenzaburō Ōe

237 books1,687 followers
Kenzaburō Ōe (大江 健三郎) was a major figure in contemporary Japanese literature. His works, strongly influenced by French and American literature and literary theory, engages with political, social and philosophical issues including nuclear weapons, social non-conformism and existentialism.

Ōe was awarded the Nobel Prize in Literature in 1994 for creating "an imagined world, where life and myth condense to form a disconcerting picture of the human predicament today."

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for Erwin Maack.
452 reviews17 followers
March 11, 2018
“Seu íntimo, porém, era um escuro túnel sem luz.” Os pássaros, do Autor.


“É como se, diante do conto de Oe, eu lançasse uma corda e descesse por um poço escuro.” José Castello

No meu caso estive sem apoio, sem nenhuma luz, totalmente paralisado, durante todo o tempo. Apenas observando como ele conseguiu seguir adiante. Apreciando sua fina sensibilidade e mais, sua coragem enfrentando tudo que lhe apareceu pela frente. Todas as obsessões sexuais ou não. Todas as dificuldades e além de apreciar suas atitudes, admirei a forma de ele nos contar. Tanto quanto H. Murakami, suas histórias estão salpicadas de gatos, florestas e seus seres outros, e seus diálogos vigorosos e francos. Sutilezas bem japonesas são os fios condutores. Coragem não se ensina, talvez se admire.
Profile Image for Gustavo Barbosa Ferreira.
65 reviews9 followers
June 8, 2016
The tales in this book have variable qualities. Some of them are very good, specially the ones dealing with the subject of lucidity and madness, and the thin barrier between them. Others are really weak, like the last ones. Still, it's a nice reading experience, and a good overview of the works by Kenzaburo Oe, and the evolution of his writing style.
Profile Image for Henrique.
1,037 reviews29 followers
January 9, 2024
Kenzaburo me lembrou, nesses contos, outros dois escritores cujos nomes começam com K: Kafka e Kundera. O primeiro é responsável pela atmosfera absurda e pelo ambiente de opressão enfrentado por personagens. O melhor exemplo disso é o conto “A convivência”, também o que de mais gostei. O conto me lembrou muito “Blumfeld, um solteirão”, do Kafka.

Afinal, também ali há um personagem que enfrenta em sua própria casa um evento extraordinário e sem sentido (neste caso, a aparição de quatro macacos que o observavam continuamente) e também ali a trama prossegue para o ambiente de trabalho (onde se encontra, presumivelmente, as motivações para o estranho fenômeno). Achei esse o melhor conto.

Outro conto bastante kafkiano, apesar do formato de peça de teatro, é o que abre a coletânea, chamado “O armazém zoológico”, sobre uma cobra que fugiu do circo e supostamente teria engolido um estudante. Há até mesmo uma boa dose de humor na trama, mas também interessantes jogos psicológicos, em meio às irrealidades enfrentadas pelos personagens.

Pode-se falar ainda em “Os pássaros”, onde o personagem não “cria” para si macacos, mas aves. “Aghwii, o monstro celeste”, é também uma história que trata de aparições imaginárias, evidenciando ser esse um dos temas mais caros ao escritor.

Já sobre Kundera, a associação que pude fazer foi a partir dos contos de Kenzeburo que configuram “risíveis amores”, como aqueles de que o escritor tcheco se ocupa. São histórias de romances modernos, de relações complexas e, em certa medida, patéticas – perfeitamente risíveis, ainda que não sejam engraçadas. Também está ali a nota da sexualidade presente em Kundera, mas de um jeito que me pareceu até mais cru.

São desse time os contos “Salte sem olhar”, “Em outro lugar”, “Exultação” e “O homem sexual” (que é, sob o ponto de vista moral, o mais chocante deles, ao tratar de molestadores de mulheres em transporte coletivo).

O que também se destacou para mim foi a constância com que os contos se centram em pessoas jovens. É como se esse período de formação da individualidade fosse de especial importância para o escritor (vide o caso de “Seventeen”). E, de certa forma, isso justifica também a imensa quantidade de masturbações ao longo do livro.

Achei que os últimos contos, que são também mais recentes, são menos impactantes que os anteriores, provocando um estranhamento mais difuso, que não leva ao envolvimento do leitor. Há ali, sobretudo, o tema da deficiência mental, consequência do drama enfrentado pelo autor na sua família.
Profile Image for Hugo.
20 reviews
June 30, 2023
Contos brutais e sensíveis. Alguns são quase novelas de tão longos, outros parecem ensaios ficcionais quando vistos em retrospecto. Vim lendo ao longo de muito tempo e valeu a pena.
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