A presente ediç,ã,o resulta de uma selecç,ã,o &ndash, da exclusiva responsabilidade do editor &ndash, do «,Livro de Crónicas», de António Lobo Antunes, publicado em 1998 e actualmente em 5ª ediç,ã,o. Com ela pretende o editor dar a ler a um público ainda mais vasto algumas das m
At the age of seven, António Lobo Antunes decided to be a writer but when he was 16, his father sent him to medical school - he is a psychiatrist. During this time he never stopped writing. By the end of his education he had to join the Army, to take part in the war in Angola, from 1970 to 1973. It was there, in a military hospital, that he gained interest for the subjects of death and the other. The Angolan war for independence later became subject to many of his novels. He worked many months in Germany and Belgium.
In 1979, Lobo Antunes published his first novel - Memória de Elefante (Elephant's Memory), where he told the story of his separation. Due to the success of his first novel, Lobo Antunes decided to devote his evenings to writing. He has been practicing psychiatry all the time, though, mainly at the outpatient's unit at the Hospital Miguel Bombarda of Lisbon.
His style is considered to be very dense, heavily influenced by William Faulkner, James Joyce and Louis-Ferdinand Céline. He has an extensive work, translated into several languages. Among the many awards he has received so far, in 2007 he received the Camões Award, the most prestigious Portuguese literary award.
Foi o primeiro contacto que tive com as crónicas do António Lobo Antunes e são belíssimas. Achei que tinha feito um excelente negócio em adquirir este livro em promoção por 2,90€ mas, para não voltar a ser espertinho, vou ter de desembolsar uma quantia bem superior para ir comprando toda a obra de crónicas do autor, pois é impossível ler isto e ficar por aqui.
Não sei se a seleção é a melhor, creio que são todas do 1º livro, e fala recorrentemente da infância, mas cada página tem expressões memoráveis – “não abuso do sexo, não abuso de nada, mãe: oiço crescer o pêlo da alcatifa, mudo de vinte em vinte segundos de canal e leio o meu horóscopo na penúltima página dos magazines femininos”. Todos os textos são facilmente “visualizáveis” pelo brilhantismo da escrita do autor e fizeram bastante sentido, pelo menos dentro da minha cabeça
odeio os semáforos. em primeiro lugar porque estão sempre vermelhos quando tenho pressa e verdes quando não tenho nenhuma, sem falar do amarelo que provoca em mim uma indecisão horrível: travo ou acelero? (...) a segunda principal razão que me leva a odiar os semáforos é porque de cada vez que paro me surgem no vidro da janela criaturas inverosímeis: vendedores de jornais, vendedores de pensos rápidos, as senhoras virutosas com uma caixa de metal ao peito que nos colam autoritariamente sobre o coração o caranguejo do cancro, (...) resultado: no primeiro semáforo já não tenho trocos. no segundo não tenho casaco. no terceiro não tenho sapatos. no quinto estou nu. no sexto dei o volkswagen. no sétimo aguardo que a luz passe a encarnado para assaltar por meu turno (...) o primeiro automóvel que aparece. em média, mudo cinco vezes de vestimenta e de carro até chegar ao meu destino, e quando chego, ao volante de um camião TIR, a dançar numas calças enormes, os meus amigos queixam-se de eu não ser pontual.
os livros de crónicas de lobo antunes são os meus preferidos do autor, na minha opinião muito superiores aos romances, pela sua precisão, nitidez, ironia e maneira deliciosa retratam portugal e o espírito português.
"Este pequeno livro de crónicas foi a minha primeira experiência com o nosso António Lobo Antunes. E certamente não ficarei por aqui! Já tinha ouvido falar maravilhas das crónicas deste escritor, e finalmente pude comprovar. São deliciosas! Dão-nos a oportunidade de conhecer o seu mundo através das crónicas mais engraçadas. E a maneira como estão escritas envolvem-nos num ritmo de leitura peculiar, devido à pontuação que o autor utiliza. Se bem que poderia ser um aspecto negativo, revela-se totalmente o oposto, pois dá-nos a sensação de ser apenas uma conversa que estamos a ter. "
Apesar de repetitivas na sua fórmula, as crónicas de ALA são muito boas, colocando o leitor na pele do cronista, por sensações, impressões, memórias. Sente-se que ALA é por vezes uma criança, por outras um adolescente, preso no corpo de um velho, a viver tudo e todos com diferentes visões, idades e mentalidades.
From one of the most well known writers of today Portugal. His unique style of writting makes his texts sometimes difficult to understand but is an amazing simple teller of human feelings, memories, observations. Worth at least to read one of his chronicles.
Lobo Antunes é para mim um problema. A prosa dele é encantatória, com suas repetições mágicas, mas tenho muita dificuldade em ler mais do que três, quatro páginas de um romance seu, baralhado com as várias vozes que se vão sobrepondo, e que exigem um leitor mais competente e teimoso do que eu sou. É nas crónicas que consigo vingar-me. E li algures que o autor não as considerava literatura sequer, mas para mim algumas são belos contos.
É um dos nossos autores contemporãneos que rejeita rótulos, mas é fácil atribuir-lhe o de brilhante. Narra-nos o quotidiano de uns quantos actores de dramas domésticos, diálogos interiores, enredos de vidas. Todos magistralmente contados, com uma delicadeza e um uso da linguagem notáveis. Vejo-o como um exímio tecedor de histórias, com uma visão que não foge da escuridão da mente humana, mas que lhe dá significado.
Cronicas intimas do quotidiano pessoal e imaginario. Retratos crus dos amores e afetos que marcam o crescimento em Lisboa, desde a infancia a idade adulta.
António Lobo Antunes fiel a si mesmo, às suas temáticas predilectas e à sua escrita característica, demolidora, nostálgica e, muitas vezes até, depressiva. Um mergulho de cabeça nas vivências, nas memórias e no dia-a-dia do autor. Um livro para se ler aos poucos, uma crónica ou duas por dia, de forma a não se tornar entediante a repetição notória dos temas escolhidos (o objetivo primeiro da publicação destas crónicas não era, de certo, a sua publicação em livro).