In questi brevi e densi testi, scritti tra la primavera del 2005 e il dicembre del 2006, quando muore Pinochet, a tratti pare di procedere lungo una galleria degli orrori. L’ombra cupa del Generale e della sua famiglia rapace aleggia ancora sul Cile e sui ricordi di chi ha conosciuto in prima persona la crudeltà del tiranno, e ora assiste alla sua scomparsa. Fantasmi di intolleranza serpeggiano per le strade della pur civile Francia e sollevano la protesta degli emigrati, a testimonianza del fatto che nessun luogo geografico ha l’esclusiva sulle prevaricazioni. Fanno rabbia l’ingiustizia e la prepotenza a chi si è sempre battuto per una società a misura d’uomo. Tuttavia, in questa lucida disamina del mondo attuale, all’autore non viene mai meno la voglia di recuperare l’ottimismo. La speranza di una svolta c’è sempre. La incarnano un presidente donna alla guida del Cile, Michelle Bachelet; gli studenti in lotta, che rivendicano un sistema d’istruzione basato sulla qualità dell’insegnamento; i cileni che, dai più sperduti angoli del paese, hanno esercitato il diritto al voto, dando prova di maturità nelle scelte.
(Ovalle, Chile, 1949 – Oviedo, España, 2020) Luis Sepúlveda was a Chilean writer, film director, journalist and political activist. Exiled during the Pinochet regime, most of his work was written in Germany and Spain, where he lived until his death.
Author of more than thirty books, translated into more than fifty languages, highlighting An Old Man Who Read Love Stories (Tusquets Ed., 2019) and The Story of a Seagull and the Cat Who Taught Him to Fly (Tusquets Ed., 1996). Among his numerous awards are the Gabriela Mistral Poetry Award (Chile), the Primavera Novel Award (Spain) and the Chiara Award for Literary Career (Italy). Knight of the Order of Arts and Letters of France, and doctor honoris causa by the universities of Toulon (France) and Urbino (Italy).
In a direct, quick-to-read language, full of anecdotes, his books denounce the ecological disaster affecting the world and criticize selfish human behavior, but they also show and exalt the most wonderful manifestations of nature.
Pequeno livro de grandes crónicas, em que Luís Sepúlveda, expõe de forma cáustica os anos de ditarura no Chile. Pinochet é o seu ódio de estimação e Michelle Bachetet a sua esperança para o país. Sepúlveda é um eterno revoltado pela forma como viu o seu país ser, descaradamente, delapidado por um governo corrupto e os seus conterrâneos tiranizados, privados dos seus direitos, cívis e humanos. Acusa Pinochet de ter feito do Chile um capacho dos Estados Unidos, aponta o dedo à Inglaterra, à França, a todos os que de alguma forma apoiaram a ditadura ou contribuiram, nos seus países, para qualquer forma de segregação, ou violência sobre a população, em especial os emigrantes. Não tem "papas na lingua" e isso valeu-lhe o exilio, mas ninguém poderá acusá-lo de não se ter batido, desde jovem, por um Chile mais justo, pela liberdade, pelos direitos dos Chilenos, por um país onde se promova a educação e a cultura. E faz todas estas denuncias com um sentido de humor extraordinário!
"Sejamos solidários com os ladrões tradicionais do Chile, exijamos que todo o património do cartel dos Pinochet seja expropriado e devolvido aos seus legítimos donos: os Chilenos. Assim, os nossos ladrões voltarão a sentir-se necessários, queridos, e porão de novo as suas máscaras, as suas luvas de camurça, os seus sapatos silenciosos, e voltarão a sair para roubar como deve acontecer num país civilizado."
Sempre gostei da escrita sem artifícios do senhor Sepúlveda. Não há cá atalhos. Diz o que precisa de dizer sem grandes floreados.
Este pequeno livrinho é constituído por 19 textos.
A maioria deles é sobre a ditadura chilena e os seus principais atores. Já tinha lido alguma coisa na obra de Isabel Allende, mas aqui o relato é mais cru.
É mais um importante testemunho de uma ditadura protegida por algumas (demasiadas) nações. Até europeias!
Fiquei foi um pouco triste por descobrir algo menos positivo de um autor, do qual ainda nada li, mas que desejo bastante ler a sua obra - Mario Vargas Llosa.
Um livrinho pequeno, uma leitura um pouco seca, mas muito necessária. Por diversos motivos, não só históricos, ou culturais. Essencial ler e aprender.
Primeiro livro do Sepúlveda que li. Não sabia nada sobre ele, mas com este livro, não há como não perceber qual a sua inclinação política e social. É preciso não esquecer quem foi e o que fez Pinochet e seus amestrados, e estas crónicas merecem ser lidas pelo que recordam, e pela beleza com que Sepúlveda escreve. O livro tem mais de 10 anos, mas ainda tantos problemas existem vindos desses anos de terror. Fica o bicho de ler mais livros dele.
This is a book with the author's view on the politics of Chile, and his opinions about the political instability of Chile in the last, lets say, 40 year or so. These short texts portray the story of a country trying to recover from the tyranny of Pinochet dictatorial regimen, after the murder of Salvador Allende. Only those who know nothing about Chile's history, or that don't really pay attention to the world around them, will find the book boring or not interesting. I think that the author used his voice, and his reputation as one of the most read Chilean writers, to ask the reader to pay attention to the consequences of the rough path of Chile after 1973 and the crude reality that many Chilean people still face in the XXI century. A short but meaningful read.
Este livro é a compilação de um conjunto de textos de Sepúlveda, pequenos artigos de opinião sobre a sua pátria e os seus governantes ao longo da história recente.
As suas ideias acesas, impulsionadas pelas realidades políticas e sociais do seu país de origem, falam sobre alguns dos episódios mais controversos dos últimos anos no Chile, assim como nas relações dos países da América do Sul com a potência Americana, ou a subjugação política da Europa às vontades americanas, sobre a primeira Presidente mulher do Chile, entre muitos outros rasgos opinativos.
A posição de Sepúlveda em todos estes temas é clara e as suas argumentações mostram aquilo por que tantos escritores são considerados subversivos pelos poderes instituídos e afastados das suas pátrias.
Defensor frontal e assumido da sua identidade cultural, da liberdade de expressão, da manutenção de direitos e da aplicação da justiça, Sepúlveda dá voz às vítimas de Pinochet e mostra publicamente a sua posição oficial sobre o passado e o presente político do Chile.
Este livro fez-me recordar porque tantas pessoas do mundo das letras são considerados persona non grata nas suas pátrias, porque os livros e as opiniões pessoais são banidas, porque os seus autores são socialmente desacreditados, porque se queimam páginas, porque se perseguem pessoas que acreditam ter direito a formar uma opinião e a comunicá-la abertamente, sem prejuízo para a sua liberdade ou sobrevivência.
Sendo uma espécie de desabafo formal, este livro é uma opinião e um exercício da liberdade pessoal de um escritor. Afinal quem melhor do que eles para produzirem informação livre das influências de Estado, Políticos, Lóbis, Partidos, Imprensa ou Poderes Instituídos.
Cito: “Ao falar de uma mulher, e de todas elas, estamos a falar de mais de 51 por cento da humanidade, de uma maioria segregada, com os seus direitos mais do que notoriamente reduzidos ou submetidos à opinião dominante de quem usa calças.”
Um livro que pode ser considerado um parêntesis nos textos produzidos por Sepúlveda, importante pelas opiniões que contém e pela posição pública que assume.
Um livro pequeno mas muito interessante. O segundo livro que leio do autor, e realmente acho que vale a pena.
São livros destes que nos aguçam a curiosidade e que nos fazem pensar e querer pesquisar mais sobre os temas referidos. Neste caso, encontramos o tema: Chile e os seus problemas políticos. Sou pouco conhecedora das adversidades chilenas, porque também nunca me dei ao trabalho de pesquisar nada sobre o assunto, e com este livro, conheci uma boa parte do passado do país, o governo de Pinochet. Este tema deixou-me perplexa. Afinal, ainda há coisas que me chocam.
Em relação à escrita, tive momentos mais difíceis no que diz respeito à interpretação de texto. O vocabulário do escritor é muito diversificado e o tema, "política", faz com que seja imprescindível o uso de certas expressões pouco familiares. Não considero isto um ponto negativo, apesar de desviar algumas vezes a minha atenção, mas considero enriqueceu a leitura. Ao mesmo tempo, têm uma linguagem "Nua e Crua", ataca a política, no seu passado e no seu presente. Achei interessante as três referências negativas que faz ao seu colega de profissão Mário Vargas Llosa. Destaco as seguintes crónicas: "Há uns macacos mais caros que outros" e "Chile, ou a guerra que não existiu" .
Com este livro concretizei o meu objectivo de livros lidos em 2012. Foram 30, mais 10 que o ano passado ;)
Este livro explora uma vertente menos conhecida de Luis Sepúlveda, o de activista político, que usa a sua caneta para exigir um Chile mais justo. A linguagem não é tão simples e acessível como nos outros livros que li, mas a mensagem é muito mais directa. Dividido em pequenos textos, cada qual focando-se num tema específico, o autor tenta mostrar ao mundo o que se está a passar no Chile, ao mesmo tempo que, como exilado, gostaria de estar lá presente. As palavras vibram intensidade, clamam justiça, apelam à mudança, transbordam de polémica para não deixar ninguém indiferente nem impune, escritas com a mestria que só Luis Sepúlveda consegue. O único ponto menos bom é o tamanho dos ensaios, que são demasiado curtos e que provavelmente o foram para poderem ser acessíveis a todos os leitores.
Recomendo a todos os que se interessarem por activismo político ou história recente do Chile ou que simplesmente adorem este escritor!
In questo libro trovate una raccolta di articoli che Sepulveda, fiero oppositore del regime di Pinochet e per tanti anni esule in Europa, ha scritto per Repubblica e il Manifesto, tra il 2005 e il 2006, dopo la morte del dittatore. Uno spaccato che aiuta a capire come la libertà di cui godiamo sia uno dei beni più preziosi che abbiamo!
um livro inquietante, um olhar nu e cru sobre a ditadura chilena. sem rodeios luis sepúlveda critica os problemas políticos e sociais do chile e todos os autores envolvidos. é um livro que clama à justiça.
Si tratta di una raccolta di articoli di blog e giornali che trattano temi d’attivismo politico e in cui salta fuori spesso il suo passato di militante nella gioventù comunista cilena al fianco di Allende e la successiva prigionia. La mia riflessione preferita, sul turismo che non porta altro che camerieri e rifiuti, nasce proprio da un episodio accaduto qui in Italia, a Formentera, dove Luis Sepulveda ha assistito ad un gruppo di moto ad acqua e marinai della domenica che, avvistati dei delfini, li hanno circondati (per ottenerne una foto, per poterli mostrare ai bambini) e li hanno spaventati al punto che un delfino è stato fatto a pezzi da un’elica (l’altro è riuscito a fuggire approfittando della solidarietà e della preoccupazione improvvisa delle altre imbarcazioni per l’elica scheggiata dello yacht).
Finalmente Luis Sepúlveda a provar porque é um dos escritores mais conceituados em todo o mundo! Uma obra que vale, sem dúvida alguma, muito a pena ler.
Estava no monte dos livros para ler em pequenos percursos, como uma viagem de avião :) É um retrato muito forte do Chile, escrito com frontalidade e actualidade. Gostei e recomendo.
Os macacos de Gibraltar constituem uma alínea do orçamento de defesa britânico, existindo até uma patente militar, «Grande Cabo de Esquadra a Cargo dos Macacos de Gibraltar», uma espécie de Capitão Geral Benemérito incumbido de que àqueles macacos de merda [este apodo surge na sequência da descrição da actividade predilecta destes macacos: roubar] não lhes falte de comer, nem assistência veterinária. O cuidado e manutenção desses macacos custa aos contribuintes britânicos aproximadamente trinta euros anuais, por macaco, e eles são sessenta, segundo o último recenseamento. Se um macaco de Gibraltar gasta trinta euros por ano em comida, vacinas e veterinários, por que razão gasta o Estado chileno 600 milhões de pesos por ano a alimentar, vacinar e assistir veterinariamente Pinochet? (“Há uns macacos mais caros que outros”)
Conosciamo tutti Sepúlveda per le sue meravigliose favole, come "storia di una gabbianella e del gatto che le insegnò a volare", ma non sappiamo forse che è stato anche un attivista in Cile. Non solo, subito dopo il colpo di stato militare di Pinochet è stato arrestato e torturato più volte, è stato condannato all'ergastolo per essere andato contro il dittatore soprattutto per aver fatto teatro ispirato dalle sue ideologie politiche. In quel periodo la giunta militare fu responsabile del dramma dei "desaparecidos" cileni, e in questa breve ma forte raccolta di testi racconta proprio il clima di quegli anni. Racconta dell'arresto di Pinochet, responsabile di omicidi e di frodi non quantificabili. Racconta delle truffe della moglie del tiranno. Racconta delle elezioni di Michelle Bachelet. Racconta di come i cileni e le cilene erano terrorizzati nell'esercitare il loro diritto di votare. Leggere è informarsi, per far sì che la storia non si ripeta.