«O chá japonês, servido invariamente sem leite e sem açúcar, que lhe prejudicariam o aroma, é a bebida mais suavemente agradável que possa oferecer-se ao nosso paladar (não de todos porém, mas um paladar sentimental, um tanto sonhador... que nisto dos nossos órgãos de sentir há temperamentos, aptidões afectivas características...). O guyokuró, por exemplo, que é o mais celebrado chá de Uji e de todo o Japão, instila tais subtilezas balsâmicas de sabor, que mais parece um perfume; poderia dizer-se que uma maravilhosa alquimia conseguiu liquefazer os aromas das flores — flores dos jardins, flores silvestres —, transferindo do olfacto ao paladar a impressão do gozo.» É deste modo que Wenceslau de Moraes (1854-1929) fala desta bebida japonesa em O Culto do Chá, a que se acrescentam neste volume dois outros textos seus, Uji - A Terra do Chá e Vestígios da Passagem dos Portugueses no Japão.
Wenceslau de Moraes nasceu em Lisboa a 30 de maio de 1854 e faleceu a 1 de Julho de 1929, em Tokushima.
Enquanto oficial da Marinha, exerceu funções inerentes ao seu posto em Macau, Moçambique e Timor. Chegou a Macau em 1888, aí permanecendo até 1898.
Da sua relação com Mo Wong Shi Moraes, também conhecida como Wong Ioc Chan e Atchan, nasceram dois filhos, José (n. 1893) e João Moraes (n. 1894). Estes acompanharam a mãe para Hong Kong quando Atchan decidiu abandonar Wenceslau.
Já no Japão, Wenceslau de Moraes assumiu em 1899 o posto de cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka. Logo depois foi nomeado para exercer essas funções em Kobe e Osaka. A seu pedido, foi exonerado deste posto e da Marinha em 1913.
"O Culto do Chá" is a captivating narrative about tea culture in Japan. The book had written by Wenceslau de Moraes, an officer of the Portuguese navy with a passion for Japanese culture. Born in Lisbon in 1854, Wenceslau passed away, in 1929, in Tokushima province, the land he chose to live in after the death of one of his loves. During his life, the Portuguese travelled through the various ports of the Far East. Finally, in 1889, he travelled to Japan for the first time and was immediately charmed. In the Lands of the Rising Sun, he served as Macau's governor and had received at the court of Emperor Meiji. His latent passion for journalism and literature made him one of the primary contacts of the Western World with Japan. Far away, Wenceslau de Moraes told stories in Portuguese, describing landscapes, evenings and flavours. In "O Culto do Chá", the author describes tastes and reveals the influence of drinking on rituals and Japanese daily life.
Quando si parla di tè spesso pensiamo sia solo una bevenda calda per l'inverno, o un infuso freddo dissetante per l'estate, eppure il culto del tè è molto più remoto e spirituale di ciò che si pensa. Un piccolo spaccato storico, una chicca per un neófita di questa antica tradizione.
Como nos diz o autor, o interesse pelo Oriente é, sem dúvida, uma raridade na cultura e história portuguesa, apesar da importante ligação que temos com a modernização dos costumes nipónicos. Wenceslau de Moraes explica-nos o Culto do Chá de forma exemplar, aludindo a lendas e a episódios que despertam o interesse do leitor naquilo que, a princípio, pode até parecer aborrecido. Somos também apresentados às influências (maioritariamente religiosas) que exercemos sobre o Japão durante parte do século XVI, até à nossa expulsão em princípios do século XVII, e que se fizeram notar durante mais tempo do que o esperado, tanto na religião como, surpreendentemente, em algum vocabulário.
Uma autêntica viagem pelos sabores e cheiros orientais. Os campos, as pessoas, o culto do chá é descrito de forma minuciosa e autêntica. Apesar de pequeno, é um livro muito interessante.
"Nestas águas do rio d´Uji - Tão milagrosas que são! - Lavam-se todos os males De que sofre o coração"
Talvez por ter sido em 1905, a linguagem ser de época, o estilo, não sei Mas este livro que aborda um pouco da história do chá no Japão não me agarrou Li porque a cerimónia do chá me fascina, mas não foi suficiente....
Sem rating, acho que não teria cabimento dar classificação a um livro que é mais um extenso artigo do que um livro. Apreciei as histórias finais e principalmente as pinturas.
“Há um encanto subtil no paladar do chá que o torna irresistível e suscetível de idealização... Este não tem a arrogância do vinho, a consciência de si próprio do café, nem a inocência afetada do cacau.” Foi desta forma que o intelectual japonês Kakuzo Okakuna definiu aquela bebida em 1906, em O Livro do Chá. Uma bebida que, em algumas sociedades, se afirmou como uma arte, um verdadeiro culto.
O seu prazer sensitivo e as suas capacidades terapêuticas têm conquistado novos consumidores nos últimos anos. Há mais lojas especializadas, pequenos recantos gourmet, maior oferta de produto e um conhecimento aprofundado dos seus benefícios, rituais, aromas. E se verão é sinónimo de bebidas frescas, chegado o frio, sabe bem pegar na chávena quente e deixar-se aconchegar pelo chá.
Para além da hidratação do corpo, o chá chama a si muitas outras razões para o seu consumo. É antioxidante, combatendo o envelhecimento e evitando a arteriosclerose, além das suas qualidades antivirais e antibacterianas. Alguns especialistas defendem mesmo que os seus compostos, sobretudo os do chá verde, são protetores contra algumas células tumorais e que o facto de conter flúor faz com que contribua para o endurecimento do esmalte dentário. Esta é, aliás, uma das razões que leva os japoneses a aconselharem os seus filhos a beber chá verde depois de comerem doces! Ou não tivesse o Japão uma cultura fortíssima aliada ao chá, com rituais milenares.
Sim, porque fazer um chá é muito mais do que simplesmente aquecer água e colocar uma saqueta. Há que saber escolher o bule, utilizar água fresca e escaldar o bule com água a ferver antes do processo que se segue. Só quando esta começar a ferver se deve deitar um pouco sobre as folhas ou a saqueta, até cobri-la, e deixar em infusão durante dois ou três minutos. Só depois deste momento, devemos deitar o resto da água a ferver, mexendo com uma colher, e servir cinco minutos depois.
Como escreve Wenceslau de Moraes, em O Culto do Chá, o ritual desta bebida atinge a sua plenitude quando chega aos seus consumidores e é oferecida, “multiplicando-se, então, em gestos sem conta, numa cerimónia onde o primor da cortesia e o convívio social fazem a apologia do seu culto (chanoyu)”.
Aprende-se sobre a história, e cerimónia, do chá , mas também ..." que o perigo jesuíta foi uma das mais ameaçadoras conjunturas que puseram em risco a independência japonesa, ... " "Hideyoshi e Iyeyasu , foram bárbaros; mas salvaram da escravidão a sua pátria." Aprendemos ainda que, do lado mercantil "Os Portugueses poderiam ter feito muito neste campo..... Não o fizeram ..... " "Reservaram os destinos à Inglaterra o lugar de primeiro aliado ocidental de um império do Oriente" Poderíamos ter, de uma forma mais humanista, tirado mais proveito da nossa ânsia de descoberta e expansão. Não o fizemos, lamentavelmente.
"Wenceslau José de Sousa de Moraes nasceu a 30 de Maio de 1854, em Lisboa, onde se tornou oficial da marinha de guerra.
A sua actividade literária inicia-se em Macau onde foi imediato da capitania do porto e professor no liceu-seminário, ao mesmo tempo que Camilo Pessanha, que mais tarde, já consumido pela tuberculose e o ópio, viria a ser reitor interino.
Wenceslau de Moraes deslocou-se depois para o Japão onde, em 1898 se tornou cônsul em Kobe, cargo que exerceria também em Osaka."
Este pequeno livro é uma viagem ao Japão desconhecido. Às profundezas das gentes, ao campo. A todas as tradições do cultivo desta bebida. À história dos portugueses que por lá passaram.
Com ilustrações de Yoshiaki, a Relógio D'Água cedeu os direitos à Biblioteca editores Independentes que organizou esta obra.
"O chá japonês, servido invariavelmente sem leite e sem açúcar, que lhe prejudicariam o aroma, é a bebida mais suavemente agradável que possa oferecer-se ao nosso paladar (não de todos, porém, mas um paladar sentimental, um tanto sonhador... que nisto dos nossos órgãos de sentir há temperamentos, aptidões afectivas características...)."