Nascido em Charleville em Outubro de 1854, Arthur Rimbaud foi um poeta precoce, tendo escrito o essencial da sua obra dos 16 aos 19 anos. Mais de um século depois, a obra desse adolescente que proclamou a necessidade de «se ser absolutamente moderno», continua a impressionar pelo carácter original das visões, a intensidade de expressão, a exploração dos limites da linguagem e um decidido anseio de absoluto. Do encontro de Rimbaud com Verlaine, na Paris de 1871 abalada pela Comuna, ficou uma tempestade de sentimentos, um tiro disparado pelo autor dos «Poemas Saturnianos» e de «Sageza» contra o escritor das «Iluminações» e uma poesia cujo vigor permanece intacto. A partir de 1873, Rimbaud iniciou uma vida de viagens que o levaram a Harar, cidade da Abissínia. Durante vários anos foi aí empregado de uma firma lyonesa e intrigou ao lado dos franceses no conflito de interesses que os opunham a ingleses e italianos. Entre as suas desajeitadas iniciativas para enriquecer conta-se uma expedição fracassada para vender armas a Menelik, rei de Shewa. Rimbaud morreu a 10 de Novembro de 1891 num hospital de Marselha, onde lhe fora amputada uma perna. A sua última fotografia foi tirada por ele próprio em 1883. Mostra-nos um homem de rosto curtido pelo sol num fundo de paisagem africana. Uma parte importante da sua poesia e as «Iluminações» ressurgem agora em português em versão de Maria Gabriela Llansol.
Hallucinatory work of French poet Jean Nicolas Arthur Rimbaud strongly influenced the surrealists.
With known transgressive themes, he influenced modern literature and arts, prefiguring. He started writing at a very young age and excelled as a student but abandoned his formal education in his teenage years to run away to Paris amidst the Franco-Prussian war. During his late adolescence and early adulthood, he produced the bulk of his literary output. After assembling his last major work, Illuminations, Rimbaud completely stopped writing literature at age 20 years in 1874.
A hectic, violent romantic relationship, which lasted nearly two years at times, with fellow poet Paul Verlaine engaged Rimbaud, a libertine, restless soul. After his retirement as a writer, he traveled extensively on three continents as a merchant and explorer until his death from cancer. As a poet, Rimbaud is well known for his contributions to symbolism and, among other works, for A Season in Hell, a precursor to modernist literature.
Poeta do mistério, difuso como o vento do deserto. Alguns poemas atingem uma maturidade dolorosa, outros ainda sabem a fruta por amadurecer.
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"...Mas, anjos do ar, no alto da fronde, Mastros sem fim que os céus encantam, Deixai os pássaros que cantam Aos que no breu do bosque esconde, Lá, onde o escuro é mais escuro, Uma derrota sem futuro."
«Irás de olhos fechados para nem sequer veres pela vidraça / As caretas das sombras da noite,»
Fulgurante tal como um voo entre o céu e o inferno deve ser. As trevas, as luzes, os relampejos de uma intimidade ora obscura e grotesca, ora luminosa e pura.
Democracia “ A bandeira fica bem à paisagem imunda, e o nosso patoá abafa o tambor. Nas metrópoles nutriremos a mais cínica prostituição. Massacraremos as revoltas lógicas. Nos países aromáticos e sem têmpera! – ao serviço das mais monstruosas explorações industriais ou militares. Aqui, e onde quer que seja, está tudo lixado. Conscritos de boa causa, será feroz a nossa filosofia; para o saber, uns ignorantes, para o bem-estar, uns espertalhões: para a marcha do mundo, implosão garantida. Este, o verdadeiro sentido da marcha. Em frente, toca a andar!” (C’est la vraie marche! En avant, route!)