(Publication 2003) Aprofunda o estudo das relações entre língua e poder no Brasil e estabelece que o preconceito lingüístico na sociedade brasileira é, na verdade um entranhado preconceito social.
Marcos Araújo Bagno é um intelectual, professor, doutor em filologia, linguista e escritor brasileiro. É professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados, entre literatura e obras técnico-didáticas. Atua mais especificamente na área de sociolinguística e literatura infanto-juvenil, bem como questões pedagógicas sobre o ensino de português no Brasil. Em 2012 sua obra As memórias de Eugênia recebeu o Prêmio Jabuti.
A obra retrata a língua portuguesa no Brasil da colonização até os anos 2000 e expõe como a norma padrão atua nas relações de poder. É evidenciado como as regras gramaticais são a forma de burocratizar o Estado em torno de uma classe formada por uma minoria que, na prática, não fala ou escreve de acordo com as prescrições.
A obra utiliza fontes de revistas, jornais e literatura para desconstruir o mito da decadência do idioma. Rebate a pedagogia tradicional que aponta o "erro" escrito, e se contrapõe priorizando a comunicação oral do idioma. Atua com eficiência no argumento de que a dinamicidade da língua é guiada pelas classes marginalizadas, que conseguem romper as barreiras burocráticas impostas pela elite, tornando assim a mutação linguística inevitável.
Há uma crítica severa à "europeização" da gramática brasileira que vai na direção oposta da construção da soberania cultural. Na conclusão, é proposta uma intervenção empírica: abandonar as regras arcaicas que desestimulam o hábito de leitura, substituí-las pelo mapeamento das diversidades regionais da língua e aplicá-las ao ensino.