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Exilados

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O brilho dos seus olhos tinha-a marcado para sempre. Cecília era casada com um homem que não amava, era herdeira do império financeiro Mendes Silva que se estendia até Angola e, sabia que a agitação política que se vivia em Portugal, depois da revolução do 25 de Abril de 1974, ameaçava fazer ruir o mundo em que vivia. Manuel Arouca traz-nos a história dos Exilados, dos muitos portugueses que se viram obrigados a abandonar Portugal, com destino ao Brasil, depois de verem nacionalizados os seus negócios, as suas contas bancárias congeladas e as suas casas ocupadas, com a Revolução dos Cravos. Ali encontraram um porto de abrigo, um país novo, com costumes diferentes, onde, do zero, tiveram de reconstruir as suas vidas. Quando desembarcou no Rio de Janeiro Cecília sabia que o futuro dos Mendes Silva estava nas suas mãos. Era ela que teria de recomeçar do nada. Mas entre a tentadora praia de Ipanema, o conhecido restaurante do Copacabana Palace, ou a imagem apaziguadora do Cristo Redentor Cecília não conseguia esquecer a imagem daqueles olhos marcados pela tragédia. Tinha de descobrir José, resgatá-lo da sua dor, estender-lhe a mão e, quem sabe, libertar-se das regras sociais que a estrangulavam, de um marido que a traía e a desrespeitava e aprender, de uma vez por todas, a ser feliz.

392 pages, Paperback

First published January 1, 2010

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Manuel Arouca

28 books2 followers

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Displaying 1 - 6 of 6 reviews
Profile Image for Adelaide Silva.
1,246 reviews69 followers
August 5, 2021
Uma excelente caracterização histórica e social do pós 25 de Abril de 74 e o contraste entre o povo português, cinzento e agarrado a ideias retrógradas e o brasileiro alegre e sedutor
Profile Image for Margaret.
788 reviews15 followers
August 4, 2015
Já li algumas histórias sobre o 25 de abril, dos revolucionários aos retornados… Mas nunca tinha lido nada sobre os exilados. Assim, foi uma experiência interessante pegar neste livro de Manuel Arouca.

Após o 25 de abril e a ocupação do poder pelos militares mais à esquerda, as famílias ricas são consideradas fascistas e os seus bens nacionalizados. Com o risco de prisão a pairar sobre as suas cabeças, muitos fogem para o Brasil, alguns com poupanças que conseguiram esconder em contas no estrangeiro, outros com uma mão à frente e outra atrás.

Embora o enredo principal gire à volta da família Mendes Silva, que decide reconstruir o império financeiro a partir do Brasil, a história contém muitas personagens, cada uma a viver dramas diferentes no exílio. Manuel Arouca é autor de telenovelas e nota-se que tem muita experiência em criar situações que prendem a atenção do leitor/ espetador. Eu confesso que perdi, muitas vezes, a noção do tempo nas páginas deste livro! Mas não foi tanto pelos encontros, desencontros, paixões e mortes. Foi pelos pormenores na descrição da vida no Brasil dos anos 70. O autor ilustra bem o furor à volta das telenovelas (“Pecado Capital”, “O Astro”, “Dancing Days”), as mudanças no vestuário, o tráfico de droga nas favelas, a burocracia dos sindicatos, o negócio da prostituição… E o contraste entre o português cinzentão e o brasileiro alegre.

É certo que o autor exagerou no melodrama em alguns momentos e houve também “química” forçada entre certas personagens (típico das telenovelas!). Mas, de resto, uma leitura muito instrutiva.
Profile Image for Joana.
120 reviews9 followers
February 23, 2011
A grande mais-valia deste livro é a excelente caracterização histórica e social do período pós-25 de Abril. Mostra a forma como após a Revolução, o Partido Comunista ganhou grande poder em Portugal. Os bancos foram nacionalizados e muitos dos seus administradores presos sob a acusação de serem “fascistas”. O medo de perder todos os seus bens abateu-se sobre as classes mais altas da sociedade portuguesa. Várias pessoas viram as suas contas bancárias congeladas e saíram do país, levando os seus bens mais valiosos e restabelecendo-se noutros locais, confortavelmente, graças a dinheiro que tinham em bancos estrangeiros. Outras, que tinham todos os seus bens em Portugal, abandonaram o país sem nada terem.
Em Angola, o terror abateu-se sobre os colonos brancos, generalizando-se a violência, á medida que a população branca ia abandonando precipitadamente a colónia.
Muitas destas pessoas, estabeleceram-se no Brasil, onde tentaram reconstruir as suas vidas. É o caso de Cecília, administradora de um banco, que após ter sido libertada da prisão parte pela Europa, em busca de apoios para criar um novo banco no Brasil. Aproveita a viagem para fugir das rígidas normas sociais de Lisboa e do seu marido, que não ama e que não foi expulso do banco, reunindo-se, no Brasil, às suas amigas de infância. Nesta terra, descobre uma sociedade muito mais aberta e animada.
Na minha opinião, o enredo em si é pouco original, forçado, chega mesmo a ser chato. A personagem principal está durante quase todo o livro num impasse, a hesitar e a tentar decidir se anda para a frente ou para trás. As personagens são simpáticas ou desagradáveis, mas bastante mornas. Não senti a alegria ou a dor de nenhuma delas, não me apaixonaram nem revoltaram.
Profile Image for Adelaide Silva.
1,296 reviews15 followers
January 28, 2025

Uma excelente caracterização histórica e social do pós 25 de Abril de 74 e o contraste entre o povo português, cinzento e agarrado a ideias retrógradas e o brasileiro alegre e sedutor
Profile Image for livros100fim.
228 reviews14 followers
April 20, 2010
Nunca tinha lido nada deste autor mas fiquei rendida, tanto que já comprei um outro romance dele, “Deixei o meu coração em África”.
A sua escrita é leve e fluida, mas realista e cativante, fazendo-nos navegar por entre os horrores da descolonização africana, chegando a descrever cenas muito brutais, como a do fim da Vera, os sentimentos dos que tudo tinham de abandonar, as condições que tiveram na saída das colónias e na chegada a Portugal. Fala do amor à terra, da vida que ali existia, desde os mais humildes aos senhores da terra, fala dos locais, do cheiro da terra, da comida, mas também da violência, da brusquidão da tomada e da insegurança que se viveu.
Como se fosse pouco, fala-nos sem pudores do mesmo período em Portugal e dos anos posteriores, de com a sociedade mudou, das tentativas e do sucesso do 25 de Abril de 1974, das implicações que trouxe à política nacional, do ambiente que se viveu e muito se temeu com a tomada de poder do comunismo, do surgimento e ascensão do CDS, do PPD, das personalidades que ganharam e perderam com todos estes acontecimentos.
Mas fala-nos principalmente da Cecília, uma jovem mulher de família abastada e com vastas riquezas nas colónias e em Portugal, de como é devastada com a descolonização e se reergue, de como pode um mundo de aparências cair de um momento para o outro, mas como os mais fortes e audazes se reerguem da queda, da afirmação da mulher na sociedade, que se liberta dos condicionalismos e repressões em que vivia, dos casamentos de conveniência e se mostram tão ou mais capazes que o tradicional sexo forte.
Cecília, casada com Diogo, um parasita que vive das aparências e pretende ascender às custas do seu nome e património e que não vai olhar a meios para atingir os seus fins, vive uma vida dura num casamento infeliz, na perda de um filho, na prisão política, no exílio no Brasil e principalmente nas inconstâncias do amor. Cecília, menina rica e de “boas” famílias, apaixona-se por José, o filho dos caseiros da fazenda da família nas colónias, a quem conhece ao ir ao seu casamento com Vera, filha de trabalhadores da fazenda, mulher de cor, um casamento mal visto entre a sociedade da época mas bem aceite por Cecília e o seu pai. Mas a vida vai dar muitas voltas e muitas tristezas e alegrias acontecerão.
De África a Portugal e de Portugal ao Brasil e de novo a Portugal, a acção decorre entre Cecília e a sua família, os exilados no Brasil, o seu reerguer ou queda fatal, das suas duas amigas, que a apoiam e desencaminham e de José, o José, o adorável e corajoso José, o seu principio e fim, fala acima de tudo da força do amor e da coragem de nos momentos mais difíceis e em que tudo se dá por perdido deitar mãos à obra e não desistir, do poder do amor que tudo vence e nada se lhe opõe.
Sem dúvida, um dos melhores livros que já li de um autor português. Vai directamente para a lista dos melhores livros que li em 2010. Parabéns Manuel, a sua escrita cativou-me e fez-me sonhar!
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