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Nítido Nulo

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Agora a praia está deserta.Os últimos banhistas subiram a longa escadaria, desapareceram há dias atrás da falésia. E estranha, uma melancolia cresce como erva,deixa um rasto nas coisas. Memória do que morreu, subtil, do que vibrou - e a indiferença da terra, da luz. Do mar. Ou talvez que tudo nasça da certeza do meu fim. Condenado à morte - quando me executarão? - estou aqui à espera nesta prisão junto à praia.

339 pages, Paperback

First published January 1, 1971

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About the author

Vergílio Ferreira

65 books310 followers
VERGÍLIO FERREIRA nasceu em Gouveia, a 28 de Janeiro de 1916. Seminarista no Fundão, licenciou-se depois em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi prof. liceal em Faro, Bragança, Évora e Lisboa (desde 1959). Ficcionista e pensador, estreou-se com o romance O Caminho Fica Longe (1943) e o ensaio Sobre o Humanismo de Eça de Queirós (1943). Escritor dos mais representativos das letras portuguesas da segunda metade do séc. XX, a sua vivência fechou-se no labirinto do existencialismo sartreano. Entre as suas obras destacam-se: Manhã Submersa (1954), adaptado ao cinema por Lauro António e vencedor do Prémio Femina para o melhor livro traduzido em França em 1990, Aparição (1959, Prémio Camilo Castelo Branco), Cântico Final (1960), Alegria Breve (1965, Prémio da Casa da Imprensa), Nítido Nulo (1971), Rápida a Sombra (1974), Signo Sinal (1979), Para Sempre (1983, Prémio Literário Município de Lisboa), Espaço do Invisível (1965-87), em quatro vols., Até ao Fim (1987, Grande Prémio de Novela e Romance da APE), Em Nome da Terra (1990), Na Tua Face (1993, Grande Prémio de Novela e Romance da APE). De assinalar são também o diário publicado a partir de 1981 (Conta Corrente) e o vol. de ensaios Arte Tempo (1988). Em 1991 ganha o Prémio Europália, pelo conjunto da sua obra, e em 1992 é-lhe atribuído o Prémio Camões. Foi condecorado pela Presidência da República com o Grande-Oficialato da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1979 e, em 1985, foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura. Faleceu em Lisboa, a 1 de Março de 1996.

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Luís.
2,433 reviews1,514 followers
April 23, 2022
Jorge Lopes confesses a particular appreciation for Nítido Nulo. Unlike Lind, who criticises in this novel the “unbelievable” plot and characters who are “mere carriers of ideas”, Lopes sees in him the entry on the scene, in the work of Vergílio Ferreira, “of satire, comedy, irony, black humour". And he is convinced that the novel is partly a response to structuralism and the “death of the author” sentenced by authors like Roland Barthes or Michel Foucault. “For him, this was inconceivable, and in Nítido Nulo it even puts the narrator in dialogue with the author”, says the essayist,
(...)

Source: https://www.publico.pt/2016/01/24/cul...
Profile Image for Ana Rita Mateus.
27 reviews
May 14, 2020
Como no livro mais tardio “Na tua face”, também “Nítido nulo” é um livro da memória, o único espaço em que a realidade se dá, se transforma, se metamorfoseia,... em que a realidade é.

“O prazer estrito é curto. Por isso é que fechamos os olhos. Para “saborear”. Mas “saborear” não é captar o sabor todo, é apanhar o que está antes dele e é muito maior. A imaginação? Creio que a memória.”
Profile Image for João Mendes.
312 reviews20 followers
March 22, 2025
A sensivelmente 1 mês do dia mais bonito do ano, NÍTIDO NULO é a minha primeira leitura de Abril.

Jorge, a personagem principal, está preso numa cadeia com vista para o mar por ter tentado fazer uma revolução contra o regime. Que regime, em que moldes? Não se sabe e com razão, o livro foi publicado ainda durante o fascismo.
Da janela da cela, Jorge vê o horizonte que nunca alcança: a utopia da liberdade ?
Este livro é, como a generalidade dos livros de Vergílio, um livro das memórias de vida da personagem principal quando esta se encontra perto do fim. Os amores, a família, a fama. Este também também um enfoque particular na liberdade. O que é ser livre? Pode um artista realmente sê-lo?


Algumas citações:

"A criança encanta-nos porque ainda não sabe, o louco arrepia-nos porque nunca mais."

"A morte interrompe sempre uma palavra a meio, mesmo que já as tenhamos dito todas."

"Mas é nos olhos que. Como se tudo aí se explicasse, tivesse a razão humana de ser."

"A morte só é terrível quando a vemos da vida, quando entre nós e o seu nada há um tudo a perder."

"É necessário que a esperança se cumpra inteira para que se saiba o que é perdê-la"
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews87 followers
June 17, 2015
"Ser Livre


É mais difícil ser livre do que puxar a uma carroça. Isto é tão evidente que receio ofender-vos. Porque puxar uma carroça é ser puxado por ela pela razão de haver ordens para puxar, ou haver carroça para ser puxada. Ou ser mesmo um passatempo passar o tempo puxando. Mas ser livre é inventar a razão de tudo sem haver absolutamente razão nenhuma para nada. É ser senhor total de si quando se é senhoreado. É darmo-nos inteiramente sem nos darmos absolutamente nada. É ser-se o mesmo, sendo-se outro. É ser-se sem se ser. Assim, pois, tudo é complicado outra vez. É mesmo possível que sofra aqui e ali de um pouco de engasgamento. Mas só a estupidez se não engasga, ó meritíssimos, na sua forma de ser quadrúpede, como vós o deveis saber".
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