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As Coisas Da Alma: Contos

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As coisas da alma é o quarto livro de contos de um grande escritor português contemporâneo. Tal como em obras anteriores, apresenta ao leitor uma linguagem própria e um imaginário singular repleto de personagens credíveis e violentamente humanas. Autor de referência deste género literário, os seus contos são invariavelmente poderosos retratos da condição humana, como na história da mulher que penhora as jóias da família, na indigência do ex-toxicodependente José António, ou na da beata à procura de uma redenção que insiste em não chegar.

195 pages, Paperback

First published January 1, 2003

13 people want to read

About the author

João de Melo

54 books38 followers
Nasceu na ilha de São Miguel (Açores) em 1949, onde completou a instrução primária, após o que prosseguiu os seus estudos no continente. Em 1967 passou a residir e a trabalhar em Lisboa. Depois de participar na guerra colonial em Angola entre 1971 e 1974 (tema de duas das suas obras mais significativas, a antologia “Os Anos da Guerra” e o romance “Autópsia de Um Mar de Ruínas”), trabalhou na vida sindical, foi editor de autores portugueses e crítico literário. Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, pela qual veio a licenciar-se em 1981 com o curso de Filologia Românica. Professor dos ensinos secundário e superior durante vários anos, foi convidado pelo governo português para o cargo de conselheiro cultural junto da embaixada de Portugal em Espanha (que desempenhou durante 9 anos, entre 2001 e 2010). Em 2003, em Madrid, criou a “Mostra Portuguesa” (de que realizou 7 edições), sendo o maior evento cultural português fora de fronteiras. Tem traduzidos para espanhol os seguintes livros da sua autoria: “Gente feliz con lágrimas”, “Antología del cuento portugués” (Alfaguara), “Cronica del principio y del agua y otros relatos”, “Mi mundo no es de este reino”, “Mar de Madrid” e “Autopsia de un mar de ruinas” (Linteo Ediciones).

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Displaying 1 - 5 of 5 reviews
Profile Image for Maria Ferreira.
227 reviews50 followers
August 7, 2017
As Coisas da Alma, é um livro de contos, falarei sobre alguns desses contos

O gémeo e a sombra

Neste conto existem dois irmãos gémeos, em que um deles morre, incompreensivelmente, morre o mais forte e mais saudável. O gémeo vivo, mais fraquinho e mais doente, sobrevive, mas fica sempre com a sensação que o outro mora dentro dele. “Durante toda a vida, estive perante esse duplo dentro de mim que agora se projecta na minha sombra. Uma sombra sólida, densa, nada volátil, corpo do meu corpo na areia, cor da minha carne de criança. É nela que identifico agora, um por um, todos os órgãos do corpo do meu irmão morto. “
“Estendo a mão à minha sombra, vejo que ela corresponde ao gesto: a mão do meu irmão une-se logo à minha, como se desde sempre fosse a parte que lhe faltava. D mãos dadas caminhamos ambos para o mar”

Algo como regresso a casa

Fui ao mar buscar laranjas
Que é cousa que lá não tem…


(do Cancioneiro Popular Açoriano)

Manuel, açoriano, decidira regressar aos Açores, local de onde fora expulso em 1975. Agora regressa casado com Benvinda, mulher cega. “Pelo simples contacto de uma mão, saberia ver se lhe queriam bem ou mal, se aprovavam o seu modo de ser e de pensar, se aceitavam de bom grado e sem preconceitos que Manuel, o herói da família, tivesse saído dos Açores para Lisboa afim de ver o mundo e o país mudarem – e afinal tivesse acabado por desposar um cega-ceguinha em Lisboa”(p. 46).

Os cegos não vêm as cores do mundo, mas sentem-nas: através do toque, o contacto físico, sentem a aspereza e a macieza dos materiais; através da audição, que, ao ouvir as descrições do ambiente ao seu redor, recriam o seu próprio mundo; através do olfacto, conseguem identificar os animais, as pessoas, distinguir os cheiros das especiarias e outros cheiros.
"Perguntou então ao ouvido do marido, com o ar mais sério e mais compenetrado deste mundo, se havia assim tantos pomares de laranjas por ali. Ou seriam tangerinas?"
Manuel respondeu que não sabia. Nunca tinha dado por isso. Onde diabo fora ela buscar essa ideia de haver laranjas e tangerinas na ilha?
“Ao mar”, disse ela rindo, sorrindo e apertando um seio contra o braço dele.
“Se fosses um poeta, ias lá buscar laranjas para mim. Eu vejo-as no mar. Mas como não és poeta, nem cego como eu, não podes ver os laranjais do mar. Eu, sim.” (p. 50)

Ouro em pranto

Um casal, que por via da desgraça que assolou a sua porta, tem que vender todo o ouro herdado da família. Um agiota, que por ver esse sofrimento e desespero compra todo o ouro por uma bacatela, sem minimamente se comover perante a desgraça alheia, fecha a loja, não vá o casal arrepender-se do negócio. Puro oportunismo.

Olhos cor de Lima

A beleza nem sempre traz a felicidade. Neste conto, a mulher mais linda é também a mais infeliz. Todos os homens olham, maravilhados, para a beleza do corpo daquela mulher, mas o ciúme doentio do marido, castiga a mulher por ser tão bela.

O fogo e a Lenha

Retrata a vida de um homem, que se entrega à droga, perde a confiança da família e vem para Lisboa, encontra algum consolo nas funcionárias de um salão de cabeleireiro, que sentem pena dele, e de vez em quando lhe dão comida, lavam-no e cortam-lhe o cabelo e a barba, na promessa de ele se institucionalizar para fazer a desintoxicação. Porém, ele tenta mas não consegue. Este conto mostra-nos o submundo da droga.


O Autor e a obra

João de Melo nasceu em Achadinha, São Miguel, Açores em 1949. Em 1960 vem para Lisboa estudar, licenciou-se em Filologia Românica, em 1981. Foi professor de Português e Francês no ensino secundário.

Li “Gente Feliz com Lágrimas”. Sem sombra de dúvida que é uma grande obra literária. Adorei o livro e vou voltar a lê-lo. João de Melo fala-nos sobre a sua gente açoriana e sobre os Açores, ao ler, sente-se o povo e a terra.

Neste livro, As Coisas da Alma, João de Melo apresenta-nos quinze contos.
Como refere Vítor Quelhas, “Em João de Melo, cada conto é um poema, que por momentos finge esquecer a sua transcendência, e se passeia humanamente sobre a Terra, curioso e compassivo, tudo observando e relatando. Mais do que seres sensíveis, de carne e osso, movidos pela biologia e pelos sentidos, a substância das suas personagens possui uma espessa consistência anímica, como que feita de desejos, sentimentos, imaginação, e mistérios que se organizam de forma inteligente na pessoa”.
Profile Image for Paulo Martins.
149 reviews1 follower
November 20, 2020
Este livro de contos segue o estilo contemplativo típico de João de Melo, embora neste formato de conto o ritmo seja um pouco mais dinâmico. É algo desconcertante estar à espera do twist final que é habitual neste formato e ser, conto após conto, desiludido pela ausência desse elemento de surpresa no fim. Não é que seja essencial para que o livro possa agarrar o leitor, mas é mais fácil gostar de um conto se o elemento da surpresa estiver presente. E neste livro não está. Aparte essa característica, os textos são bem escritos, as ideias são agradáveis e o livro flui bem. Mas acho que vou guardar os foguetes para outra ocasião.
Profile Image for André.
Author 33 books15 followers
August 11, 2020
6.5/10.
Um livro difícil de avaliar. Trata-se de uma antologia de contos, pelo que cada texto varia consideravelmente de qualidade. Contos como "A Esposa" são absolutamente memoráveis, enquanto outros, como "A Barragem", caem rapidamente no esquecimento.

A escrita do autor é simultaneamente fluída e repleta de nuance, exibindo um perfeito equilíbrio entre domínio da linguagem e ritmo da narrativa.

Pontos altos:
- O Vinho (8/10)
- Ouro em Pranto (7.5/10)
- A Esposa (10/10)

Profile Image for Dessyslava Timcheva.
59 reviews5 followers
September 7, 2014
Este Verão para mim foi marcado por livros de contos.Para ser sincera,deste livro,não gostei.O estilo do autor é mesmo curioso mas por outro lado ele fala demasiado e só no fim de cada conto consigo perceber de que se tratava.

Quando leio um conto,normalmente espero por algum tempo para ser capaz de começar o outro conto.Mas nesse caso não precisava de nenhum tempo porque queria acabar com o livro mais rápido possível.Havia momentos bonitos,gostava do conto com o gémeo e acredito que havia sentido escondido dentro de cada elemento do livro mas não foi suficiente para mim ser captada do início até ao fim.
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