Me deparei com Maria, pela primeira vez no MASP. Ingênua, eu, apenas admirei sem me aprofundar. Pela segunda vez, em Paris, me espantei com uma escultora conterrânea que reafirmava nossa origem nos trópicos. Agora, no terceiro encontro, conheci a história dessa imensa artista brasileira graças à brilhante pesquisa de Ana Arruda Callado. Através de uma narração não cronológica, a autora nos apresenta a escultora, escritora, mãe e embaixatriz com uma riqueza de detalhes desconcertante. Inúmeros são os fatos que me impressionaram, desde figuras icônicas com as quais Maria mantinha amizades e romances, até fatos históricos que transpassaram sua história. A verdade é que Maria é, per si, história. História da arte “surrealista”, monstruosa e feminista. História da diplomacia brasileira e de Minas Gerais. História do movimento surrealista mundial e muito mais do que uma personagem coadjuvante da biografia de Duchamps. Não é a toa que tantos se apaixonaram por ela, incluindo eu.