Aristides Fraga Lima nasceu na cidade de Paripiranga, estado da Bahia, a 2 de julho de 1923. Ainda criança, acompanhou a família, que se transferiu para uma chácara, no distrito chamado Saco-Grande, município de Simão Dias (no estado de Sergipe), cidade vizinha de sua terra natal. Aí começou o estudo das primeiras letras. Nessa época, aos cinco anos de idade, quando era alfabetizado, disse aos pais uma frase, que, no decorrer do tempo, ficou sendo lembrada: "Um dia vou ser escritor." Mudando-se a família para outra chácara, em Aracaju, começou aí os estudos secundários, que concluiu no Seminário de Olinda. A vida de menino da roça fez dele um amante da natureza e um profundo conhecedor dos animais e das coisas do campo. Lá viveu quase como índio, da caça e da pesca, plenamente integrado à natureza. Lidar com animais, caçar e pescar, fazer armadilhas para pegar passarinhos e outros animais, eram suas ocupaçoes prediletas nos matos e nos rios - o seu mundo de aventuras.
Aristides Fraga Lima cria uma narrativa simples e sem muitos floreios para prender a atenção do leitor em A Serra dos Dois Meninos. Há nessa obra algumas descrições sobre as questões envolvendo a vida no sertão (na fazenda Gravatá) durante as férias de uma família citadina. Por entre essas descrições, há a construção de temáticas acerca da relação homem/natureza e os hábitos que permeiam a vida de quem vive nesse lugar por vezes hostil. Desse modo, através da curiosidade dos irmãos Ricardo e Maneca, a história também versa a respeito de amizade, companheirismo, aventura e, sobretudo, respeito para com os riscos do sertão.
Uma verdadeira história de sobrevivência, uma aventura fascinante e perigosa levada à cabo por dois garotos escoteiros. Apesar de algumas questões que me incomodam - eu sou totalmente contra a caça recreativa - é uma narrativa emocionante, que nos mostra também a solidariedade dos brasileiros diante de situações complexas. Gostei bastante.
A Serra dos Dois Meninos é uma daquelas histórias moralizantes que tem o intuito de reforçar a educação familiar com exemplos extremos. A ideia dessa obra em especial é sobre a autoridade e os perigos do mundo.
Ricardo e Maneca são dois típicos pré-adolescentes que resolvem desobedecer ordens e se aventurar na selva em uma mistura de trilha-aventureira e modo-de-sobrevivência. A descrição da mata e dos materiais usados pelos garotos é interessante e os momentos de tensão, proporcionados pela aparição de animais selvagens, são um ponto extra.
Como toda a aventura se passa nesse ambiente perene, pode se tornar entediante para quem não gosta desse cenário. Caso contrário, é um prato cheio.