Este livro faz uma travessia pelo país conduzida pelo olhar de repórter de Eliane Brum. Ela, que se apresenta como “escutadeira”, nos carrega por vários Brasis em dez grandes reportagens feitas na primeira década do século 21. Em cada uma, Eliane revela a história dentro da história, ao narrar os bastidores a partir dos dilemas, das descobertas e também das dores a que se lança um repórter disposto a se interrogar sobre sua própria jornada. Esta nova edição, revista e ampliada, inclui o texto inédito “Os limites da palavra”, no qual a autora fala de dois desacontecimentos recentes que a levaram a uma profunda investigação sobre o ofício de repórter.
Editora : Arquipélago Editorial; 2ª edição (28 abril 2017) Idioma : Português Capa comum : 376 páginas ISBN-10 : 8560171851 ISBN-13 : 978-8560171859 Dimensões : 23 x 15.6 x 2.4 cm
Eliane Brum é escritora, jornalista e documentarista. Uma das repórteres mais premiadas da história do Brasil, em 2021 recebeu o prêmio Maria Moors Cabot, da Columbia University, pelo conjunto de sua obra. É idealizadora, fundadora e diretora de redação da plataforma trilíngue Sumaúma – jornalismo do centro do mundo, baseada na Amazônia, e colunista da seção de internacional do jornal espanhol El País. Publicou 9 livros e dirigiu quatro documentários.
Eliane Brum is a writer, journalist, and documentary filmmaker. One of the most highly awarded reporters in Brazil’s history, she received the Maria Moors Cabot Prize from Columbia University in 2021 in recognition of her body of work. She is the creator, founder, and editor-in-chief of the trilingual platform Sumaúma – Journalism from the Center of the World, based in the Amazon, and a columnist in the international section of the Spanish newspaper El País. She has published nine books and directed four documentaries.
Me emocionei, chorei, e ri. Eliane Brum, muito obrigado. Os textos escritos comentando as reportagens dos livros são geniais, principalmente para aqueles que estudam ou já exercem o jornalismo. Se tornou minha nova bíblia do jornalismo e com certeza um dos melhores livros que li em 2017.
Há muito o que se dizer sobre esse livro.. Já li o "uma, duas" que é um dos meus livros preferidos, e baseado nos dois (de gêneros totalmente diferentes), definiria a prosa da autora como brutal: ela narra fatos trágicos, lamentáveis e incômodos (seja de âmbito social ou psicológico) com uma clareza e beleza poética incríveis! nós basicamente somos poeticamente agredidos pelos fatos (as vezes um soco forte do nada em "uma, duas" e umas arranhadas quando mostra como somos alheios as realidades duras dos outros em "o olho da rua"), em alguns momentos da matéria "O inimigo sou eu" (onde ela se expõem pra caramba) fica claro que ela tem essa "afinidade" com o brutal desde pequena . Enfim, com relação a coletânea de matérias: da vontade de largar tudo e se tornar jornalista. Quando terminei achei que a ultima matéria foi a mais incrível, porem acho que todas são ótimas, não da pra escolher só uma (legal que da pra perceber a evolução do texto dela com o passar do tempo, eles vão de 2000 a 2008)."
Acredito que qualquer pessoa que queira se tornar um jornalista deveria ler "O Olho da Rua". Eliane Brum é uma jornalista ímpar, que consegue escrever fatos reais com uma sensibilidade pouco vista no mundo jornalístico. Recomendo!
Esse livro me tocou de um jeito que há muito tempo não acontecia. A realidade dele é tão bruta que eu sorri, chorei, solucei, gargalhei. Só tenho a agradecer por ter cruzado essa obra prima da Eliane. É um daqueles que levarei pra sempre no coração. <3
Para que eu leia 400 páginas durante uma tarde inteira é porque o livro é mesmo muito cativante. Foi como se eu tivesse viajado junto com a Eliane para os vários "Brasis" que ela relatou. Que obra magnífica que abrange desde índios yanomami lutando para defender suas terras e seu direito à vida em Roraima, passando pela dura vida dos garimpeiros sonhando com riquezas mas terminando em pobreza ainda pior, as trágicas vidas das mães que já perderam seus filhos ou que sabem que os perderão para a violência nas favelas do Rio de Janeiro e São Paulo.
Obra impactante que nos lembra da importância de ouvir e entender as histórias daqueles que muitas vezes são silenciados.
Livro cinco estrelas com certeza.
Minhas quatro estrelas são pela tristeza que o livro me causou em seus capítulos finais quando Eliane lida com as histórias de pessoas já na fase de cuidados paliativos. Me trouxe más recordações, principalmente porque este ano tive que lidar com três perdas em espaço de tempo bem curto e estes capítulos me reviveram estas lembranças.
Desde o primeiro livro que li de Eliane Brum, adorei sua escrita. Este o é o segundo livro e com certeza não será o último.
“Os pés de êxodo de Cleonice preenchem as estatísticas, ela é o exército de refugiados eternos na própria pátria, em busca da terra prometida que sempre escapa como se o mapa inteiro fosse de areia movediça.” P. 49
“Escutar, portanto, é esperar o tempo de cada um - para falar e também para silenciar.” P. 35
“O que eu mais gosto é de remendar roupa velha. Por que? Ora, acho que todo velho gosta de remendar a roupa. É um pouco como remendar a vida. Todos dois, um pelo outro.” P. 30
“Deus é muito popular em Roraima. O problema é que lá, como no resto do mundo, não se sabe bem de que lado está.” P58
“Boa Vista é a cidade mais brasileira do país. Contém o Brasil inteiro. O Sul é europeizado, o Nordeste é africano, o Sudeste é americanizado e nós é que somos brasileiros!” P. 55
Falo de uma reportagem desse livro pra todo mundo que conheço: uma em que a Eliane conversou com mães de diferentes lugares que perderam seus filhos para o tráfico. Uma das mães é da Ceilândia. Ler te faz lembrar que existe um mundo para além da sua bolha. Li para a disciplina de Apuração Jornalística por indicação do professor Solano Nascimento. Uma das maiores jornalistas do Brasil atualmente (minha opinião).
FAN TÁS TI CO a emoção dentro de cada reportagem de uma meneira que somente a escrita delicada de Eliane consegue trazer para o leitor "a casa dos velhos" continua sendo minha favorita, seguida por "mães vivas de uma geração morta", "vida até o fim" e "um país chamado brasilândia"
como é muito mais impactante ler alguma coisa que a gente sabe que aconteceu de verdade. chorei em várias e me emocionei em todas. o jornalista realmente é o historiador do presente. vida longa a eliane brum
O melhor livro que já li da Eliane Brum. Em cada história que ela conta do livro, eu terminava sentindo que tinha acabado de descobrir um pedaço novo do mundo.
cara, como eu amo a Eliane Brum. coleção de reportagens onde uma é melhor e mais sensível que a outra. meu sonho é, um dia, ser 1/5 do repórter e da pessoa que ela é.
Começando com a narrativa de parteiras no Amapá, região esquecida dos Brasis como Eliane gosta de dizer, o livro termina com a morte, além da qual nada sabemos, numa ala de um Hospital em São Paulo destinada a cuidar mais do que curar. No entanto, Eliane frisa, a morte não é o oposto da vida, a morte é o oposto no nascimento. O livro de Eliane, misto de reportagem e literatura em minha opinião, mostra os melhores escritos no tempo que foi repórter pela revista Época junto com os fotógrafos que a acompanham (especialmente Lilo Clareto). O ofício de jornalismo, que parece perdido ou pelo menos reduzido a fatos e acontecimentos ganha novo vigor com o livro e nos mostra, ou pelo menos me mostrou, que ainda existe o possível de mudança, não é pouco nem muito, mas não é nada; bem como o impossível é só o possivel que não foi descoberto e quando é, não é muito, mas também não é nada. Sou incapaz de deixar uma recomendação especial a um capítulo pois nomearia todos, só deixo acrescido que as aliterações, metáforas e outras figuras de linguagem na resenha são da própria Eliane, mas que não poderia deixar de usar, pois agora são minha também.
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Quando eu li pela primeira vez, no início da faculdade, eu soube exatamente o que eu queria fazer pelo resto da minha vida e de que forma. Eliane tem uma escrita muito característica, sincera e humana, sou apaixonada pelo jeito que ele se insere dentro das narrativas que está contando.
Toda releitura é uma experiência nova, esse livro me toca de maneiras muito especiais e profundas. Principalmente, na questão do ser repórter. Observar para contar histórias do jeito que elas devem ser contadas. A sensibilidade do observar para transmitir. A literatura da vida real é vasta, cheia de nuances e precisa ser apreciada exatamente dessa forma. Grande profissional é a Eliane!
Hoje mais madura e experiente, me comovi de muitas formas ao reler após alguns anos. Entendi de um jeito único e ainda mais especial. Chorei como nunca na "Casa de Velhos" e na reportagem do Serginho Fortalece. Que personagens únicos, eles realmente precisavam ser vistos e ouvidos. Trabalho incrível!
Você lê a reportagem e pensa: "isso aqui tá perfeito". Então lê o relato da Eliane e entende como ela chegou naquele texto e como sempre há algo que poderia ter sido diferente. Coisas que ela mudaria. É um acesso ao processo de uma repórter e um aprendizado feroz sobre jornalismo e humanidade. Como, às vezes, confundem objetividade com descaso e cobram de nós um não envolvimento impossível para quem tem olhos (e coragem) de ver o outro.
Following Eliane, the reporter in the search for the "exact words", describing all kinds of different ventures throughout Brazil, bond by the acute sense of humane of the author, is unquestionably such a rewarding experience I'd suggest to everyone -- especially the ones related to journalism or media in general.