História construída a partir de uma reportagem feita por um dos autores (Jorge Araújo) em Luanda sobre as crianças que vivem nos esgotos, publicada no semanário "O Independente". O livro apresenta-nos o mundo como sendo uma casa, que tem Cave e Sótão. A Cave são os buracos do esgoto que servem de tecto a Fio Maravilha e a todos os outros meninos que não têm para onde ir. Na mesma linha alegórica, o Sótão é a cidade (que fica por cima do chão e por debaixo do céu). Tem basílicas grandiosas, mesquitas com crescentes dourados, pontes que ligam margens e vidas. E prédios com vista sobre a solidão, onde as pessoas se cruzam nos elevadores, dizem 'bom dia', 'boa tarde' mas não se conhecem. É num deles que vive Nuvem Maria, a menina dos cabelos de ouro. Fio Maravilha descobriu a paixão em Nuvem Maria. Mas era um amor impossível. Na Cave, Nuvem Maria não era desejada; no Sótão, Fio Maravilha não tinha futuro. Até que um dia um brutal terramoto destrói tudo e todos mata. Excepto Fio Maravilha. Impossibilitado de regressar à Cave, vagueia pelo Sótão e descobre, no meio dos escombros, Nuvem Maria. Partem de barco. Felizes para sempre. A narrativa é acompanhada por duas dezenas de ilustrações que, através de imagens, contam a história em paralelo.
3,5* Todo o livro é uma metáfora que fala sobre a exclusão social e a depressão que se viveu em Portugal antes do 25 de abril num conto que parece para crianças. Uma leitura leve e rápida
Um livro delicioso. Uma história cheia de sonho e poesia e amor, com ilustrações que nos levam ao céu. Nem tudo começa com um beijo, é verdade ... mas este livro é um Beijo.
Adorei este livro na altura em que o li! A história é mesmo muito bonita. Pareceu-me uma espécie de fábula que mistura a doçura d' O Principezinho com a imaginação de Tim Burton. Gostei muito de conhecer estas personagens, de perceber as relações que mantêm entre si e de ver as suas acções nas situações caricatas em que nos são apresentadas. A própria história é uma bela reflexão metafórica simultaneamente ingénua (mas não uma ingenuidade oca nem superficial) e desencantada sobre o mundo que nos rodeia e, ao qual, fechamos, por vezes, os olhos. E o posfácio de Pedro Ayres de Magalhães lá está para nos recordar isso mesmo.
Gostei mesmo muito de ler este livro tão imaginativo e com um final que me agradou particularmente.
Admito que não gostei da história nem da escrita, apesar de sentir potencial para muita crítica dirigida a uma ou várias sociedades. E também me pareceu uma história banal.
Nem Tudo Começa Com Um Beijo é um livro que saiu em 2005 pelas mãos de Jorge Araújo e Pedro Sousa Pereira. Esta história nasceu a partir de uma reportagem realizada em Luanda por Jorge Araújo sobre as crianças que vivem nos esgotos e que foi publicada no jornal O Independente. Esta é uma história de amor, na qual os leitores são convidados a reflectir sobre a injustiça social de meninos abandonados e a solidão humana, num mundo menos real, quase fantástico e repleto de personagens únicas. O primeiro livro realizado em co-autoria por estes dois autores Comandante Hussi, foi vencedor do prémio Gulbenkian em 2003. Em Nem Tudo Começa Com Um Beijo, o texto é de Jorge Araújo, mas as ilustrações da autoria de Pedro Sousa Pereira e são também uma das partes fortes desta história.
"Um imaginário inesperado e, no entanto, simples, rico e colorido. Muito diferente e, simultaneamente, muito igual ao mundo que nos rodeia, num livro valorizado por excelentes ilustrações, que perspectivam este universo de forma original." Susana Nogueira
O mundo é uma Casa que se divide em Cave e Sótão. Na Cave, os buracos de esgoto, vivem Fio Maravilha e todos os outros meninos que não têm para onde ir. No Sótão, a cidade, vivem as pessoas que se cruzam por todo o lado mas que não se conhecem e vivem na monotonia e solidão. É aí que vive Nuvem Maria, uma menina com cabelos de ouro. Um dia Fio Maravilha encontra Nuvem Maria e, daquele encontro inesperado, nasce um amor que a ninguém parecia possível, mas ainda assim, um dos maiores amores de todas as histórias. Dois adolescentes em dois mundos opostos. Um amor quase impossível. Ao acompanharmos esta história, conhecemos muitas outras personagens, tais como Gelatina, o menino obeso que esconde um grande segredo, Armando Pantera, o menino invejoso, Molécula, Sacristão e Amante da Rosa, entre tantos outros que nos prendem e apaixonam.
O livro está escrito numa linguagem simples e visual. Mas apesar de constituído por uma prosa acessível a quase todos é na alegoria constante que reside o encanto. Para além disso, a escrita é doce, delicada e fresca. Tudo isto transforma a sua leitura num prazer cativante, capaz de prender o leitor até à última página.
"O apartamento tem vista sobre a solidão. As pessoas cruzam-se nos elevadores, é "bom dia", "boa tarde", são vizinhos, mas não se conhecem, cada um fechado no seu mundo. As crianças, quando não estão na escola, vivem trancadas na rua. Os jovens, nos intervalos da rebeldia, matam o tédio nas esquinas. Os velhos, esquecidos em quartos atrofiados, contam os dias que faltam para a casa de repouso. O desemprego mora em muitas famílias, os biscates são o pão de cada dia. É um mundo triste, tão triste, que até dói."
Não sei porquê nem porque não gosto de histórias para jovens escritas como se fossem para adultos. Será que é porque foram escritas para adultos? Não é o primeiro nem será por certo o último destes contos que me agarra. “Para os meninos do esgoto o mundo era uma casa com Cave e Sótão“, no Sótão vivemos nós com as nossas vidas, com as nossas posses bonitas, com os nossos medos e amores, com os nossos pecados e com as maravilhas do mundo moderno; na Cave moram os meninos como nós, que constroem uma vida à margem da nossa ou que foram marginalizados na sua vida pelas nossas.
Fio Maravilha, Gelatina, Sacristão, Amante de Rosa, Domingo, Armando Pantera, Nuvem Maria são personagens que nos apaixonam e que rapidamente nos conquistam pela sua simplicidade, com o seu modo de vida. Sentimentos puros de uma micro-sociedade, a Cave, onde no entanto, é tão fácil revermo-nos e àqueles que conhecemos. Uma metáfora da geração do autor como explica no Posfácio Pedro Ayres Magalhães, e não se enganará… Difícil será não reconhecermos as personagens da ficção quando as encontramos nos no nosso dia a dia.
A última review literária aqui no blog saiu dia 10 de Maio... Que vergonha! Mas agora vamos lá endireitar a postura e manter este blog activo, tal como ele merece.
Li este livro era eu uma jovem adolescente. Foi na aula de Língua Portuguesa (sim, a disciplina ainda tinha este nome) que a professora nos apresentou uma lista de livros onde todos tínhamos que escolher um e apresentá-lo. Lembro-me também de o ter feito com mais duas colegas de turma.
Na altura, adorei a história e o romance que nela se envolvia, mas passados alguns anos a história para mim deixou de ter aquele entusiasmo. Talvez a fase da adolescência tenha ajudado a gostar da leitura, mas se fosse agora não o voltaria a tocar. Não deixa de ser uma leitura agradável para um fim de tarde outonal, uma história de amor juvenil que todas nós gostamos.
“Capitães de Areia” em versão portuguesa. É a ideia que me vem à cabeça após ter lido este livro. Tal como na obra de Jorge Amado, temos um bando de meninos de rua – estes vivem no esgoto da cidade grande – cada qual com características diferentes: há o religioso, o intelectual, o chefe… Mas tudo isto num enredo mais pobre. Se não tivesse lido “Capitães de Areia” talvez achasse piada a este livro, mas ele não me convenceu.
A história é demasiado simples… se tem alguma lição para descobrir nas entre linhas, não vi. Basicamente, temos um bando de miúdos, o chefe morre, há uma competição para um novo chefe, este apaixona-se por uma rapariga da cidade, o outro candidato a chefe, por vingança, tenta acabar com a relação, mas tudo acaba bem, os maus são castigados e os bons premiados.
Serviu para passar o tempo, porém, foi uma leitura pouco estimulante.
Acho que a história tem problemas de contextualização que por vezes obriga a ler duas vezes o mesmo excerto. A lombada já tem um resumo da história completa o que deixa pouco a descobrir com a leitura do livro.