Aposto que muitos de vocês nunca ouviram falar de Carlos Campaniço! Ou, pelo menos, não da forma que ele merece! A sua escrita remete-nos para ambientes rurais, nossos, e uma das suas obras possui um toque de realismo mágico. Depois de se entrar nesses mundos é difícil de lá sair. Aconteceu-me isso em "Os Demónios de Álvaro Cobra".
Neste "Velhos Lobos", o realismo mágico não está presente. Presente está a escrita viciante de Campaniço, as histórias de vizinhos rivais, os ódios intemporais de famílias que lado a lado vivem anos de guerras que parecem não ter fim. E a solidão. Uma solidão profunda, marcada pela quase inexistente vida social, que parece instalada no dia a dia dessas gentes.
Algures no Alentejo, num tempo em que os automóveis não povoavam os lugares, de contrabandistas e refugiados espanhóis a monte, de telegramas que anunciavam as boas novas, sobretudo as más, duas famílias partilham ódios profundos e amores estranhos.
A família Velho e a familia Lobo - uma pobre, outra rica - que, piores que velhos lobos, se atiçam com quesílias toda uma vida e passam aos seus descendentes esse desamor, esses ciúmes e esse ódio que sentem uma pela outra e que é vivido também dentro de cada família.
Vale tanto a pena conhecer os segredos que estão por detrás destas duas famílias! Que amores se escondem dentro desses ódios?