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O Meu Corpo Humano

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A arquitetura de o meu corpo humano liga cada uma das emoções, memórias e sensações a uma parte do corpo ou a determinados órgãos: da cabeça aos rins e aos tornozelos, dos olhos às mãos e ao coração, há sempre uma relação entre as partes do corpo - e o sofrimento que habita a nossa vida, a nossa memória e as marcas que deixamos ao passar.
Depois de uma demorada interrupção na sua produção poética, Maria do Rosário Pedreira regressa com um livro cheio de beleza e iluminação, como uma aula de anatomia que procura os segredos de cada recordação.

«É o meu corpo // humano: vê, ouve, / toca, pensa e // dói-lhe. // Volto porque / preciso muito / que me amem.»

96 pages, Paperback

Published April 1, 2022

4 people are currently reading
163 people want to read

About the author

Maria do Rosário Pedreira

86 books48 followers
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa (1981). Possui ainda o curso de Língua e Cultura do Instituto Italiano de Cultura em Portugal. Como escritora, tem já publicados vários trabalhos de ficção, poesia, ensaio, crónicas e literatura juvenil, procurando neste último género a transmissão de valores humanos e culturais. É co-autora da colecção O Clube das Chaves e autora da colecção Detective Maravilhas.

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2 (<1%)
1 star
2 (<1%)
Displaying 1 - 30 of 35 reviews
Profile Image for Fátima Linhares.
965 reviews342 followers
May 19, 2022
pescoço

Um colarinho não é um colar
pequeno. Ambos repousam, é
certo, à volta do pescoço, mas o

primeiro pertence-te, enquanto
o segundo costuma ficar guardado
na minha gaveta. Por mais íntimos

que sejamos; por mais goma que
tenha o colarinho da tua camisa
nova; por mais elos que se unam
na cadeia que forma o meu colar,

há sempre coisas nossas que é
melhor guardar separadas.



punhos

Dizem que há palavras pequenas
que mudam uma vida, e eu acho

que a palavra «não» deve ser uma
delas; mas depois digo «sim» porque,
na verdade, prefiro que fique tudo
como estava. Dizem também que

há perguntas que, se não se fizerem,
são como cães agarrados às nossas
pernas que ladram de cada vez que
respiramos. Mas não as faço: aperto

com força os maxilares, sinto o sabor
do sangue nas gengivas e cerro os
punhos até as mãos ficarem azuis.

Quero que continue tudo como estava.



pestana

Na maçã do teu rosto
pousou agora mesmo
um gatafunho. Deve ser

uma palavra triste que o
vento soprou da história
que teceste; ou então

a perna perdida de um p,
o que torna mais lento o
meu perdão mas leva da

minha boca esse nome tão
feio. Vem cá, mostra - oh,

afinal, é só uma pestana.
Profile Image for Paula  Abreu Silva.
393 reviews114 followers
February 8, 2023
"SEIOS

Mãe, oxalá eu nunca tivesse largado a tua mão:
com o menino ao colo, fez-se a estrada maior do
que o meu desespero, amarrotou-se de velho meu
coração tão claro. Eu tinha catorze anos antes

do estrondo, catorze anos e meio antes do teu
grito, quinze anos cumpridos quando afastei o
véu dos teus cabelos: se me dizias sempre que não
fosse para longe, porque pediam o contrário os
teus olhos parados? Ainda por cima, mãe, chegar

ao campo foi como bater a uma porta cansada -
mil tendas que eram velas remendadas, barcos para
ficar de novo pelo caminho. Trouxeram-nos mantas
cheias de perguntas; tentaram-me com doces
para me pôr no lugar; mudaram ao meu irmão
a fralda com as mãos frias. Mãe, eu disse-lhes que

o menino era meu; e agora, quando ele procura os
teus seios no meu corpo sem formas, cubro com
o teu véu os meus cabelos e canto-lhe baixinho
canções de açúcar. Não sei que idade tenho, mãe,
mas oxalá eu nunca tivesse largado a tua mão."

Página 45
Profile Image for Leonor.
212 reviews
June 21, 2022
Maria do Rosário Pedreira consegue escrever o corpo de forma poética sem que o seja difícil, rebuscado ou floreado. É o corpo e a emoção da maturidade da vida, com essa consciência, com essa ternura, com essa aceitação e alguma melancolia também. E é tudo bonito. O verdadeiro enlevo.
Profile Image for Ana.
24 reviews6 followers
February 26, 2024
“pés

Leio as tuas palavras numa cidade
estranha e cheira-me subitamente
a pão e a casa. Ter-te comigo é como

poder andar descalça pelo mundo.”
Profile Image for Alexandra  Rodrigues.
249 reviews
October 10, 2022
"(...) Enfim, enquanto esperamos
o inverno, andamos ligeiramente
assustados e um pouco sonolentos,

mas juntos e abraçados até ao dia."
Profile Image for Carolina.
6 reviews
January 30, 2024
Embora ache que "O meu corpo humano" tenha a intenção de analisar a relação de uma mulher com o seu corpo, com o seu corpo já velho; não posso deixar de sentir que é antes de tudo um livro sobre perda: do corpo, da família, da inocência.
Não consigo descrever o quanto este livro me tocou. Recomendo-o a todos os que já perderam.
PS: Gostei particularmente dos seguintes poemas: ouvidos; dentes; pele; ventre.
________________________
Ainda gostei mais do livro nesta releitura [30.01.02023]
Profile Image for Catarina Rosa.
9 reviews
October 19, 2022
Uma escrita que não desilude. A poeta disse, numa entrevista, que, para si, a escrita de poesia era um processo terapêutico; enquanto leitora, agradeço cada palavra, que recebo também como terapia. Poemas que são um antídoto para a alma.
Profile Image for Rita Moreira.
80 reviews1 follower
August 20, 2025
Gostei bastante de alguns poemas, em particular dos capítulos intitulados “ o meu corpo humano”, mas de outros nem tanto.

Penso que foi uma boa introdução a Maria do Rosário Pedreira.


“É o meu corpo

humano: vê, ouve,
toca, pensa e

dói-lhe.

Volto porque
preciso muito
que me amem.”
Profile Image for Sara.
39 reviews
May 29, 2025
" Leio as tuas palavras numa cidade
estranha e cheira-me subitamente a
pão e casa. Ter-te comigo é como

poder andar descalça pelo mundo."
Profile Image for Joana Margarida.
180 reviews45 followers
March 27, 2024
joelho

Nesse tempo feliz, era tudo grande: a
casa, a praia, os prédios, o pinhal, os pais
de toda a gente - e o mar, claro, muito
maior do que hoje. Entrávamos na água

e, mal passávamos a barreira das algas,
perdiamos o pé. E como era bom ter
medo e dar a mão a alguém debaixo de
água; como era bom saber que podiamos

furar a vaga em caracol das marés vivas,
porque o braço comprido do pai chegaria
em segundos para enlaçar a nossa cintura
e logo nos devolver à praia. Hoje, a bainha

da espuma dá-nos apenas pelo joelho, Mas,
afinal, de que nos vale sermos grandes
se nem mesmo aqueles que nos amam são
capazes de salvar-nos de nós próprios?
Profile Image for Alexandra Maia E Silva.
437 reviews
March 9, 2023
Chegou ontem pelo correio, e comecei a ler
Perdida nas palavras à procura do sentido do título , parei, não queria ler depressa de mais.
Mas hoje de manhã numa quase compulsão não consegui parar de ler.
Ontem eram poemas de amor, fortes
Os de hoje falam de tudo, violência doméstica, violação, o lado mais negro de vidas que se perdem, de migrantes, da morte, da saudade
E o aperto crescente que senti rebentou em lágrimas que não contive e como a própria autora escreveu: "Eu vi a guerra de todas as maneiras na minha cabeça sem nunca lá ter estado."
Os poemas são fortes, tocantes, comoventes.
Que me fazem sair da bolha, do aconchego onde insisto em me esconder de tão revoltada que fico com o que vejo em volta.
Continuo à procura de mim nos livros de poesia que leio, e a busca contínua, ainda que em cada livro, e nalguns em muitos dos poemas, vá buscar um pedacinho.....
A escrita é exemplar, madura, sem medos,
O livro é imperdível
Profile Image for Laura (laura.s.m.m).
411 reviews30 followers
April 13, 2023
Poesia é despir os sentimentos e coloca-los em forma de verso... Primeira vez que leio algo da autora e confesso que gostei muito mais do que esperava! 
O livro é dividido em três partes, dividindo o "meu" e o "teu" corpo. 
Bastante fácil de se ler, ideal para refletir sobre os problemas que se passam à nossa volta (especialmente na segunda parte) e para refletir sobre nós mesmos (primeira e terceira parte). 
"Mas, afinal de que nos vale sermos grandes se nem mesmo aqueles que nos amam são capazes de salvar-nos de nós próprios?" 
22 reviews
May 16, 2023
Maravilhoso! Como pode o nosso corpo humano dizer tudo, ou melhor, traduzir-se em palavras?
Profile Image for Filipa Salgueiro.
89 reviews2 followers
Read
May 14, 2024
Tão bom e tão original…poemas para cada parte do corpo humano, numa escrita que nos convida a pensar em assuntos do dia-a-dia de forma bonita e, por vezes, até comovente.
Profile Image for Patricia Posse.
257 reviews2 followers
February 15, 2026
Servir-se de cada parte do corpo para um mote que origina um poema. É esse o modus operandi da Maria do Rosário Pedreira neste pequeno volume, que nos prende.
Profile Image for Inês Rito.
6 reviews
March 7, 2023
“Leio as tuas palavras numa cidade
estranha e cheira-me subitamente a
pão e casa. Ter-te comigo é como

poder andar descalça pelo mundo.”
Profile Image for Marta.
56 reviews
December 1, 2023
Requer um claro gosto por este tipo de poesia, mas alguns dos poemas são deveras interessantes.
Profile Image for Tiago.
58 reviews16 followers
June 18, 2023
martelo, bigorna e estribo
magnífico.

releitura: estômago na garganta, coração na boca e a mente no vácuo dos dias que virão
Profile Image for luz ⋆୨୧˚.
78 reviews
December 29, 2023
acho que foi o primeiro livro de poesia "a sério" que eu li, comprei na feira do livro da minha escola, mas não muito gostei da poesia
Profile Image for Sofia.
5 reviews
January 4, 2023
escrita arrebatadora! deixo um dos meus poemas favoritos:

- martelo, bigorna e estribo -

A escuridão entra, impertinente, em casa
do meu ouvido. Sem luz, a oficina - que
antes distinguia as vibrações do amor -

parece ter preguiça de funcionar: martelo,
bigorna e estribo estão cada vez mais
enferrujados para os teus segredos. Por

isso, quando te peço que repitas uma e
outra vez que ainda me amas, acredita, não

é saudade: estou realmente a ensurdecer
e ainda não domino a ventania das mãos.
Profile Image for Beatriz Afonso.
10 reviews
June 24, 2024
Ouvi o poema "Costas" há dois meses no podcast "O poema ensina a cair" e desde então nunca mais me saiu da cabeça. Tive de comprar o livro. "Costas" é o meu poema preferido, confere. Mas todos os outros têm uma beleza indescritível e são também, quase sempre, desconcertantes. É, com certeza, dos melhores livros de poesia que já li. 🤍
Profile Image for Madeline.
66 reviews
July 13, 2023
"Nesse verão, passeámos no campo e ouvimos a voz da terra contar segredos sobre nos. Não muito longe do lugar onde uma casa respirava pela chaminé como um ser vivo, achámos uma porta quase-velha deitada ao chão, fechada para o deslumbramento da manhã. Eu quis ir ver o que escondia, mas disseste que devíamos deixar o passado atrás da porta. Íamos - lembro-me bem - de braço dado."
7 reviews1 follower
February 18, 2023
Nuca

Do que se passa atrás de
mim, prefiro não saber; a
menos, claro, que tu decidas,

à traição, beijar-me a nuca.
Profile Image for Iris Sampaio.
23 reviews
March 21, 2023
Cada parte do corpo uma emoção. Belíssimo livro! Um dos meus preferidos é cabeça " Com um livro na mão, eu vejo, perfeitamente nítidos, todos os séculos."
Profile Image for bluperl.
5 reviews
July 27, 2023
4.5

*tem uns poemas muito tocantes e sofridos, dos quais gostei muito
*existem outros poemas mais suaves que também são bons
Profile Image for Ângela.
69 reviews1 follower
Read
November 2, 2023
Maravilhoso. O poema Cérebro foi impactante.
Displaying 1 - 30 of 35 reviews

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