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Poemas Malditos, Gozosos e Devotos

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Publicada pela primeira vez em 1984, a série de 21 poemas chamou atenção de imediato por se instalar em uma tradição rara na poesia lírica brasileira - o misticismo amoroso. Hilda Hilst retrabalha os grandes místicos, retirando deles o motor de um poema sensualmente religioso e incorporando a essa temática uma forma de versificar mais livre e clara. Hilda Hilst se faz reconhecer justamente no verso musical, melódico e de rimas inconstantes mas sempre surpreendentes. A inspiração religiosa, por sua vez, aparece no cantar íntimo da figura divina, que, colocada na mesma posição do eu-lírico, oferece-se à prática amorosa mas mantém, às vezes de maneira angustiante, um distanciamento que torna o amor sensual, desesperado e às vezes próximo da morte. O livro é acompanhado por um texto crítico de Alcir Pécora, organizador da coleção, uma cronologia e uma bibliografia dos trabalhos de e sobre Hilda Hilst.

96 pages, Paperback

First published January 1, 1984

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About the author

Hilda Hilst

86 books504 followers
Hilda de Almeida Prado Hilst, more widely known as Hilda Hilst (Jaú, April 21, 1930–Campinas, February 4, 2004) was a Brazilian poet, playwright and novelist, whose fiction and poetry were generally based upon delicate intimacy and often insanity and supernatural events. Particularly her late works belong to the tradition of magic realism.

In 1948 she enrolled the Law Course in Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo(Largo São Francisco), finishing it in 1952. There she met her best friend, the writer Lygia Fagundes Telles. In 1966, Hilda moved to Casa do Sol (Sunhouse), a country seat next to Campinas, where she hosted a lot of writers and artists for several years. Living there, she dedicated all her time to literary creation.

Hilda Hilst wrote for almost fifty years, and granted the most important Brazilian literary prizes.

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4 (2%)
1 star
2 (1%)
Displaying 1 - 15 of 15 reviews
Profile Image for Rosa Ramôa.
1,570 reviews87 followers
November 1, 2014
"Se um dia te afastares de mim, Vida - o que não creio
Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida -
Bebe por mim paixão e turbulência"
Profile Image for Felipe.
Author 9 books65 followers
July 24, 2018
"É rígido e mata
Com seu corpo-estaca.
Ama mas crucifica.
O texto é sangue
E hidromel.
É sedoso e tem garra
E lambe teu esforço
Mastiga teu gozo
Se tens sede, é fel.
Tem tríplices caninos.
Te trespassa o rosto
E chora menino
Enquanto agonizas.
É pai, filho e passarinho.
Ama. Pode ser fino
Como um inglês.
É genuíno. Piedoso.
Quase sempre assassino.
É Deus."
Profile Image for Carminda.
16 reviews4 followers
January 21, 2016
Hilda é brilhante. "Poemas Malditos, Gozosos e Devotos" serve-se da inspiração religiosa para se lançar numa procura incessante sem respostas.

"Estou sozinha se penso que tu existes.
Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança.
E igualmente sozinha se tu não existes.
De que me adiantam
Poemas ou narrativas buscando

Aquilo, que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e cimos, nomenclaturas

Naquelas não evidências
Da matemática pura? É preciso conhecer
Com precisão para amar? Não te conheço."
Profile Image for sue rr.
966 reviews88 followers
March 22, 2016
é muito interessante a busca transcendental de hilda, a qual sempre culmina em uma conversa com deus. ou com aquele outro, ou a outra face, tanto faz. é uma busca, como todos poetas buscam, de respostas para nossas maiores angústias.
Profile Image for Kelvin Dias.
101 reviews3 followers
December 21, 2023
"Se já soubesse quem sou Te saberia. Como não sei Planto couves e cravos E espero ver uma cara Em tudo que semeei. Pois não dizem que te mostras Por vias tortas, nos mínimos? Te mostrarás na minha horta Talvez mudando o destino Dessa de mim que só vive Tentando semeadura Dessa de mim que envelhece Buscando sua própria cara E muito através, a tua Que a mim me apeteceria Ver frente a frente. Há luas luzindo o verde E luas luzindo os cravos. Couves de tal estatura E carmesins dilatados Que os que passam me perguntam: São os canteiros de Deus? Digo que sim por vaidade Sabendo dos infinitos De uma infinita procura De tu e eu."

"Teus passos somem Onde começam as armadilhas. Curvo-me sobre a treva que me espia. Ninguém ali. Nem humanos, nem feras. De escuro e terra tua moradia? Pegadas finas Feitas a fogo e a espinho. Teu passo queima se me aproximo. Então me deito sobre as roseiras. Hei de saber o amor à tua maneira. Me queimo em sonhos, tocando estrelas."
Profile Image for Andres Eguiguren.
372 reviews3 followers
May 3, 2019
My first time to read a book in Portuguese, and in that sense no better place to start than with a slim book of twenty-one poems, which are, as the title implies, both religious and sacrilegious in nature. I seldom read poetry, but I liked Hilst's Com os meus olhos de cao (translated as With My Dog Eyes) and wanted to read more of her work. I would like to continue reading her work, though not all of it has been translated, so I will need to keep improving my Portuguese, or keep reading her poems as when it comes to poetry sometimes it's nice to read out loud for the sounds than precise meaning.
Profile Image for SANDRA.
59 reviews
December 31, 2023
“me devoras
com teus dentes ocos,
a ti me incorporo
a contragosto.

sou agora fúria
e descontrole.
agito-me desordenada
nos teus moles.” (pg. 410-411)

“a quem te procura, calas.
a mim que pergunto escondes
tua casa e tuas estradas.
depois trituras. corpo de amantes
e amadas.

e buscar
a quem nunca te procura.” (pg. 416-417).
Profile Image for Jan.
142 reviews3 followers
March 9, 2022
"Sorri. Te amei sonâmbula
Esdrúxula, mas te amei
inteira."
Profile Image for EIJANDOLUM.
310 reviews
Read
June 26, 2022
I am now fury
And out of control.
I agitate disorderly
In your softness.

I am […]
pulsating dark.

I am all that, the hollow bush
And the serpent of verses in your mouth.
Profile Image for gus.
57 reviews
January 23, 2025
"Se some, tem cuidado.
Se não some é fardo.
Cuida que ele não suma

Pois ficará mais pesado
Se sumir de tua alma.

É de uma Ideia de Deus que te falo.
Pesa mais se ausente
Pesa menos se te toma

Ainda que descontente
Te vejas pensando sempre
Num alguém que está aí dentro
De quem não conheces rosto
Nem gosto nem pensamento.

Cuida que tal ideia
Te tome. Melhor um cheio de dentro
Que não conheces, um fartar-se
De um nada conhecimento

Do que um vazio de luto
Umas cascas sem os frutos
Pele sem corpo, ou ossos
Sem matéria que os sustente.

Toma contento
Se te sabes pesado
Dessa ideia de Nada.
É um pensar para sempre.

E não sentes verdade
Que a vida vale em extenso
Altura e profundidade
Se vives do pensamento?"
Profile Image for Vanessa.
68 reviews14 followers
August 14, 2017
"Eu preferia
A grande noite negra
A esta luz irracional da Vida".
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