O Império Brazileiro é um retrato do país captado muito próximo ao fim do período monárquico e traz os momentos mais relevantes sobre a história da fundação do Brasil. Conhecer a história do Brasil pelos olhos de novos pesquisadores e livros didáticos é um caminho seguro e confortável, pois balizam a atividade de professores e historiadores para orientar estudantes e público em geral. Este é um livro diferente. Começa justamente pelo inverso: traz a perspectiva do período pela narrativa de uma testemunha e fonte confiável, que conheceu inúmeros atores da época e traduz, de forma única, a verdade despojada dos movimentos culturais das décadas seguintes, que passaram a nortear todos os livros de história do pós guerra. Ao longo de sua narrativa, Oliveira Lima revela inúmeros pontos-chave que tiveram enorme importância para a formação do país e fornece material para curiosos e pesquisadores sobre o legado do período monárquico – algo que reiteradamente tentou-se apagar da memória dos brasileiros e que, muitos acreditam, alimentou um vazio do sentido de pátria, que hoje começa a ser revisitado por grande parte do povo.
Manuel de Oliveira Lima (Recife, 25 de dezembro de 1867 — Washington, 24 de março de 1928) foi um escritor, crítico literário, diplomata, historiador e jornalista brasileiro.
Representou o Brasil em Portugal, na Bélgica, Alemanha, Japão, Venezuela, Inglaterra e Estados Unidos. Em 1924 tornou-se professor de Direito Internacional na Universidade Católica da América e foi também professor-visitante na Universidade de Harvard. Foi Membro-fundador da Academia Brasileira de Letras.
Apaixonado por livros, colecionou-os ao longo de sua vida e montou o terceiro maior acervo sobre o Brasil, ficando atrás apenas da Biblioteca Nacional do Brasil e da biblioteca da Universidade de São Paulo. Oliveira Lima, em 1916, doou a exuberante seção Ibero-Americana de sua biblioteca à renomada Universidade Católica da América, em Washington, a qual constitui, ainda hoje, o maior acervo de brasilianas fora do Brasil.
Morreu em 1928 e foi enterrado no cemitério Mont Olivet, em Washington. Em sua lápide não consta seu nome, mas a frase “Aqui jaz um amigo dos livros”.
Livro difícil de ler (li duas vezes), mas muito interessante sobre o império no Brasil. A maneira de descrever esse período de nossa história como bastidores de quem viveu e conviveu com figuras proeminentes desse tempo é o que traz o ineditismo dessa obra. Vale pena por ser uma maneira nova de registro histórico como testemunho intelectual, em que autor e personagem se confundem.