É impossível atribuir uma etiqueta a Tudo o que leva consigo um nome, de Francisco Mallmann. É poesia, novela ou performance? A voz que marca todo o livro é de um homem, de uma mulher ou de uma pessoa não binária? Esse é um livro atravessado pelo amor ou pelo ódio? É uma comédia ou um drama? Trata-se de política ou de algo mais trivial? Em vez de se fixar em um único caminho, Mallmann nos mostra as várias possibilidades da linguagem, com fluidez e sensibilidade.
Gosto sobretudo da capacidade de síntese, evidenciada nos pequenos socos cheios de rancor, nas frases e pensamentos curtos, mas incontidos, sem qualquer pontuação. Como pequenas bombas que vão caindo pagina a página no colo do tal Fernando ingrato. A figura de Fernando, aliás, vai ruindo em grandes nacos e não sobra nada, nem um direito de resposta. Pois, afinal, a escrita pode ser usada justamente para esses ardis, para não dar dar ao outro o direito de resposta. Para deixar sair tudo, sem interrupcao. Ah eu gostei bastante desse livro, achei-o bem feito, bem tramado, feito a partir de pequenas gotas minúsculas e ácidas, capazes de tomar uma folha inteira. E senti o poder de vingança da literatura quando li: "vais atirar entao/ atira que também sei eu atirar/ treinei coisas que nem desconfias".
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Eu normalmente não gosto muito de poemas, mas esse livro me prendeu, talvez por ter uma história por trás de todos eles. A escrita de Francisco é incrível, mas eu sai do livro com a sensação que perdi algum ponto da história. Apesar disso é divertido
Vi por acaso em uma livraria, não levei mas fiquei pensando nele por dias. Foi difícil reencontrar mas valeu a pena. Sinto que vou ficar pensando nele por muito tempo.
O que me pega na leitura é a forma, não canso de exaltar as diferentes formas de escrita, já que, todos os temas JÁ foram escritos desde o tempo das cavernas. 'Tudo o que leva consigo um nome' é Novela disfarçada de Poesia, é romance, é tudo reinventado.
Um livro útil, eu diria. senti que é a proposta pra pessoa leitora é de que elu seja capaz de fabricar sua própria ferramenta com a leitura: algumas mais afiadas, outras mais pesadas e outras de dois gumes. E outras outras, vai saber.