Genevieve Valentine has sold more than three dozen short stories; her fiction has appeared or is forthcoming in Clarkesworld, Strange Horizons, Journal of Mythic Arts, Fantasy Magazine, Lightspeed, and Apex, and in the anthologies Federations, The Living Dead 2, The Way of the Wizard, Running with the Pack, Teeth, and more.
Her nonfiction has appeared in Lightspeed, Tor.com, and Fantasy Magazine, and she is the co-author of Geek Wisdom (out in Summer 2011 from Quirk Books).
Her first novel, Mechanique: A Tale of the Circus Tresaulti, is forthcoming from Prime Books in May 2011. You can learn more about it at the Circus Tresualti website.
Her appetite for bad movies is insatiable, a tragedy she tracks on her blog.
O que dizer de uma história sem começo ou fim. A leitura do Circo Mecânico te empurra nessa fantasia caótica e sofrida sem nenhum aviso prévio. Tropeçando nos primeiros capítulos é um verdadeiro desafio se situar entre cenários, personagens e acontecimentos do presente e do passado.
Assim com Little George, conhecemos o Circo com um olhar ainda ingênuo, sem entender o que se passa por trás das cortinas. No começo, tudo parece estranho e assustador, um pesadelo com vislumbres de um sonho, que mistura um ideal luminoso e mágico com cheiro de sangue e ferro.
O conceito de máquina integrado ao ser humano pessoalmente sempre me assustou bastante, só de pensar em perder a humanidade orgânica, me dá nos nervos. Essa "escolha" de canos e engrenagens parece ser uma total loucura de soldados frustados e uma sádica entediada, acaba sendo mais complicado que isso.
Ao amadurecer de George também crescemos nossa percepção sobre o picadeiro e artistas, demorei muito para perceber que o verdadeiro vilão de toda a história não é Boss, Elena, Bird, Stenos ou mesmo o Homem do Governo.
O Circo, na verdade, durante toda a sua história enfrenta a realidade - com suas guerras e solidão. A faca de Boss é uma lembrança da fragilidade do corpo humano e a possibilidade de se fazer mais forte, a frieza de Elena é reflexo da racionalidade, necessária para sobreviver entre fugas e perdas, a ambição competitiva de Bird e Stenos, significa para eles, respectivamente, o sonho de fugir e ser de finalmente amado, o homem do governo enfim trás a verdade, a guerra do mundo lá fora, que clama e necessita de guerreiros indestrutíveis para instaurar a paz e retomar a sociedade.
E contra tudo isso, a vontade deles de se permanecer autênticos, serem espetáculo, serem mentira, serem família, serem inimigos, serem arte, serem livres para serem o que quiserem ser e não somente armas ou alvos. Entre todos personagens, há muita história e traumas por trás, tão difícil quanto se apaixonar por um deles, é os odiar.
O tempo absolve quase tudo, e o que sobra de sentimento sobre cada um dos personagens, é pena. Um trecho do livro diz o seguinte “durante toda a vida, Ying supôs que Elena fosse naturalmente cruel. Perguntava-se agora se a crueldade simplesmente surgia quando o mundo estava desabando e não havia nada mais a se fazer a não ser brigar”.
Diante da eternidade, nomes humanos não precisam ser lembrados, diante da guerra, a morte é uma banalidade, diante condenados, não há espaço para esperança. Dito isto, são eles ainda, que seguem pintando os rostos, usando lantejoulas e gerando aplausos. E são eles ainda que continuam juntos sendo amantes, irmãos, amigos, namorados e tantos outros laços complexos e impossíveis de classificar.
Como explicar as dimensões de sentimento que existem entre Bird e Stenos, Stenos e Elena, Elena e Alec, Alec e Boss, Boss e Panadrome, Boss e George, George e Ying, Jonah e Ayar, ou entre os irmãos Grimaldi. São muitas histórias, muitas dores, muitas cicatrizes, e unindo todas elas, para além da magia, a vontade de viver e de prosperar.
Finalizo dizendo que, apesar de toda sua mecanicidade, o Circo é sobre pessoas e sua capacidade de se unirem, transformarem e sobreviverem. É sobre sonhar, cair e alçar voo.
Esta leitura foi para mim um café um pouco forte demais pela manhã, deixa um gosto amargo na boca, mas no fundo você sabe que precisava daquilo para acordar
Senhoras e senhores, preparem-se para o espetáculo!!!
A história basicamente é você acompanhar o circo mecânico e todas as suas esquisitices. Com um toque de mistério e magia, a gente vai entendendo todas as intrigas que acontecem nos bastidores do picadeiro.
Não é nada surpreendente. Odiei la diálogos serem com aspas QUEM USA ISSO?!!?!
A guerra veio e parece nunca realmente ir embora, o governo é sempre novo (ou, ao menos, os Homens do Governo são sempre novos) e, quase como uma curva fora da reta, somos apresentados ao Circo Mecânico Tresaulti, uma das poucas coisas belas que sobreviveu tais tempos difíceis. No circo, comandado pela misteriosa Boss, sobreviventes de guerra realizam espetáculos de tirar o fôlego.
“A plateia nunca está sentada ao final do Circo Mecânico Tresaulti; está sempre de pé, assoviando e batendo nas tábuas, derrubando copos de cerveja na terra. Eles não notam os copos; seus olhos estão na lamparina dourada, nas trapezistas que bamboleiam plataforma abaixo e recebem os aplausos no chão, sobre os homens que só podem sorrir porque seus braços ainda estão travados nos travessões. É mágico, e o público bate palmas enquanto suas mãos conseguirem suportar. (Quem sabe se algo lindo jamais aparecerá novamente?)”
Boss tem a incrível habilidade de consertar quem chega até ela. Membros dilacerados ou órgãos acometidos por doenças são facilmente substituídos por engrenagens e partes mecânicas. É assim que a trupe é formada: Boss os salva. Entretanto, durante o livro, somos provocados a nos perguntar: “a que custo?”.
Com seus novos nomes e novas vidas, histórias fascinantes e personalidades complexas, o livro nos apresenta os membros mais importantes do circo (os que sobrevivem por causa de Boss). Em capítulos curtos, somos convidados a entender como funciona a peculiar dinâmica entre eles longe das luzes dos holofotes. A narração alterna entre primeira pessoa (a visão de Little George, um garoto praticamente criado no circo que inocentemente deseja ser consertado por Boss, ainda que não haja nada errado com ele), segunda pessoa (aqui você é convidado a se colocar no lugar do personagem, a ser uma das criações de Boss ou um espectador ou um homem do governo) e terceira pessoa. Esse é um dos grandes desafios da leitura, já que é um pouco difícil se acostumar a singularidade da escrita de Genevieve, mas, acredite: quando você conseguir se adaptar, se encontrará submerso nos mistérios que cercam os trailers do Circo Tresaulti.