Os dez contos do autor paulista, circulam em uma geografia quase bucó casas, portões, quintais, vizinhos, parentes, pais e filhos; no limite entre o idílio rural remanescentee a violência das cidades grandes. Carrascoza é autor de "Vaso azul" (1998) e "Duas tardes" (2002), entre outros.
João Anzanello Carrascoza (Cravinhos, interior de São Paulo, 1962) é um escritor e professor universitário brasileiro.
Estreou-se com o livro Hotel Solidão (1994). Publicou vários livros de contos, como Duas tardes (2002), Espinhos e alfinetes (2010), Amores mínimos (2011), O volume do silêncio (2006, prêmio Jabuti) e Aquela água toda (2012, prêmio APCA).
Em seu primeiro romance, Aos 7 e aos 40 (Cosac Naify, 2013), Carrascoza escreveu que “o presente é feito de todas as ausências”. Em Caderno de um ausente (Cosac Naify, 2014), essa ideia se materializa de forma contundente, alçada por um lirismo poucas vezes visto na literatura brasileira.
A sensibilidade neste livro é algo tremenda. Algumas construções geniais como a conexão pulsante entre mãe e filho no Umbilical. Agradáveis de ler e para estudar como bons contos são construídos.
Contista terno e comovente, Carrascoza nessa coletânea traz alguns inéditos e alguns mais conhecidos com toques de genial e triste. Para fãs de literatura contemporânea e de contos, imperdível.
Ouvi pela plataforma Storytel narrado por Jorge Lucas. Coletâneas de contos que se passam em cidades do interior, sempre tão parecidas, trazendo lembranças de infância, parentes saudosos, sabores, cores, odores e sensações que estão tão distantes mas parecem estar sempre na superfície, trazidas à tona por algum evento ou acontecimento banal. Adoro a escrita do autor, suas histórias são muito nostálgicas, comoventes mas de uma forma muito sutil, sem apelação, aquele tipo de conto nostálgico que nos deixa com uma dorzinha na alma e um sorriso no rosto, tudo ao mesmo tempo. O equilíbrio perfeito.
Editado pela Planeta em 2004, este livro com 10 contos do escritor, publicitário e professor universitário João Anzanello Carrascoza (1962) mereceu uma orelha e tanto escrita por Cristóvão Tezza, que elogiou o livro como “delicada prosa”. De fato! Debruçado sobre temas que veio a trabalhar novamente em seu último livro, Aquela Água Toda (2012) – a saber, as relações familiares, permeadas, na maior parte das vezes, pelas lembranças da infância – , Dias Raros emociona.
Alguns contos dão vontade de serem lidos ao lado da mãe, do pai, do irmão, da primeira namorada, como que para pedirmos desculpas de que o passado que tivemos juntos seja o melhor presente que podemos lhes dar no momento. Nesse passado, o que sentimos, mesmo quando os contos são narrados pela boca de uma criança, de uma mulher, é a voz do escritor querendo resgatar o instante mágico. Não que sejam, sempre, instantes alegres. Existe uma certa dor nessa voz, que alerta que a magia é uma emoção híbrida: o encontro da inocência com a maturidade.
Dos contos do volume, quero destacar três: Umbilical, que trata de um momento na vida de uma mãe com um filho que não consegue emprego, narrado com vozes que se prendem uma na outra, até o instante em que mãe e filho se contemplam, de novo, como recém-nascidos. É, para mim, o melhor conto do livro e um dos mais lindos que já li até hoje. Me levou às lágrimas nas três vezes que o li; Janelas, que trata do reencontro de irmãos que, agora adultos, pouco se veem; e Dias Raros, outro conto que me fez chorar, que fala das férias de um garoto na casa da avó que antes ele só via em rápidas visitas.
Leitura que me caiu como uma luva na Quarentena. Um escapismo rápido e prazeroso através de uma escrita sensível e histórias recheadas de sentimentos familiares. Saudosismo, ambientes bucólicos, relações com entes queridos e pessoas das quais gostaríamos de ter convivido mais ou estar próximos nesse momento.
Adorei! Mais um livro dele que gosto bastante. Esse livro é um compilado de 10 contos, uns muito bons e outros ok. Adorei o audiobook, a interpretação esta excelente. Vale a pena!