m 1762, Portugal recebeu um ultimato: juntar-se à Espanha e França na Guerra dos Sete Anos ou ser invadida por eles. Sem exército e com os cofres vazios, o reino precisa a todo custo manter a amizade com a sua mais poderosa aliada, a Inglaterra. Para isso, o soldado brasileiro Érico Borges é encarregado de seguir os passos da Confraria da Nobreza, uma sociedade aristocrática que, inconformada com a ascensão social da burguesia promovida pelo Marquês de Pombal, está disposta a tudo para manter os seus privilégios – até mesmo sabotar o país e entregar a estrangeiros. Aliado a uma influente “salonnière”, um soldado inglês fanfarrão e um estudante expulso de Coimbra, Érico corre contra o tempo entre as intrigas de um palácio de madeira, as batalhas nas montanhas, e os subterrâneos da capita portuguesa, numa aventura em que não faltarão sangue, suor e vinho do Porto.
Segundo livro da série iniciada com Homens Elegantes. Traz o mesmo protagonista, mas pode ser lido de maneira independente, como os livros da série 007 ou As Aventuras de Sharpe. O escritor e tradutor Samir Machado nasceu em Porto Alegre e é mestre em Escrita Criativa pela PUC-RS. Homens Cordiais, assim como Homens Elegantes não é um romance histórico convencional. Samir dosa uma trama de capa e espada, passada nos tempos coloniais com referências pop e traz um protagonista LGBTQ+ em ação na Europa do século XVIII.
“O que James Bond, Umberto Eco e Portugal no século XVIII têm em comum? O que poderia juntar referências a vilões clássicos da animação, trocadilhos inusitados e o musical Hamilton? Em Homens cordiais, Samir Machado de Machado mais uma vez faz disputas políticas de séculos atrás conversarem com o Brasil e o mundo de hoje em dia. Ver o soldado Érico Borges tentar decifrar os planos da Marquesa de Monsanto um instante antes de tudo ir para os ares é ver uma partida de tênis ― só que com explosões. E explosões deixam tudo melhor.” Luisa Geisler
Samir Machado de Machado nasceu em Porto Alegre, em 1981. É escritor, tradutor e mestre em escrita-criativa pela PUC-RS. É autor, dentre outros, dos romances Quatro Soldados, Homens Elegantes (Prêmio Açorianos de Literatura 2017), e Tupinilândia (Prêmio Minuano de Literatura 2019), Ganhou duas vezes o prêmio Jabuti de Melhor Romance de Entretenimento, em 2021 por Corpos Secos, co-escrito com Luísa Geisler, Natália Borges Polesso e Marcelo Ferroni, e em 2024 por O crime do bom nazista. Sua obra já foi traduzida para o francês, o italiano e o inglês.
Eu adorei esse livro. Foi um prazer reencontrar o Érico depois de tanto tempo. Abrir a página foi como acompanhar um amigo que não vemos há tempos, mas que já na primeira troca de palavras fica claro que continuamos em sintonia. E dessa vez em Portugal! Eu adorei as outras personagens do livro, as referências e, em claro, a escrita maravilhosa do Samir.
1762. Portugal. Após curto período de descanso desde o desfecho do caso investigado no ano anterior em Inglaterra a serviço de Sebastião José de Carvalho e Melo (Conde de Oeiras e Marques de Pombal), o brasileiro-luso-britânico Érico Borges é novamente convocado à Lisboa para tentar descobrir a origem de uma série de panfletos apócrifos assinados por uma misteriosa Irmã Xerazade, contrários aos interesses do reinado de D. José I, e do governo do Conde de Oeiras.
Louco para retornar à Londres, onde Gonçalo, seu grande amor o aguarda, Érico se vê envolvido em uma série de acontecimentos que fogem ao seu controle: os panfletos apócrifos aparentemente têm ligação com as ameaças recebidas de Espanha e França, e que resultou na Invasão Espanhola de Portugal, iniciada em 5 de maio de 1762 e encerrada em 24 de novembro de 1762, episódio da Guerra dos Sete Anos.
É a partir dessas premissas que Samir Machado de Machado novamente encanta com uma história resultante de uma mixórdia de estilos, e que reforçam a sensação de apoteose e de júbilo que tenho sempre que leio os seus livros, assim como já o havia feito em Homens Elegantes. É assim como também se passa em Quatro soldados que narra histórias no período da Guerra Guaranítica, ocorrida no sul do Brasil entre 1753 e 1756, quando os personagens Érico e Gonçalo são brevemente apresentados, embora apenas em Homens Elegantes venham a se conhecer.
Outro ganho nas histórias escritas por Samir é que esses capítulos da história luso-brasileira que muitas vezes nos passam batidos, não são apenas pano de fundo para o desenvolvimento de suas histórias. São essenciais para as nações que somos hoje. É também uma forma de pensar o que queremos ser como nação. De fato, não é apenas o entretenimento que encontramos nessas páginas.
Seus personagens também não deixam por menos, pela criatividade de escolha e desenvolvimento e que por vezes, para o bem e para o mal, são baseados em pessoas reais. Além disso, a leitura é tão corrente que flui feito água num belo riacho e torna-se quase impossível deixar o livro de lado até sua conclusão. A arte que consta nas páginas das edições impressas, sem palavras, são belas, são edições muito bem caprichadas.
Que venham mais diversas histórias de Érico e seu amado Gonçalo, de fanchonos e de tríbades, de mulheres que lutam por respeito em sociedades onde são praticamente objetos, etc. Eu as lerei com a mesma fascinação e entusiasmo.
Carol já disse tudo, mas venho aqui concordar. Esse livro tá maravilhosamente recheado de referẽncias e a diversão proporcionada por elas sempre me fazia esquecer das tantas nuances e estratégias das guerras (narrativas que não costumam me apetecer). Gosto que esse segundo volume se mantém fiel a três obsessões temáticas (com as quais compactuo): livros gostosos, homens gostosos, comidas gostosas. Saí querendo ler mais, beijar mais, comer mais coisas deliciosas (especialmente quitutes portugueses). Leiam!
Mais ume estória soberba do Erico Bastos, cujas aventuras iniciam em Homens Elegantes. Intrigas, batalhas, traição, história, amizade e muita doçura. Imperdível!