A Noite Abre Meus Olhos reúne toda a poesia publicada por José Tolentino Mendonça. A terceira edição, de 2021, foi atualizada com todos os poemas que o autor publicou até à data e surge agora em versão encadernada.
JOSÉ TOLENTINO de MENDONÇA nasceu no Machico, a 15 de Dezembro de 1965. Licenciou-se em Teologia na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, com uma tese sobre a poesia de Ruy Belo. Concluiu a Licenciatura Canónica em Estudos Bíblicos no Pontifício Instituto Bíblico, em Roma. Foi ordenado padre em 1990. É, desde 1990, capelão e professor na Universidade Católica de Lisboa. Viveu e estudou em Roma, onde preparou a sua tese de doutoramento em Teologia. Além de poeta, é também ensaísta e tradutor. Foi condecorado, pela Presidência da República, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, em 2001.
José Tolentino de Mendonça, como muitos poetas da geração dos anos 80/90, retoma uma certa tradição lírica portuguesa. Lirismo todavia assaz particular, delicado, envolto em recato.
"Mesmo que faça frio não aproximes do fogo um coração de neve"
José Tolentino Mendonça
***
Este livro marcou presença na transição das estações: veio ter comigo num dia quente (mas com uma noite fria) de Verão, povoou de modo fragmentado os dias de Outono e só no pico deste gelado Inverno é que o dei por terminado; li e reli poemas até constatar que José Tolentino Mendonça se tinha tornado uma das minhas principais referências da poesia lusa: junto-o agora ao coração, ao lado de Al Berto e de Daniel Faria. Toda a sua poesia é sublime, mas encontrei uma morada imaterial onde prefiro pernoitar: "A Papoila e o Monge".
O corpo tem degraus, todos eles inclinados milhares de lembranças do que lhe aconteceu tem filiação, geometria um desabamento que começa do avesso e formas que ninguém ouve
O corpo nunca é o mesmo ainda quando se repete: de onde vem este braço que toca no outro, de onde vêm estas pernas entrelaçadas como alcanço este pé que coloco adiante?
Não aprendo com o corpo a levantar-me, aprendo a cair e a perguntar
Definitely my favourite poetry book. Mendonça's poetry has a unique mystical tone that makes reading his work almost an iniciatic experience. For a catholic priest he mixes sacred and profane in quite a pagan way. Many of his poems sound highly erotic in a non-explicit way. The intimacy he establishes between the poetic subject and object is weirdly visceral. His constant use of fire as a metaphor is very interesting, reminds me of Moses burning bush.
Um dos meus escritores e poetas portugueses preferidos. Nesta poesia reunida o autor transporta-nos, leva-nos para paisagens mais ou menos proximas das "paisagens" metaforicas da vida, com o seu ordenamento imprevisível das palavras. Um elemento muito interessante e recorrente no livro é o fogo, a chama, que com Tolentino ganha um elevado valor poético. Tem também referências à arte, à literatura e à grécia antiga.
Ler poesia não é simples. Nos faz pensar e refletir sobre a nossa humanidade e existência. Dom Tolentino Mendonça é um observador sensível aos problemas humanos, sociais e divinos. É um artífice da palavra.
A sua obra é para ser lida mais que uma vez e nela descobrir o significado que para nós têm, no momento da leitura, as metáforas que utiliza.
Cito a sua definição de poema: « O poema é um exercício de dissidência, uma profissão da incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido….» «… O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia».
Uma poesia linda de morrer. Pena o pós-fácio que se mete em intelectualidades adornianas e benjaminianas só para masturbação intelectual. Foi como comer um bolo maravilhoso e alguém pôr sal encima.
O que mais me impressionou foi a catolicidade da personagem, tendo em conta o teor dos poemas deu para humanizá-lo e vê-lo como um ser como nós todos. Que se preocupa, seja com as fronteiras, com as pessoas em mendicidade, enfim, é impressionante só sabendo o que o Vaticano faz e sempre fez.
Poesia linda de morrer e vale imenso a pena, terei este livro na estante para folhear em dias perdidos.
La obra reunida de quien, para mí, es un gran poeta portugués. Los poemas de José Tolentino Mendonça no dejan a salvo al lector, quien inevitablemente es conmovido por las imágenes sutiles que le presenta el poeta. Se destaca también, y es la parte que más disfruté leer, la poesía en forma de haikú que ocupa unas cuantas páginas del libro y que son, como el propio autor lo indica en un pequeño texto explicativo, el resultado, aunque distanciado en el tiempo y el espacio, de un viaje que lo llevó por varias ciudades de Japón, país de origen, como se sabe, del haikú.