Composto por dois poemas longos, à maneira de ensaios: "O poema no tubo de ensaio" trata da vocação conceitual e ensaística da poesia; "Parque das ruínas" parte da crise no Rio de Janeiro para relacioná-la ao pensamento sobre a imagem em alguns artistas, como Jean-Baptiste Debret e David Perlov.
Marília Garcia nasceu no Rio de Janeiro, em 1979. Graduou-se em letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde defendeu a dissertação Velocidades e vozes sobre o livro Galáxias, de Haroldo de Campos. Tradutora, também integra o conselho da revista de poesia Inimigo Rumor, da editora 7Letras. Seu primeiro livro foi Encontro às cegas (Moby Dick, 2001). Lançou, em 2007, 20 poemas para o seu walkman, uma coedição Cosac Naify e 7Letras. O livro integra a coleção Ás de Colete e concorreu ao Prêmio Portugal Telecom de 2008.
Procurei esse livro pelo primeiro poema e dele gostei bastante! Fala de tempo e olhar para trás (ou para frente, segundo a tribo andina), e como nossa percepção das coisas surge a partir do nosso presente. Uma reflexão que se aplica bem a toda a tradição literária. O segundo não ressoou tanto comigo.
Excelente livro de Marília Garcia. O trabalho dela é singular. Uma poesia que cobre todos os sentidos. O ritmo, os sons e a imagem, a visão. Mesmo lida é performática.
Nestes poemas discute-se a memória, a efemeridade das certezas em uma digressao [termo que encontrei em algumas criticas e achei mais do que apropriado] em que os fios que compõem seus poema se entrelaçam ao longo de seu desenvolvimento e citações passadas retornam para a construção de novas visões sobre um tema. A forma de escrever é quase escultural criando mais de uma dimensão.
É um grande exemplo da produção contemporânea poética brasileira de qualidade.
das coisas mais bonitas que já ouvi na vida. minha irmã que mostrou pensarei a vida inteira lembrei muito do g m-c, passei a ler perec e rendeu uma saída pra fotografar e olhar detalhes, permanências e impermanências da cidade
Indicação de uma professora de escrita criativa do CLIPE especificamente para o projeto que estou desenvolvendo. Não conhecia esse livro e amei muito o formato, essa poesia-ensaio ou ensaio-poesia, com fotografias intercaladas, livre, provocativo, com link de vídeo de youtube no meio e frases belíssimas. Uma amiga me emprestou o livro (que está esgotado em tudo quanto é canto) e outra me enviou o vídeo da leitura de parte dele. Já vi Marília lendo seus poemas ao vivo com imagens no Festival de Poesia do Centro e posso afirmar que foi das coisas mais lindas que pude viver esse ano!
Me gustó muchísimo. Recién me estoy adentrando en la poesía brasileña contemporánea y es espectacular. Hay muchos puntos de partidas en este poemario, si es que lo denominamos así. Lo visual y lo gráfico, el laburo con el archivo, la cita de obras de autores y quizás para mí la pregunta como un gran punto de partida de los poemas. La pregunta por los diferentes géneros literarios y sus propios límites ahora en éste siglo. Estoy encantadisima, super recomiendo este libro y también la editorial Mandacaru que es hermosísima!!!!!
Bernstein, assim como Marília, avisa que o tempo (ou o timing) é o senhor da linguagem. A vírgula, a quebra da linha, o retorno a uma imagem depois de trinta anos, a gravidade agindo daqui a alguns segundos enquanto uma criança caminha na rua, são os acentos que separam aquilo que observamos daquilo que vemos. Marília volta às ruínas e nenhuma das duas é a mesma, a ideia de ensaio também não, as amarras que ditam o que é um poema também não.
o que se passa todos os dias e que volta todos os dias o banal, o cotidiano, o óbvio, o comum, o ordinário o infraordinário o barulho de fundo, o hábito - como perceber todas essas coisas? * às vezes a leitura é um jogo de escala: é preciso se aproximar a ponto de perder o todo mas outras vezes é preciso se afastar muito do texto
Talvez, ao fim, performance fosse mesmo sobre se jogar no chão. E a vida sobre se jogar no mundo. E talvez, jogar seja ainda um verbo para tudo aquilo que é teste. Viver é testar e investigar a vida. Bonito!
3,5 Quem sou eu pra julgar poesia? Leitura muito gostosa, facil e fluida. Pra quem gosta de escrever, traz insights muito interessantes. Terminei contente