Um povo que foi escravizado e discriminado pode refletir sobre as consequências desses atos de diversas maneiras, inclusive sentimentos. Dor, amor e revolta são alguns deles. Dor pelas injustiças, amor uns com os outros e revolta como uma resposta. Nesta coletânea de poesias informais esses afetos são expressos de maneira artística, buscando não somente repensar sobre a nossa realidade como também emitir o que muitas vezes não é dito em voz alta.
Eu não entendo de poesia, mas entendo de coisas que falam comigo. E isso aqui falou MUITO comigo. Então 5 estrelas sim. Não sei como vai ser a experiência de outras pessoas, mas a minha lendo foi maravilhosa. Obrigado, Lelê!
É justamente isso que senti ao ler esse livro com coletâneas, senti o grito que muitas vezes é oprimido sendo posto no papel e passado adiante, parabenizo a autora pela expressão tão crua das dores de sua vivência e pelo cuidado ao demonstrar os gatilhos no início do livro. Certamente vou procurar mais produções da autora para ler.
Lelê verteu de um jeito profundo ao escrever esse livro e ela, com certeza, o fará verter também. Ao ler essas poesias, permita-se encontrar com a sua vulnerabilidade e exposição. Permita-se sentir e aprender. Não leia esse livro sem antes abrir o coração e os ouvidos para captar a fala de uma mulher negra que não reprime suas emoções. Seja encorajade a sorrir, chorar, sofrer e, acima de tudo, viver.
Oi, pessoal, tudo bem? Chegou a resenha do meu último livro lido, o livro Afro Afetos: poesias de amor, dor e revolta, no qual conheci a escrita da Lelê Alves e me encantei. Trata-se de um livro curtinho mas com um conteúdo que transcende as suas páginas. Venha ver o que eu achei!
Antes de falar do conteúdo do livro, preciso falar um pouco sobre a capa, que acaba se ligando ao texto da autora por retratar a necessidade de o povo preto se unir em busca de uma vida digna, uma vez que a segregação e competitividade entre os próprios pretos, citadas em algumas das poesias da Lelê nesse livro, é extremamente prejudicial.
E é sobre o povo preto que Afro Afetos fala, levando em consideração não só a vivência da autora como mulher preta, mas também a história desse grupo de pessoas e de todo o amor, a dor e a revolta que elas sentem. Afinal de contas, o livro é dividido em três partes, começando com os poemas de amor, que, talvez em minha ingenuidade, eu tenha imaginado que fossem algo mais positivo, sendo que vi uma realidade diferente da que imaginava mas que, agora percebo, é extremamente real: o amor para as pessoas pretas é difícil, muitas vezes inacessível; algo bastante explorado também em canções da Luedji Luna, se você quer saber de um exemplo na música.
E, se os poemas de amor são meio que dolorosos — genuinamente dolorosos, pois são, acima de tudo, verdadeiros —, os poemas de dor, que vêm logo em seguida, são um tiro no peito. Se eu, como homem branco, senti esses poemas por conta do meu viés empático, tenho a certeza de que viver isso na pele, esse medo na pele, essa dor refastelada e essa desconfiança de que a situação dificilmente vai melhorar, é mais cruel ainda.
Durante vários momentos na leitura, eu me pegava parando de ler, absorvendo as palavras que via. Elas não faziam sentido… até que faziam, até que eu percebia situações que nunca tinha percebido. O livro me abriu os olhos para questões importantes mas, ainda assim, que eu não percebia por conta da bolha em que vivia. O racismo está, sim, escancarado, mas, assim como mostra os poemas da Lelê Alves, também se encontra nas entrelinhas. Nem sempre a gente que é de fora vê.
E os poemas de revolta, portanto, foram um verdadeiro marco para mim. É uma revolta contra o sistema, contra o presidente e o que ele prega, e isso para mim foi grandioso, pois a Lelê tem uma voz potente, que instiga, que chama à luta, e, se nos poemas de amor e de dor eu simplesmente entendia o que me era mostrado, tive uma sensação de maior proximidade nos poemas de revolta, pois alguns deles são referentes a questões que eu também trago em meus textos.
Leia Afro Afetos, mas leia com cuidado, pois pode ser uma leitura dolorosa. O texto da Lelê Alves fala sobre amor, dor, racismo, preconceito, sexualidade e muito mais. É um conteúdo gigantesco para tão poucas páginas. É um livro que deveria ser lido nas escolas. Recomendo, e recomendo fortemente. Espero poder ler uma outra obra da autora em breve.
Já estava ciente de que a Lele arrasaria mais uma vez, mas ninguém me avisou que eu seria a vítima.
Me senti completamente exposta e vulnerável a cada poesia que lia, é como se ela capturasse tudo da minha vivência e colocasse de maneira poética nesse livro. Lindo, cru e tão verdadeiro.
Nunca fui boa com poesias, mas essas sem dúvidas se tornaram minhas favoritas.
"por nascer condenada. com a pele retinta. tenho que ouvir todos os dias. que eu sou vitimista. mas se eu sou vitimista. por favor alguém me explica. por que continuo sendo seguida. em cada avenida?"
Palavras duras pra quem vive uma eterna dor dos antepassados e luta até hoje pra sobreviver. Forte e decidida que não deve ficar calada, poesia é isso.