Fica o leitor advertido de que esta ficção é completamente alheia à realidade. Tudo nela é falso, desconcertante, fictício e quase nada verídico. A viagem que aqui se empreende ao âmago da pungente metáfora que anima o Clube dos Caçadores de Székely é, todavia, inspirada em factos absolutamente reais. Atanas Viktor, o desamparado adolescente herdeiro de uma longa linhagem de caçadores impiedosos, é a personagem central desta incursão a um tempo de ódio e de uma história apartada do mundo, marginal e contada a partir de um lugar ermo, espantoso e medonho que só existe na literatura — mas cada vez mais próximo da soleira da nossa porta.
A trabalhar na imprensa desde 1989, recebeu em 1994 o prémio de jornalismo da Lufthansa e, em 1996, a menção honrosa dos Prémios Gazeta de Jornalismo do Clube de Jornalismo/ Press Club.
Estreou-se nas letras em 1996 com o livro "O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual", tendo sido convidado, nesse mesmo ano, a participar na colectânea "A cidade sonhada", a par de alguns dos mais reputados escritores, poetas e artistas do Porto. O livro de contos "O Silêncio de um homem só" (2004) valeu-lhe o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.
Tem participado em várias publicações e antologias, entre as quais se destacam: “Porto.Ficção” (edição Asa), “Putas – Antologia do Novo Conto Português e Brasileiro” (edição Quasi), “Porto, Fragment de Vie” (da editora francesa L’Escampette), “Doze Contos com Livros Dentro” (edição Campo das Letras), “Suplemento Literário de Minas Gerais” e “Bestiário” (ambos do Brasil), “Magazine Artes” e “Imagem Passa Palavra” (edição Cooperativa Gesto). Escreveu ainda os textos dos livros “Vitória: Verso e Reverso” (edição Afrontamento) e “Mário Marques, Para Além do Instante” (edição do Centro Português de Fotografia).
Desde Julho de 2001, o seu nome consta do Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX, da Porto Editora, sendo o mais jovem dos nomes biografados.
Em 2012 foi lançado o romance "Somos Todos Um Bocado Ciganos".
Em fevereiro de 2014, o seu livro "Uma mentira mil vezes repetida" (romance de 2011) conquistou o Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas.
Entrada direta para o top dos melhores livros que li em 2020. Distopia desconfortavelmente encostada à realidade dos nosso dias, uma obra crua e em que a violência verosímil nos faz ranger os dentes. Uma obra ficcional que podia ser verdadeira. Basta ver as notícias e perceber como Szekély podia ser um país aqui ao lado e o Burgomestre Strumpf uma figura política adotada pelo jornalismo de faca e alguidar, desejo de soundbytes e polémicas. E perceber como podem as narrativas de poder e de autoritarismo corromper as mais delicadas das almas e empurrar toda uma sociedade para um abismo civilizacional. Um romance urgente.
Este livro tem uma linguagem de ódio muito forte e bastante violenta, sendo que vemos o mundo da perspetiva de uma pessoa "ignorante". A narrativa passa-se algures depois de 2015 na Transilvânia no entanto, os comportamentos desta família e das pessoas desta narrativa são deploráveis, algo completamente retirado da idade média. O racismo, a xenofobia, o sexismo, a violência doméstica, o tráfico humano, a violação e a violência gratuita e o homicídio são assuntos tratados neste livro pela personagem principal como assuntos levianos, do dia a dia. Ele cresceu rodiado disto e tem uma visão glorificada do seu pai e do seu avó caçadores de renome destes tais "refugiados". No entanto, conseguimos perceber que esta personagem principal começa a questionar os próprios princípios com que cresceu, a certo ponto, e a imagem glorificada do pai começa a desaparecer, começando a ve-lo como uma "presa", como um humano e como um igual. A maneira de escrita e as palavras deste autor só podem ser concideradas de uma maneira: geniais. Porquê? O autor com este livro pertende claramente fazer uma crítica a estes comportamentos e a esta realidade, mostrando-os de uma maneira exagerada, e fazendo com que o leitor se sinta desconfortável ao ler o livro. Não posso dizer que tenha gostado da história mas posso dizer que gostei do livro e do que este tenta transmitir.
TW: Morte, Violência, Violação, Sexismo, Xenofobia, Linguagem e Cenas Explícitas
Tropel não seria uma leitura óbvia, caso não tivesse surgido em conversa com o meu vizinho, porque nunca me tinha cruzado com este autor, mas surpreendeu-me.
A narrativa assume um tom quase primitivo, atendendo à natureza dos acontecimentos descritos. Na sua generalidade, é a violência que marca o ritmo da história e chega a tornar-se desconfortável o ódio, o comportamento face às mulheres (infelizmente, tão atual) e a total ausência de respeito e empatia pelo outro. Além disso, acompanhamos o protagonista a debater-se sobre uma série de questões, porque cresceu num ambiente medonho, com demasiados silêncios e cuja linhagem o insere «num grupo de caçadores impiedosos».
Confesso que a não existência de capítulos dificultou um pouco a leitura, porque é uma viagem densa e dolorosa e parece que não temos margem para parar e assimilar cada fragmento da história. Por outro lado, é inegável que procuramos compreender até onde este longo pensamento nos levará e de que modo é que as nossas origens são isentas de contestação. Porque, nestas páginas, descobrimos um adolescente a transitar da aceitação para a dúvida, colocando em causa os princípios que lhe foram incutidos desde o berço.
Este livro é uma metáfora e leva-nos ao abismo da alma humana.
Este livro é qualquer coisa de especial. Deixa o leitor espantado pelas barbaridades proferidas. Eu não escolhi ler este livro, pois foi para um concurso, e sinceramente, não seria um livro que eu tivesse curiosidade em ler, pois não me era apelativo. Como fui basicamente obrigado a ler, foi difícil, e ponderei desistir a meio, pois o livro relata bastantes acontecimentos, cada um pior que o outro.... Homicídio, violação, violência.... Este livro é incrível, o autor usa palavras, digamos que "brutas" e, quando pensamos que não consegue ficar pior, fica sempre. Digo que fiquei boquiabierto, não sei como um autor consegue escrever um livro destes. É tão bárbaro e violento, e eu nunca odiei tanto uma história como esta. Odeio a história mas adoro o livro. Não sei como é que o autor conseguiu escrever e imaginar estes cenários. O único pormenor que não gostei foi o facto de não ter capítulos e ser um "pensamento contínuo", quando queria parar a leitura, parava sempre no meio de algo, e quando retomava, tinha que ler a página anterior para conseguir retomar a leitura. Quem não suporta violência em geral, não leia este livro. Mas recomendo, pois não é um livro que se esqueça, pois faz nos sentir emoções bastante fortes.
É bastante mórbido e não lá muito agradável. Matam-se umas pessoas, violam-se outras, mas no final de contas, acaba por ser um livro viciante que agarra o leitor