Uma apresentação profunda e inteligente da vida em sua totalidade. Obras-primas da brevidade, as quatro novelas aqui reunidas estão entre os momentos mais altos do gênero. FELICIDADE CONJUGAL, A MORTE DE IVAN ILITCH, SONATA A KREUTZER e PADRE SIÉRGUI estão entre os mais formidáveis capítulos da literatura de todos os tempos. Sintetizam, de maneira singular em toda a história da literatura ocidental, a rica e inteligente busca pela observação humana empreendida por Liev Tolstói. Traduzidas com maestria por Rubens Figueiredo, tratam de temas tão poderosos como o amor e a morte, o desejo e a renúncia. Em cada uma delas é possível vislumbrar o trabalho de um escritor que, como poucos, logrou penetrar nas profundezas da vida emocional.
Lev Nikolayevich Tolstoy (Russian: Лев Николаевич Толстой; most appropriately used Liev Tolstoy; commonly Leo Tolstoy in Anglophone countries) was a Russian writer who primarily wrote novels and short stories. Later in life, he also wrote plays and essays. His two most famous works, the novels War and Peace and Anna Karenina, are acknowledged as two of the greatest novels of all time and a pinnacle of realist fiction. Many consider Tolstoy to have been one of the world's greatest novelists. Tolstoy is equally known for his complicated and paradoxical persona and for his extreme moralistic and ascetic views, which he adopted after a moral crisis and spiritual awakening in the 1870s, after which he also became noted as a moral thinker and social reformer.
His literal interpretation of the ethical teachings of Jesus, centering on the Sermon on the Mount, caused him in later life to become a fervent Christian anarchist and anarcho-pacifist. His ideas on nonviolent resistance, expressed in such works as The Kingdom of God Is Within You, were to have a profound impact on such pivotal twentieth-century figures as Mohandas Gandhi and Martin Luther King, Jr.
vou ser honesta aqui, li apenas duas das quatro novelas deste livro. em minha defesa, já li "a morte de ivan" anos atrás, então, na real, eu só não li 01 novela deste livro, por isso acho justo marcar ele como lido.
"felicidade conjugal" e "sonata a kreutzer" são duas histórias bem diferentes sobre casamento. a primeira me surpreendeu bastante por ter uma mulher como narradora, a protagonista, a macha, que acaba se casando com o antigo amigo do pai dela, um homem bem mais velho. já "sonata a kreutzer" é um diálogo entre dois homens num trem, um deles matou sua esposa e conta ao outro como que chegou a esse ponto extremo de sua história, o que o motivou a realizar um ato tão drástico.
acho engraçado como grande parte da crítica literária sobre o tolstói aproxima sua obra de sua vida. talvez seja o fato de que a sua vida parece uma invenção literária, de bon vivant a líder religioso – a vida do tolstói é realmente bem fascinante. eu não gosto muito de trazer a biografia do autor para pensar a sua obra, mas é bem difícil fugir disso no caso do tolstói, ele é tipo uma taylor swift da literatura do século xix, mas é graças a essas informações biográficas a gente sabe que muito dessas duas novelas foram inspiradas pela sua vida, como sua visão sobre o casamento, os gêneros e abstinência sexual, que o passageiro do trem conta a seu interlocutor em "sonata a kreutzer" e o começo do romance de "felicidade conjugal", novela que ele escreveu antes mesmo de se casar.
essas duas novelas me fizeram pensar muito no casamento como instituição, que é algo que nunca dei muita atenção antes. é claro que eu sei que na história da humanidade o casamento é um negócio, muito mais motivado pela economia do que pelos sentimentos, mas eu nunca parei pra refletir muito sobre isso.
apesar da crítica ao tolstói ser muito pautada na sua biografia, algumas coisas saem dessa lógica e são as coisas mais interessantes sobre sua obra. em "felicidade conjugal", o "final feliz" não me convence muito e suspeito que não convenceu nem a narradora, e o discurso todo do homem que matou a sua mulher porque o casamento é algo que precede o pior das pessoas me causou um sentimento semelhante que tive ao ouvir o podcast "praia dos ossos". fiquei até pensando se a patricia highsmith leu "sonata a kreutzer" antes de escrever "strangers on a train".
enfim, fazia tempo que eu não lia algum russo e foi bom lembrar que além de ter sido uma grande celebridade e um quase líder de culto, o tolstói também foi um grande escritor.
Ler Tolstói é incrível, sério, esse homem foi absurdamente bom no que fazia. Ele consegue expressar os sentimentos humanos e as relações sociais de forma genial. Encanta, enraivece, surpreende e principalmente te faz questionar todos os temas que ele decide abordar. A inquietação sempre está presente, sendo comum nas quatro novelas que compõem o livro, a minha experiência foi realmente especial, e acho que ele é tipo um tradutor da alma da gente. Vale muito a pena.
Eu tinha falado sobre as 3 primeiras novelas separadamente mas não achei a novela Padre Siergui aqui no Goodreads. Como tô lendo mesmo nassa edição linda e maravilhosa vou comentar então aqui também.
Felicidade conjugal - não gostei de quase nada porém é difícil um pouco avaliar pois é o tipo de história que não me atrai em nada. Porém é escrita, como tudo do Tolstói, é maravilhosa.
A Morte de Ivan Ilitch- Simplesmente perfeito. Um dos livros mais impactantes que eu já li. Merece mesmo toda a fama que tem. Leiam!
Sonata a Kreutzer - Muito boa mesmo! Uma história bem diferente e bem evolvente que traz temáticas muito relevantes e vai fazer você passar raiva.
Padre Siergui - Muito bom e cutuca bem no meu lado católico. Aliás, pelo que li, Tolstói foi excomungado por essa época aqui. 😬
Felicidade Conjugal me fez me sentir apaixonado e melancolico, com aquela dor no peito que só um bom romance pode proporcionar. Queria devorar, mas também saborear cada página como se fosse a última taça de vinho de uma noite especial. Esse paradoxo é quando a literatura te pega pela alma. O que Tolstói consegue fazer de forma tão magistral é justamente provocar essa reação física no leitor: a dor do amadurecimento afetivo, do descompasso entre o amor idealizado e a realidade crua. O final não entrega uma resposta; entrega um espelho. E talvez por isso mesmo ele fique ecoando. E o mais belo: ele não responde por nós. Ele apenas nos faz sentir. E sentir é tudo do que preciso em um livro.
como eu já li e resenhei a morte de ivan ilitch e felicidade conjugal, vou deixar apenas as notas aqui, e aí eu vou resenhar sonata a kreutzer e padre siérgui por essa edição. com isso a minha nota final vai ser a média das notas
felicidade conjugal: 3/5 a morte de ivan ilitch: 5/5 sonata a kreutzer: 2,5/5 padre siérgui: 3,5/5 nota final; 3,5/5 (vou arredondar pra 4 apenas por causa de ivan ilitch)
resenha pra sonata a kreutzer: que novela complicada de resenhar viu. o enredo não é dos melhores mas foi interessante e bem executado o suficeinte pra que eu continuasse entretida. acho q o meu maior problema foram as ideias expostas e o ponto de vista pelo qual elas foram expostas. a novela discute os temas super polêmicos na época sobre o casamento, relações sexuais e as noções que o amor (ou tipos de amor) poderiam ter nesse meio. mas essas discussões são feitas por um homem da aristocracia russa, rico, e completamente paranoico no seu ódio (q ele insiste de chamar de amor muitas vezes) por sua esposa. não gostei dos argumentos utilizados pq muito doq ele fala são generalizações baseadas numa própria projeção do personagem com base em suas experiências próprias, como se, já que ele agiu de maneira devassa em sua juventude, todos os homens também são iguais a ele.
um dos pontos q mais me incomodou também foi o fato do personagem principal (esqueci o nome mas é o cara q matou a esposa) insistir que as mulheres são vingativas e manipuladoras por causa da opressão que sofrem na sociedade russa do século xix e, por isso, utilizam-se do corpo e da sua sensualidade para atrair os homens para a armadilha chamada casamento. isso isenta completamente o homem, a classe opressora, de suas escolhas e da responsabilidades de suas escolhas.
além disso, o completo desprezo pela clásse médica é algo q eu não esperava encontrar aqui. comparado com as outras novelas q eu li do tolsto, essa daqui sim me pareceu q o próprio autor está tentando convencer a audiência q suas indagações e argumentações são validas, sem necessariamente estarem baseadas na realidade. senti muita falta de uma figura feminina fazendo o contraponto, como a mulher q tínhamos no início da narrativa, mas q acabou desaparecendo. e apesar de eu saber q o valor da novela está muito mais pelas indagações e perguntas q nos fazemos durante a leitura, senti falta de conclusões aqui.
mas, também levo em conta o fato de eu ser uma leitora do século xxi, e por mais q eu pense no contexto histórico, é impossível eu me inserir no tempo q a novela foi feita pra eu analisar o discurso. enfim!
o padre siérgui: depois de ivan ilitch essa daqui foi a mais interessante, eu gostaria de ter visto um romance com essa temática, a perspectiva de um padre, um santo até, que não tem fé e que continua em uma eterna contradição entre crer e não crer. n sei se gostei muito de como a história termina mas ao todo foi muito interessante. eu queria q a versão final tivesse o assassinato e q nós leitores pudéssemos ter visto a espiral de desespero em q ele cairia (talvez?)
enfim. to me familiarizando com a prosa do tolstoi, n sei se to pronta pra um romance dele ainda.
Comentário só de “Felicidade conjugal”. Aquela coisa de Tolstói do povo se consumindo de dor moral, mas tudo narrado tão lindamente que dá vontade de morrer junto com os personagens. A conclusão é uma nota bonita, mas também desapaixonada, sobre os sentimentos envolvidos numa relação duradoura.
Novelas indicadas com entusiasmo por Paloma Lima. Em especial Padre Sérgio parece interessante por embutir reflexões sobre o casamento e a vida espiritual
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Já que é um livro que reúne quatro novelas do Tolstói, vou escrever sobre cada novela de forma independente. (Já faz bastante tempo que li as obras, então estou me baseando principalmente nas emoções que tive enquanto lia)
Felicidade Conjugal. Maravilhoso. A dinâmica de ser o relacionamento de alguém mais novo com alguém mais velho é muito bem construído. Sinceramente, a protagonista mulher compreende perfeitamente as expectativas que são geradas. Mas o homem me deixou simplesmente sem palavras. Que construção e personagem de forte caráter, principalmente em trechos que envolviam a empatia de entender as experiências dele, alguém "vívido", em contrapartida da sua esposa, alguém "cru" de experiências. Difícil escolher entre ela e o Padre Siérgui como a minha novela favorita.
A morte de Ivan Ilitch. Eu não achei nada demais. Sinceramente, eu vejo e via tanta gente enaltecendo essa obra que quando não achei nada demais. Claro, é uma boa leitura, ela conta com um forte significado na dualidade de viver/sobreviver. A novela me remete um pensamento de "será que as escolhas que eu tomo me tornam vivo ou apenas estou sobrevivendo mais um dia?". Enfim, é sem dúvida uma boa leitura, mas não entraria para as minhas novelas favoritas nem mesmo neste livro.
Sonata a Kreutzer. Essa obra tem altos e baixos. Eu não tenho muito o que dizer sobre ela, foi a que menos gostei no livro e não criei fortes emoções e pensamentos a respeito.
Padre Siérgui. Não esperava nada e entregou demais. Eu fiquei impressionado com o livro, de verdade, eu achei a trama muito boa. Talvez a motivação que o fez se retirar como soldado possa parecer fraca, mas se você reparar no ambiente e estigmas da época seria como um choque de realidade. A parte da mulher entrando na toca dele me dá motivação para seguir minhas convicções. O sentença que sucede é um pouco cansativa, mas a obra vale a pena do começo ao fim. Apenas leia.