Este livro é resultado de uma pesquisa que tenta desvendar o perfil do brasileiro. A partir de dados estatísticos. o autor apresenta conclusões que mostram como somos um país ainda conservador e preconceituoso. E faz as seguintes perguntas para pessoas de diferentes grupos sociais - deixar alguém passar à frente na fila é jeitinho. favor ou corrupção? Um empregado deve se dirigir ao seu patrão por senhor ou por você? Empregados de edifícios devem utilizar o elevador social ou o elevador de serviço? A masturbação é uma prática sexual aceita ou rejeitada? A lista é longa. e a maioria das respostas é o oposto do que se imagina. mostrando que o Brasil é complexo. mas não incompreensível.
O propósito do livro A Cabeca do Brasileiro, de Alberto Carlos Almeida é utilizar, de forma quantitativa, uma pesquisa realizada com diversos estratos da população brasileira em 2003 para fazer valer as teorias de Roberto DaMatta sobre a sociedade brasileira. Contudo, o livro já começa mal dizendo que a sociedade estadunidense é igualitária e que a brasileira é hierárquica. Se a sociedade estadunidense com seu racismo estrutural estabelecido é uma sociedade igualitária, não tenho ideia do que sobra para outras. Almeida investiga quantitativamente como o brasileiro trata a casa e a rua, o jeitinho brasileiro, o "Você sabe com quem está falando?", entre outros pressupostos de DaMatta. Contudo, o livro não se aprofunda nas suas análises. Fica mesmo no rasinho, no quantitativo, sem ir muito à fundo nas ideias do sociólogo. Contudo, o livro é cheio de tabelas vindas das pesquisas realizadas na década de 2000, que hoje já são um pouco defasadas, tendo passado quase 20 anos. Comprei esse livro no sebo da Livraria Cultura e pelo valor que paguei foi um bom custo/benefício.
O livro tira grandes conclusões a partir de perguntas de um questionário traduzido de outro país... Não invalida suas conclusões (a maioria das quais fazem perfeito sentido, dada a experiência que é ser brasileiro), mas comparado a seu "O Voto do Brasileiro", a metodologia é um tanto quanto questionável A este despeito, o livro apresenta achados, em sua maioria, um tanto quanto óbvios (mas que talvez não o fossem à época) sobre como diferentes perfis socio-econômicos opinam quanto a temas que vão desde privatização ao sexo oral (escolhido este ao invés do que lhe rima por polidez) O livro parece querer traduzir para o público não-acadêmico achados de uma pesquisa, estando o auge da obra ligado às consequências da trajetória recente do país dados estes... Certamente uma atualização da obra, após mais de uma década, seria bem-vinda!
Algumas coisas me incomodaram nesse livro, que o autor parece ter tido a pretensão de fazê-lo científico. A metodologia precisaria ser detalhada, pois às vezes o autor diz que dois números bastante semelhantes são significativamente diferentes, quando muito provavelmente não são. Algumas perguntas e testes parecem induzir respostas nos entrevistados e não há como saber, por exemplo, qual a classe de pessoas que mente mais, ou possui mais consciência do assunto abordado. Também fica evidente a visão política do autor. Outra coisa é que os dados e a discussão podem parecer preconceituosos, estimulando a visão de que o pobre é ignorante e corrupto, enquanto o rico é sábio e honesto. O que é bastante discutível, ainda mais no Brasil. As estrelas que eu dou para esse livro são principalmente pelas discussões a respeito do jeitinho brasileiro como uma prática comum e discussões a respeito de cotas para os negros, que também apresentam idéias interessantes.
O principal argumento de Alberto Carlos Almeida nesse livro é de que a escolaridade é a principal clivagem social que explica a diferença de opiniões entre dois "Brasis". Um Brasil (moderno) é formado por pessoas com ensino superior residentes de grandes cidades e jovem. Essas pessoas tem visões mais liberais em relação à sexualidade e à economia e, além disso, apresentam menor tolerância em relação à corrupção. O outro Brasil (arcaico[1]) é o "grande Brasil" formado por quase 90% da população cuja visão do mundo converge para a caracterização da cultura brasileira já extensamente discutida na literatura da sociologia nacional. Esse grupo de pessoas é sexualmente conservador, mais tolerante com corrupção, fatalista e familista.
Apesar de propor uma reflexão útil, o livro tem uma abordagem simplista e chega a cometer alguns erros de interpretação, por isso 3 estrelas.
O livro tira grandes conclusões a partir de perguntas de um questionário traduzido de outro país... Não invalida suas conclusões (a maioria das quais fazem perfeito sentido, dada a experiência que é ser brasileiro), mas comparado a seu "O Voto do Brasileiro", a metodologia é um tanto quanto questionável A este despeito, o livro apresenta achados, em sua maioria, um tanto quanto óbvios (mas que talvez não o fossem à época) sobre como diferentes perfis socio-econômicos opinam quanto a temas que vão desde privatização ao sexo oral (escolhido este ao invés do que lhe rima por polidez) O livro parece querer traduzir para o público não-acadêmico achados de uma pesquisa, estando o auge da obra ligado às consequências da trajetória recente do país dados estes... Certamente uma atualização da obra, após mais de uma década, seria bem-vinda!
Não gostei do fato de haver só duas fontes de dados que informaram o estudo, um questionário Pesquisa Social Brasileiro (PESB) e manchetes de jornais. Essas manchetes não são selecionadas objetivamente, mas usadas para provar um ponto que não me deixa convencido. Além disso, li a 9ª edição de 2018, mas muitos dos dados ainda eram baseados em 2006. Esperava que as informações fossem atualizadas. Além disso, por que não há índice? No final das contas, li até o capítulo dois e decidi que não valia a pena gastar meu tempo.
Baseado em uma pesquisa realizada em todo país, o livro procura fazer um raio X do brasileiro, traçando um paralelo interessante com outros países. Aborda o quanto ainda somos conservadores e preconceituosos com base em números, bem como a tendência que esse quadro se transforme com o tempo, a partir de um aspecto fundamental: educação.