Juvenal Gonçalves, após a morte por doença da sua esposa, Helena, regressa à ilha da Madeira, sua terra natal. Aqui, num cenário contrastante de natureza idílica e encantadora, atravessa os vários estádios do luto e da solidão, revoltando-se perante a fragilidade da condição humana e a sua capacidade de resignação, tomando consciência das injustiças sociais que o rodeiam, da chocante discrepância que opõe a vida dos burgueses ricos do Funchal, entre os quais se conta o seu irmão, Álvaro, e a dos camponeses e bordadeiras. A insurreição que encabeça é prontamente suprimida pelo governo nacional. Com a deportação para o inferno de Cabo Verde, virá também a notícia da gravidez fruto da sua relação com Elizabeth, e uma renovada esperança no futuro da humanidade.
Romance publicado em 1933, após o êxito mundial obtido com A Selva, Eternidade, marcado pelo pendor autobiográfico da perda e do luto, ocupa um lugar particular na bibliografia e na vida de Ferreira de Castro, reavaliada hoje em dia pela crítica como uma das suas maiores obras ficcionais.
José Maria Ferreira de Castro was a Portuguese writer and journalist. At age 12, he immigrated to Brazil, where his work at a rubber plantation for the following four years would be the inspiration for his most famous book, A Selva (1930; The Jungle; filmed 2002 - http://us.imdb.com/title/tt0210971/). He returned to Portugal in 1919, and started working as a journalist. He was a noted oppositionist to António de Oliveira Salazar. He was also famous for his travel literature, namely his book A Volta ao Mundo, recounting his travels around the world in the outset of World War II.
Juvenal Gonçalves, após a morte por doença da sua companheira Helena, retorna à ilha da Madeira, sua terra Natal, e vai oscilando entre a depressão e a revolta emocional perante a fragilidade da condição humana.
Quando começa a trabalhar para a autarquia como engenheiro silvicultor, Juvenal toma consciência do contraste chocante entre a Madeira burguesa e turística e as condições de enorme precariedade que atingem os trabalhadores braçais, dos camponeses às bordadeiras, e encontra uma causa em que se engajar. Perante a revolta daqueles em reivindicação por melhores condições de vida, Juvenal acaba por tomar o seu partido, não sem consequências. Apesar de tudo, confesso que achei sempre a personagem um pouco frouxa, pálida e apática, não chegando a despertar-me grandes emoções.
Para além do retrato da sociedade madeirense nos anos de 1930s, o romance providencia também um retrato físico detalhado, exaltando as belezas naturais da ilha. Apesar das longas descrições a obra não se torna aborrecida graças à excelência da prosa de Ferreira de Castro.
Do autor apenas tinha lido A Selva, que acho brilhante e é um dos meus livros predilectos; em comparação, este Eternidade pareceu-me apenas competente e nunca conseguiu deslumbrar-me.
Ferreira de Castro é dos meus escritores predilectos: descreve, discorre e deleita-nos como poucos. De linguagem cuidada, própria da época, fiel às suas correntes e convicções.
Em Eternidade apresenta-nos a ilha da Madeira do primeiro terço do século XX, berço de inúmeras convulsões sociais, enquanto promove uma descida pessoal depressiva, intercalando-a com um triângulo, quiçá losango, amoroso.
Acerta brilhantemente ao guiar-nos por tão belo cenário, fica aquém nos restantes tópicos. O desequilíbrio da personagem principal tem momentos sublimes, mas muitos outros pouco iluminados. As convulsões sociais e as figuras geométricas esbatem-se, por pincel pouco convicto, na tela muitíssimo mais verde da ilha.
-Não é preciso ser visionário para se compreender que o Mundo futuro pouco se parecerá com o de hoje. Daqui a alguns séculos, nenhum homem que passe neste mesmo sítio ou se detenha a olhar este mesmo céu e esta mesma serra, pensará já como nós pensamos. Eu, às vezes, não se ria de mim, sinto-me esse homem.
Apesar da fragilidade da condição humana, o escritor expressou [em Eternidade] uma clara afirmação de esperança e certeza num futuro risonho da Humanidade, clamando convicto: - «meu irmão longínquo nós não queremos morrer, apesar desta vida pletórica de iniquidades, ignorância e dores inúteis, a odiarmo-nos uns aos outros, a massacrarmo-nos uns aos outros, e a espoliarmo-nos uns aos outros. [...] Tu que já mataste a morte, que já criaste o novo mundo sobre o mundo em que vivemos, que já tens uma outra noção do Homem e do Universo, dificilmente compreenderás como nos foi possível viver assim. Este romance, será uma voz remota que dirá quanto sofremos e lutamos para que tu possas viver de outra maneira. [...] Sei que te apossarás do Universo, que dominarás os seus segredos e as suas leis e que te tornarás senhor da vida. Mas tu que triunfaste da morte e dos instintos, que és inteligência e não paixão, compreensão e não ressentimento, não te rias de nós, porque sem nós não terias existido, porque és filho da nossa inquietação milenária»
uvenal Gonçalves, após a morte por doença da sua esposa, Helena, regressa à ilha da Madeira, sua terra natal. Aqui, num cenário contrastante de natureza idílica e encantadora, atravessa os vários estádios do luto e da solidão, revoltando-se perante a fragilidade da condição humana e a sua capacidade de resignação, tomando consciência das injustiças sociais que o rodeiam, da chocante discrepância que opõe a vida dos burgueses ricos do Funchal, entre os quais se conta o seu irmão, Álvaro, e a dos camponeses e bordadeiras. A insurreição que encabeça é prontamente suprimida pelo governo nacional. Com a deportação para o inferno de Cabo Verde, virá também a notícia da gravidez fruto da sua relação com Elizabeth, e uma renovada esperança no futuro da humanidade.
ISBN: 978-989-564-050-8 CDU: 821.134.3-31
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Extraordinário! " - Sim, porque o Mundo não pode continuar como está. O Mundo tem de ser melhor e há-de ser melhor do que é. Daqui a alguns séculos, já nada disto será assim, já nenhum homem estará em frente destas luzes com a mentalidade e pelas razões que nós estamos. A própria cidade estará transformada e já ninguém compreenderá que se seja degredado, como eu, apenas por querer que haja mais justiça entre os homens." FC 1933