Num livro íntimo, Susana Moreira Marques regista os seus dias com as suas filhas e partilha em diálogos inovadores as histórias e perspectivas que foi ouvindo de outras mães. Atento aos detalhes mais reveladores do quotidiano, aos pequenos e grandes gestos, aos momentos previsíveis e imprevisíveis da vida doméstica, este é um retrato único, franco e complexo de uma experiência simultaneamente comum e extraordinária.
Um livro que se guia pela minúcia do amor para reflectir sobre as angústias e as alegrias de ser mãe.
Susana Moreira Marques (Porto, 1976) escreve para jornais e revistas desde 2004 e actualmente colabora com o Público e com o Jornal de Negócios. Entre 2005 e 2010 viveu em Londres, onde foi correspondente do Público e trabalhou na BBC World Service. O seu trabalho recebeu diversos prémios de jornalismo, de entre os quais se destacam, em 2012, o Prémio AMI — Jornalismo Contra a Indiferença e o Prémio Direitos Humanos e Integração, atribuído pela Comissão Nacional da Unesco e o Gabinete para os Meios de Comunicação Social. Vive em Lisboa com o companheiro e a filha.
Eu não precisava de fazer muito para ser a melhor mãe do mundo. Aquele era um amor que não precisava de conquista (...). Era um amor que trazia um poder assustador. Com tão pouco, eu fazia-a feliz – mas, também, infeliz. E vice-versa.
Depois de ter ficado francamente impressionada com “Agora e na Hora da Nossa Morte”, pensei que ia gostar bastante mais deste livro de Susana Moreira Marques do que aconteceu na realidade. Tem, de facto, momentos de uma enorme sensibilidade e aborda questões que me disseram bastante, como a gestão e a percepção do tempo, a perda de identidade e de ter de se conciliar o trabalho de freelancer com um recém-nascido, mas são muito dispersos. Creio que a maioria das mães conseguirá identificar-se com as experiências da autora, mas sinceramente, o sofrimento dos partos naturais intermináveis, o co-sleeping, o adormecer ao colo são assuntos que acho demasiado batidos, que se encontram todos os meses em revistas e em conversas entre mulheres. Na literatura, mesmo não-ficção, procuro um pouco mais do que o quotidiano comum, ou melhor ainda, procuro o corriqueiro interpretado de uma forma que nunca me tenha ocorrido, transformando uma coisa banal em algo especial, e a autora, aqui, nem sempre tem esse golpe de asa.
A dada altura, dei-me conta de que tinha deixado de acumular objectos e papéis que remetiam para recordações minhas – coisas como os bilhetes de concertos e postais de viagens que tinha encontrado na garagem da minha mãe -, e deitava fora quase tudo o que correspondia à minha vida pessoal recente. Começava a arquivar o que se relacionava com elas (...); arranjava sempre espaço para os trabalhos da escola e as prendas de Natal ou do dia da mãe que elas faziam para mim.
Segunda obra de não-ficção que leio desta autora e, mais uma vez, deliciou-me! Vai dar azo a muita converseta sobre o tema e a minha própria experiência. "Me aguardem"!
Um livro pequeno, mas onde quase tudo o que é dito é importante. É um livro que fazia falta, porque há poucas mães a falar da sua experiência enquanto tal.
Revi-me em muitos relatos, não todos, como é natural, porque cada família é única, mas dei comigo a relembrar muitas experiências vividas quando as minhas filhas eram mais pequenas.
Desenganem-se se pensam que é um livro para mulheres, e em particular para as que são ou esperam vir a ser mães. É para elas, mas também para os pais, irmãos e irmãs, amigos e amigas, para todos os que convivem com jovens mães, pois vai ajudá-l@s a compreendê-las melhor.
2020: Um livro muito, muito bonito. Acima de tudo, parece-me lúcido e essa lucidez enternece-me. É um relato curto, mas completo sobre a maternidade, e também sobre o que é ser mulher no início do século XXI, à luz da experiência das gerações "jovens" e das anteriores. Não sou mãe (espero sê-lo um dia), mas sou mulher, escrevo e preocupo-me com as palavras, por isso ler este livro fez muito sentido. Interessou-me, em particular, o ponto de vista da autora, escritora, jornalista, freelancer, mãe, companheira, madrasta, uma compilação de características específicas que encontro em mim e nas mulheres da minha vida; saber que "não estamos sozinhas" é importante. É para isso que um livro serve, não é? No final, sinto que poderia ler, pelo menos, mais cinquenta ou cem páginas sem me fartar.
Obrigada, Susana. Ainda bem que comprei um para mim e outro para oferecer a uma amiga que, aposto, ainda vai gostar mais do livro do que eu.
Num registo íntimo e sensível, servindo-se da sua experiência, mas também através das experiências de outras mães com quem falou, a autora fala de maternidade mas também do que é ser mulher quando se é mãe.
Acho que será até um livro interessante para todos, pais, irmãos, amigos, amigas, filhos mais velhos, que possam querer perceber melhor o que se passa com as mães à sua volta.
Interessante é também a abordagem feita às famílias que não são as ditas "tradicionais". As famílias são cada vez mais diversas e nem só os laços de sangue definem família. Ainda temos muito que andar para mudar este conceito, começando desde cedo, nomeadamente nas escolas.
Um livro que está cheio de pequenos detalhes, de momentos do quotidiano que são comuns e também extraordinários, que ficam gravados na pele de uma mãe.
As mães são todas diferentes, mas posso dizer que me identifiquei bastante com o que a autora descreve. Não descobri nada de novo, mas gostei de ler este belo texto. Quanto a mim, só consigo dizer que, depois de ter sido mãe, o meu coração mudou.
"Agora já plantaste uma árvore, já escreveste um livro e já fizeste um filho, dizem-me as pessoas que não têm filhos e que não sabem que um filho nunca está feito."
Um livro belo sobre a matrescência, um período que é, concomitantemente, um tempo de luto pela identidade e um tempo de novas aventuras e descobertas e empoderamento.
Com uma escrita muito sensível e ao mesmo tempo crua, a escritora faz uso da sua experiência pessoal e das experiências de outras mulheres para retratar a maternidade e o ser-se mulher e mãe em pleno século XXI. Identifiquei-me em muitas coisas, refleti sobre outros pontos de vista e emocionei-me muitas vezes. É acima de tudo um livro sobre o Amor Incondicional. Recomendo!
“Quando fiquei grávida da segunda, a minha linguagem maternal estava absolutamente adquirida, eu era fluente, eu tinha gosto em falar aquela língua. Sobretudo ao fim da tarde, em casa, sentia-me um corpo cheio de tarefas. Era um corpo em acção. No entanto, a palavra «mãe» - ou «maternidade», à qual não correspondia nenhum verbo em português — encapsulava inacção. Era-se mãe. Ou não se era.”
Quanto Tempo Tem Um Dia é feito de detalhes, das memórias que ficam gravadas para sempre, e levanta questões muito importantes acerca da gestão e perceção do tempo, da perda de identidade e da necessidade de conciliar todas as outras áreas da sua vida.
Depois do seu primeiro livro, confesso que este me deixou menos envolvida, foi menos marcante, apesar de partir de uma experiência autobiográfica... Um relato sobre a maternidade, mas sem a emoção expectável.
Não sendo mãe, revi-me (nas minhas dúvidas e inquietações sobre a maternidade) em tantos e tantos pensamentos e desabafos... Especialmente na incredulidade de ser um tema simultaneamente tão "dissecado" e contudo tabu. As mulheres que conheço quando engravidaram leram livros de especialistas, mas poucas recorreram à sabedoria adquirida que as suas mães e avós podiam partilhar... E as poucas mães e avós que tentaram fazê-lo foi por imposição e/ou críticas destrutivas... Fazemos todos o melhor que podemos e sabemos; oxalá possamos todos partilhar mais e com a transparência de Susana Moreira Marques.
Livro da coleção Retratos da Fundação, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o livro é composto por reflexões e relatos sobre a maternidade. Com testemunhos da autora mas também de outras mulheres é uma reflexão sobre o que é ser mãe.
Desde que fui mãe já juntei na minha pilha de livros sobre maternidade uma boa torre de folhas. Uns dão dicas, outros reconhecem a brutalidade deste papel, outros brincam, outros pedem perfeição num positivismo que enjoa relatando um olimpo recheado de amor.
Este Quanto tempo tem um dia é muito mais do que um livro sobre maternidade, é um livro sobre existir enquanto mãe e é um livro sobre não existir porque se é mãe. É um retrato tão fiel à realidade, tão claro e cru que por momentos senti que estava a ser escrito para relatar os meus dias. Em breves instantes dei comigo a fazer parte daquelas páginas, como se a autora me conhecesse e fosse capaz de ler os meus pensamentos.
Deixei-o repleto de marcações para que possa sempre voltar a frases que l�� encontrei, como esta: “Seria, provavelmente, sempre assim: tudo o que ela conseguia superar era sucesso dela. Tudo o que ela não conseguia, era falha minha. Mas eu vivia bem com a ideia de que se ela falhasse era porque eu não tinha feito melhor. Eu queria aperfeiçoar-me para ela.”
Quem é mãe vai se rever neste livro . Fiquei sem perceber como ela a Susana bebia vinho e dava de mamar ? Se calhar era só um copo mas mesmo assim … e fiquei admirada por ter ido para Dublin para se dedicar a escrever este pequeno grande testemunho. Creio que podia ter ido mais fundo nos sentimentos contraditórios que todas sentimentos e temos no nosso dia a dia mas la está é o seu testemunho.
Um relato real sobre a maternidade, que me fez querer abraçar o meu eu do pós parto. Diria que gostava de o ter lido antes de ser mãe, mas acho que não o teria compreendido. Há coisas que só se percebem depois de se passar por elas. Aconselho a todas as mães, porque se irão certamente identificar, e a todos os pais, para que saibam como por vezes as mães se sentem.
A experiência de ser mãe é inexplicável. Nem tudo é preto ou branco e cada mulher sente e vive a maternidade de forma diferente. Neste pequeno livro, a autora consegue abordar a questão de ser mulher e mãe no séc. XXI de uma forma muito direta e real. Apesar de não ser um livro extenso, temas como a dificuldade de conciliar profissão e maternidade, a dificuldade na gestão de tempo, a sensação de perda de identidade e até os novos conceitos de família são abordados neste livro. Pareceu-me que as experiências relatadas, os sentimentos contraditórios e as inquietações da autora serão facilmente identificadas e compreendidas pela maioria das mães/mulheres. Falar da experiência da maternidade tal e qual como ela é faz sempre falta. No entanto, apesar de me ter identificado com muitas das questões, senti que o livro não me trouxe nada de novo.
Identifiquei-me; a escritora não caiu na tentação de retratar a maternidade apenas como cor de rosa mas, na minha opinião, também ficou a faltar profundidade.