A Estrada Nacional 2, com os seus quase 739 quilómetros, é a maior de Portugal e uma das maiores do mundo. Atravessa Portugal de Chaves a Faro, numa linha contínua que não é feita só de asfalto. Estrada mítica e com identidade própria, é o mais belo caminho para conhecer as pessoas, as paisagens – o País, em suma. O escritor Afonso Reis Cabral – autor dos romances "O Meu Irmão" (vencedor do Prémio LeYa) e "Pão de Açúcar" – decidiu percorrê-la a pé. Durante vinte e quatro dias, completamente sozinho, deixou que a estrada o guiasse: cruzou montanhas e planícies, mergulhou em rios, caminhou debaixo de tempestades e sob o sol ardente. Mas sobretudo parou para conversar com quem encontrava. No fim de cada dia, publicava na sua página de Facebook um diário escrito no telemóvel relatando os principais eventos da viagem. Com milhares de leitores, comentários e partilhas, os seus textos geraram grande entusiasmo. Agora em versão ampliada e ilustrada, eis em livro o diário do caminho.
Afonso Reis Cabral nasceu em 1990. Aos 15 anos, publicou o livro de poesia Condensação. É licenciado em Estudos Portugueses e Lusófonos pela NOVA FCSH, fez mestrado na mesma área e tem uma pós-graduação em Escrita de Ficção. Foi duas vezes à Alemanha de camião TIR em busca de uma história, a primeira das quais aos 13 anos. Trabalhou numa vacaria, num escritório de turismo e num alfarrabista. Em 2014, ganhou o Prémio LeYa com o romance O Meu Irmão. Em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira na categoria de Promessa, em 2018 o Prémio Novos na categoria de Literatura e em 2019 o Prémio GQ MOTY na categoria de Literatura. No final de 2018, publicou o seu segundo romance, Pão de Açúcar, com forte acolhimento por parte da crítica e vencedor, em 2019, do Prémio Literário José Saramago. Entre Abril e Maio de 2019, percorreu Portugal a pé ao longo dos 738,5 quilómetros da Estrada Nacional 2, de que resultou o livro Leva-me Contigo – Portugal a pé pela Estrada Nacional 2 e o documentário com o mesmo nome exibido pela RTP2. As suas obras encontram-se traduzidas em várias línguas. Tem contribuído com dezenas de textos para as mais variadas publicações. Foi colunista da Mensagem de Lisboa com «O Rossio na Betesga». Participou, com Dulce Maria Cardoso e Richard Zimler, no programa semanal «Biblioteca Pública», da Antena 1. É colunista do Jornal de Notícias, semanalmente com a rubrica «Ansiedade Crónica» e é um dos anfitriões do programa «Cinco à Quinta», da Antena 1. É presidente da Fundação Eça de Queiroz desde 2022. Em 2024, recebeu o Prémio Alumni NOVA FSCH. Em Setembro de 2025, chegou às livrarias O Último Avô, o seu romance mais recente.
Estes textos devem ter resultado melhor no formato para o qual foram concebidos, ou seja, a publicação diária à medida que a caminhada ao longo da EN2 se foi desenrolando. Em forma de livro, entreteve-me, mas não me encantou.
Gosto muito de literatura de viagens! Habitualmente sinto-me a viajar e com vontade de também eu fazer a viagem! Acompanhei o ARC no caminho, cruzei-me com as mesmas pessoas, vivi os sucessos e as dores, e tornei-me também eu uma viajante! Adorei as fotos, as mensagens de apoio e a generosidade de pessoas que acompanharam o ARC. É caso para dizer " Levaste-me contigo"!
Na altura em que li "Longe do mar: uma viagem pela estrada nacional 2", do Paulo Moura, fiquei curiosa sobre a Nacional 2. O que o livro do Afonso fez foi matar a curiosidade e transformá-la em vontade de concretizar (talvez em roadtrip e não a pé, mas sabe-se lá). Que maravilha de relatos de viagem.
Afonso Reis Cabral é capaz de andar os 738 quilómetros da Estrada Nacional 2 sem se cruzar com uma pessoa desagradável, com um indivíduo mau, tudo é maravilhoso na sua estrada, todas as pessoas são simpáticas e sorridentes, que mundo maravilhoso, que arco íris de bondade, Portugal, pessoas boazinhas de uma ponta a outra, pessoas boazinhas em todo o lado. É muito irritante esta coisa de só ver coisas boas, de ver coisas boas em todo o lado. Até a história da coruja em fim de vida parece ser colorida com as mais infantis cores do espectro cromático. Não há aventura nem paixão pela estrada. Parece que o escritor vai a andar pela Nacional 2 unicamente para cumprir uma tarefa, nunca se deixando levar pelas belezas da estrada e da imprevisibilidade. Nem sequer o sofrimento de quem passa todo o dia a caminhar durante um mês se sente, não se sente o pus das bolhas, nem o sangue das feridas, nem o peso nos ossos e articulações, fica tudo pela rama, uma experiência superficial cheia de frases pseudo engraçadinhas como: (sobre Compal) “Eu sempre gostei do barulho desse sumo quando lhe damos palmadas no rabo” — imagem pavorosa e infantil com que abre e fecha o livro. O autor achou a imagem de “dar palmadas no rabo da garrafa de Compal” tão bonita que teve de recorrer a ela duas vezes para ser engraçado e fora da caixa. “O mau tempo despediu-se de mim como aquelas pessoas que nunca mais se vão embora no fim das festas” “Os meus amigos têm telefonado para saber se estou bem. Quando a rede falha, inexplicavelmente atente uma brasileira. Não se preocupem, a brasileira está bem.” “A Ponte da Junceira foi construída em 1966 só para mim.” “Durante a noite decido se já cheguei a meio ou se ainda me falta metade” “Ontem a chuva e eu matámos saudades com cerimónia” "Chapinhando com os pés na água, uma inglesa fez uma dança que era ginástica, tributo ao sol, beleza ou falta de jeito." "Tal como no começo da estrada, que parte numa rotunda, no fim do caminho há um parque de estacionamento. Isto pareceu-me adequado porque as coisas grandes da vida por vezes acontecem nos locais mais corriqueiros.” Eu até compreendo que ele fosse escrevendo pouco cada dia, no Facebook, mas depois, ao levar para livro os seus escritos, Afonso Reis Cabral deveria ter aprofundado a experiência, contado mais coisas, assim fica tudo muito breve e superficial, umas 600 palavras por 30 km. É pouquíssimo.
Um percurso a pé pelo interior desertificado de Portugal, com encontros variados pelo caminho: animais, vegetais e minerais. É um discurso diarístico imediato, feito à noite depois da caminhada, muito a cru. Gostava que tivesse dado mais espaço a algumas reflexões que vai tendo pelo caminho.
Livro de viagens que se lê rapidamente. Tem fotos do percurso e comentários de quem seguiu o diário no Facebook. Aliás, este é o relato baseado nas publicações diárias no Facebook aquando do percurso da EN2 de Chaves a Faro.A ideia é que interessante e a escrita é inspirada, mas há poucos pormenores. Falam de algumas das pessoas com quem se cruzou e de alguns contratempos, como bolhas nos pés e os efeitos da chuva. Interessante, mas muito à base da lista dos locais onde passou e pouco desenvolvimento.
Vale a pena conhecer esta história de superação de Afonso Reis Cabral pela mítica Estrada Nacional 2. A mais longa caminhada até à praia num percurso que é também profundamente social e espiritual. Um relato emocionante que nos dá vontade de calçar as sapatilhas, colocar a mochila às costas e partir para percorrer a solidão da estrada e a compreender a essência da Portugalidade.
"Naveguei neste grande rio que desce Portugal vendo na sua água de asfalto o que nunca tinha visto, encontrando quem nunca tinha encontrado. Comi banquetes de iogurte. Dormi sozinho em albergues que guardavam a memória de peregrinos e caminhantes. Acordei em camas alheias no cume de serras. Visitei olarias onde a forma do barro revelava a forma da mão. Aprendi a ser bicho da chuva e do sol. Soube andar quando só era possível descansar e descansar quando só era possível andar."
Leva-me Contigo - Portugal a pé pela Estrada Nacional 2, Afonso Reis Cabral
Enquanto literatura de viagem não será nenhum marco para o que há no género a nível nacional, até porque, o Afonso fez isto ao estilo de diário publicado no facebook aquando a viagem e no fim de cada entrada junta a selecção de alguns comentários nas entradas (original, hoje nem se vê disto). Não faço com o que disse qualquer juízo de valor, nem digo que o Afonso escreve como a Cristina Ferreira ou até o Valter Hugo Mãe, nada disso. Só não consigo reconhecer no livro valores literários que não tem, a escrita é competente, mas o Afonso é competente a escrever. A leitura simples, livro cheio de fotografias, e eu em verdade o digo, chorei, porque choro fácil, com o que pode parecer estéril, aqui foi uma coruja e o fim da viagem. Acredito no êxtase da experiência, que foi dele, não de quem lê. Gostei e fico à espera do Afonso, de mais e melhor para ler.
"Leva-me Contigo", de Afonso Reis Cabral... De anfíbio a dromedário, como ele afirma, Afonso Reis Cabral percorre a pé a mítica Estrada Nacional 2 - 739 kms de Chaves a Faro - em 24 dias. Por vezes, no Caminho de Santiago lê-se: "O caminho faz-se caminhando" e o escritor, sozinho, vendo "os renques plantados e os renques por plantar", lembrando o caminho feito e o por fazer, deixando que a estrada o guiasse, caminhou e fez caminho... Este diário de um caminho é uma crónica da viagem do autor, "plena de pequenas contrariedades e de grandes contentamentos", pela tão almejada Nacional 2, mas também dos dois iogurtes que souberam a banquete; da camaradagem e da generosidade de gente anónima que como um bálsamo refresca; da hospitalidade e do acolhimento ao peregrino, tão característicos das nossas gentes... É o relato do abraço entre os peregrinos e um caminhante; da raposa que não foi possível "cativar"; da senhora do quintal - qual viuva bíblica - que lhe ofereceu quanto tinha; da sopa, a caminho da Sertã, feita não numa panela de inox; do bolo acabado de fazer, nos arredores de Abrantes; do Alentejo em beleza sob o azul e da coruja-das-torres... Do bilhete da Senhora Anita da Bemposta, que comoveu o escritor; da família de José Vinagre em Mora; do poeta popular, que escreveu no guardanapo... Com uma escrita cativante e envolvente, Afonso Reis Cabral, um herdeiro de Saramago, sempre com um sorriso lindo, prende-nos completamente. Gosto de literatura de viagens... Que vontade de navegar, não a pé, nesse "grande rio que desce Portugal"! Até os agradecimentos finais são maravilhosos! E termino fazendo alusão ao excerto proferido por Afonso Cabral na Feira do Livro de Paços de Ferreira (que me fez comprar este livro) que fala das três crianças ciganas romenos e do pedido "Leva-me contigo". Também ele me levou. Aconselho!
Vou começar pelo fim. Recomendar muito este livro de Afonso Reis Cabral que relata a sua aventura de percorrer a EN2 a pé e sozinho (de Chaves a Faro – 738 Km), entre 22 de abril a 15 de maio.
Sozinho, pela estrada, mas muito acompanhado pelas redes sociais. Afonso decidiu partilhar esta caminhada no seu facebook e fê-lo tão bem, com uma escrita simples porque real, mas tão poética que foi conquistando apoios e cada vez mais e mais leitores que, ansiosamente, esperavam pelo seu relato diário.
“Antes da Sertã, aconselhado pelo caldo-verde, deitei-me à sombra de um sobreiro, imaginei o fio de estrada que ficou para trás e adormeci.”
Eu fui uma dessas pessoas, diariamente, à noite, lá estava eu à espera do seu relato. Por isso, também eu fiz a EN2 com o Afonso, não pela estrada, não com sofrimento e cansaço sob chuva intensa ou calor tórrido, mas sim, pelas suas palavras, pelas suas descrições das pessoas e da paisagem que tanto me cativaram.
“Ainda não decidi se a chuva é boa companhia. Por um lado, mete-me muito para dentro de mim mesmo, fico resumido ao poncho e vejo pouco mais do que a ponta das sapatilhas; por outro, isto de estar sempre a escorrer limpa-me o corpo e o espírito. A estrada e eu tomamos duche juntos como amantes.”
Afonso Reis Cabral é um jovem escritor de 29 anos. Escreveu O Meu Irmão e ganhou o Prémio Leya, 2014; escreveu Pão de Açúcar e ganhou o Prémio José Saramago 2019; com este ainda não ganhou nenhum prémio, mas conquistou muitos leitores e admiradores.
Andava com vontade de ler este livro, pela missão que o criou, há um par de meses. As minhas expectativas eram altas, tal é a esperança nacional na escrita de Afonso Reis Cabral no encabeçamento de uma nova geração de bons escritores lusos. Se a escrita me enterneceu e é notável em certas passagens, deixando-me com vontade de experimentar ler uma das suas obras de ficção, não posso esconder que fiquei com vontade de saber mais sobre os sítios, sobre a geografia, os montes, vales, rios. A descrição do caminho é tocante, mas lê-se o cansaço na mera compilação das crónicas do Facebook. O grafismo do livro, na minha opinião, também não lhe faz muito jus, mas a escrita é saborosa, abrindo-me o apetite para as outras obras.
Fácil de ler, é um livro sobre a experiência do caminho. Não é um livro sobre os pormenores técnicos de como fazer o caminho ou que equipamento usar.
Gostei de ler porque o fiz nas férias, porque também tenho na "lista de coisas a fazer" percorrer um outro caminho a pé e porque o estilo me faz lembrar o de uma outra amiga (que recomendou o livro e que está agora nas suas próprias caminhadas).
Fui de viagem com o Afonso e ele mostrou-me o altruísmo dos portugueses e a beleza do caminho. Criou em mim a necessidade de percorrer o caminho mais longo até ao mar. Deu um formigueiro às minhas pernas, irrequietas com a leitura, a ansiar pela sua vez de partir. A Nacional 2 é um livro como o do Afonso: sem rodeios, bela, doce, honesta.
Como textos de blog, provavelmente estes relatos resultam bem melhor do que como livro. Apesar de alguns bons momentos, em geral falta-lhe alguma profundidade e capacidade de imersão. Recomendo a quem procura algo mesmo muito leve e/ou tem muita vontade de pôr os pés ao caminho.
3.5* Diário de uma viagem a pé pela EN2 - em alguns trechos pautada de descrições quase poéticas dos encontros com gentes das terras ou com ele próprio. Nada aborrecido ou repleto de queixume pelas dificuldades encontradas, que por vezes até são algo romanizadas.
Só tenho pena de não ter lido este diário no facebook aquando a caminhada de ARC na estrada nacional 2. Este livro foi mesmo o melhor pontapé para 2021.
Tão bons estes relatos da caminhada, sem dúvida uma inspiração! 😊 Talvez também motivação para ler outros romances do Afonso, que a ver por estas reflexões de certeza que prometem
Fiz a N2 de carro nem há um mês, é de facto uma estrada muito especial.
Diário muito bem redigido, ainda que o Afonso tenha exagerado um pouco nas figuras de estilo.
Para além do diário o Afonso fez-nos chegar algumas fotos maravilhosas tiradas ao longo do percurso, assim como os comentários do Facebook de quem acompanhou a aventura. Ao ler parece que estamos a acompanhar a viagem in loco.
Uma viagem por Portugal. Nos 738,5 km Afonso encontra tantos outros caminheiros, praticamente todos caminheiros de caminhos mais curtos. Leitura agradável, a junção do livro com o mundo das redes sociais mostra o alcance desta iniciativa. Quem já fez um caminho de alguns quilómetros não conseguirá passar indiferente aos relatos do Afonso.
É um livro que se lê bem, mas para mim, não me deu nada de novo..talvez o facto de agora apitar aos peregrinos que isso dá-lhes força? fora isso, a escrita não me inspirou..achei que o Afonso se conteve no que consegue e que este livro não acrescenta muito aos apaixonadxs por andar.
Testemunho maravilhoso desta aventura do autor em percorrer a mítica estrada nacional 2 a pé. Contactando com as pessoas que por aí encontrando. Uma autêntica prova de superação registada neste diário !