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O Cadete e o Capitão: A Vida de Jair Bolsonaro no quartel

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Uma investigação sobre um momento controverso na trajetória de Jair Bolsonaro: o abandono da carreira militar e o ingresso na vida política.

Jair Bolsonaro tornou-se uma figura pública em 1986, quando assinou na revista Veja um artigo em que reclamava do baixo soldo pago aos militares. Um ano depois, nas páginas da mesma revista, reapareceu numa reportagem que revelava um plano de estourar bombas em locais estratégicos do Rio de Janeiro. A revista publicou um desenho que detalhava o plano. O croqui, supostamente de autoria do capitão, comprovaria a conspiração em curso no Exército. Instado a prestar contas, Bolsonaro foi considerado culpado no primeiro julgamento, e mais tarde inocentado pelo Superior Tribunal Militar (stm). Após a decisão da corte, deixou a farda, passou à reserva e ingressou na política. Esta é a reportagem mais completa já escrita sobre esse período pouco conhecido. O autor examinou a documentação do processo (reproduzida no livro) e escutou as mais de cinco horas de áudio da sessão secreta — ambos disponíveis no stm. Também entrevistou personagens que atuaram no caso, entre jornalistas de Veja e militares colegas de Bolsonaro. Além de reunir indícios suficientes para apontar que a autoria do croqui, como sustentou Veja até o fim, era mesmo do capitão, Maklouf reconstitui um episódio decisivo não apenas para a trajetória do presidente eleito em 2018, mas também para a redemocratização e o jornalismo no Brasil.

289 pages, Kindle Edition

Published July 27, 2019

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Luiz Maklouf Carvalho

3 books2 followers

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Displaying 1 - 22 of 22 reviews
Profile Image for Kelson Douglas.
5 reviews
May 1, 2020
Ampliando apenas um pouco a matéria que originou o livro com entrevistas e análises, o resultado final pouco aprofunda na vida do personagem principal, apontando apenas o óbvio: que há muitos anos o que não faltam são provas de sua incapacidade de liderar e sua busca incansável pelo poder.
Profile Image for Jorge Washington  de Queiroz .
1 review1 follower
April 27, 2020
Inteligência emocional

O comportamento problemático de Jair Bolsonaro, mormente desde janeiro de 2019, chama a atenção pela sua natureza caracterizada pela ‘colisão’ e ataque a todos que criticam suas ações e falas, assim como pelo descumprimento de sua principal promessa de campanha consoante o grito da grande maioria da população brasileira: o fim do foro privilegiado, fim da impunidade e combate à corrupção. Desta feita, considero importante conhecer melhor a vida pregressa de Jair Bolsonaro. O livro permite o melhor conhecimento do período em que esteve no exército baseado em fatos devidamente documentados e matérias da imprensa. Por essas razões recomendo sua leitura.
Profile Image for Felipe Nunes.
33 reviews
March 3, 2021
É lamentavelmente NOJENTO ler isso.
Digo isso não pelo livro em si que contém diversos documentos comprovando tudo que é descrito ali. Aliás o que sobra no livro são fontes. O que dá nojo é isso tudo que está descrito no livro não ter sido divulgado antes da eleição presidencial. Me faltam até palavras pra descrever o que senti ao finalizar a leitura desse livro justamente em meio a pandemia que assola o Brasil e onde temos mais 250 mil irmãos nossos mortos. Deixo a critério que cada um leia e tire suas próprias conclusões. Contra fatos não há argumentos. É só ver o tanto de documentos que têm no livro pra embasar o que o autor escreve. Se nem assim a pessoa abrir os olhos, então só resta lamentar.
Profile Image for Danilo Miranda.
15 reviews1 follower
August 22, 2019
Excelente e minuciosa investigação. Em tempos de "fake news", o autor fez questão de anexar cópias de todos os documentos consultados, o que permite que o leitor tire as próprias conclusões sobre o caso.
Profile Image for Dario Andrade.
757 reviews24 followers
May 10, 2020
O Cadete e o Capitão é, em sua maior parte, o relato do processo militar a que foi submetido o então capitão do exército Jair Bolsonaro em 1987-88. Na revista Veja de 28 de outubro de 1987, uma reportagem denunciava que dois capitães do exército – um deles Bolsonaro – planejavam explodir bombas em várias unidades do exército. A ação – batizada por ambos de Beco sem saída – seria uma forma de expressar insatisfação com os baixos soldos recebidos.
Bolsonaro nesse momento já era um nome conhecido do público em razão de matéria de opinião que havia publicado um ano antes na mesma revista Veja. Nesse artigo expressava o seu inconformismo com os baixos salários. O resultado foi a sua prisão administrativa por 15 dias.
Neste momento em que o capitão se tornou presidente da república, o episódio – que em outras circunstâncias teria sido esquecido – ganha relevância ao pintar um quadro bastante desolador do personagem principal.
O autor se valeu, além do processo judicial, de algumas entrevistas, do livro escrito por Flavio, o filho mais velho e alguns informações dispersas colhidas, principalmente os registros escritos de sua passagem pela escolar militar e pela vida ativa no exército. É interessante que o retratado, bem como sua família e vários dos citados do livro se recusaram a falar com o autor. Uma pena.
A leitura do livro nem sempre é das mais fáceis. Para garantir a fidedignidade da narrativa, o autor se valeu da transcrição de longos trechos dos autos judiciais. Em vários momentos, isso torna a leitura um tanto enfadonha porque há aquela mistura nada atrativa do juridiquês com o militarês.
De qualquer modo, a obra ilumina muito a figura de um capitão sem muito brilho – aluno apenas mediano na Aman – que por uma mistura de sorte e esperteza política conseguiu se estabelecer como deputado reeleito várias vezes para depois se lançar em uma vitoriosa campanha presidencial com poucos recursos.
A luz, no entanto, não traz uma figura notável. Pelo contrário. A começar pelo modo como ele é citado pelo Presidente Geisel, que em sua famosa entrevista à Fundação Getúlio Vargas, em 1993, descreveu o então deputado como “...Bolsonaro é um caso completamente fora do normal, inclusive um mau militar...”.
Continua com a entrevista que deputado concedeu ao programa do Jô, em 2005, quando defendeu, entre outras coisas, a tortura.
Dentro do exército, ainda antes do processo, é descrito de forma negativa. O seu comandante no 8º GAC/PQDT, coronel Carlos Alfredo Pellegrino o descreveu da seguinte forma: “Nas rotinas de trabalho cotidiano, no exercício permanente das funções de instrutor, formador de soldados, e de comandante, faltavam-lhe a iniciativa e a criatividade” e “tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”. Por fim, Pellegrino, afirmou que o seu subordinado estava atraído por uma “confusa mescla de ambições, aspirações e valores menores”.
No Conselho de Justificação a que foi submetido, Bolsonaro foi condenado por unanimidade – 3 votos a 0 –. Segundo a justificativa, “revelou comportamento aético e incompatível com o pundonor militar e o decoro da classe, ao passar à imprensa informações sobre sua Instituição, sendo, por aquela considerado fonte”.
Remetido o processo ao Supremo Tribunal Militar, a decisão foi revertida – por 9 votos a 4 – e poucos depois, deixou o exército para se lançar em sua bem-sucedida carreira política.
Relevante é que depois da condenação no Conselho de Justificação, o então ministro do exército – Leônidas Pires Gonçalves – declarou que “admitiu que errou ao acreditar nos militares que planejavam colocar bombas em quartéis para forçar aumentos salariais”.
Enfim, uma obra interessante para conhecer Jair Bolsonaro. Infelizmente, o retrato não é nada bonito. De fato, é muito feio. E não há consolação na leitura. Apenas a desconfiança que há pouca esperança a depositar no futuro de um país que tem alguém tão pouco qualificado a ocupar a cadeira de presidente da República.

Profile Image for Rafael.
15 reviews
October 6, 2020
Esse foi o último livro de Luiz Maklouf Carvalho, autor do excelente “1988: Segredos da Constituinte”. Aqui, conta a história de Bolsonaro, desde sua infância até o fim de seu julgamento no Supremo Tribunal Militar. Esse julgamento e as ações relacionadas a ele ocupam boa parte do livro.

Para reconstruir essa trajetória, Maklouf utiliza documentos oficiais, notícias de jornais, entrevistas com pessoas que tiveram contato com Bolsonaro e seu julgamento, e trechos de outros livros (inclusive um escrito por Flávio Bolsonaro, cujos trechos são, diversas vezes, postos em dúvida por Maklouf com base em outras informações). Alguns desses documentos estão reproduzidos na obra, como as notícias da Veja acusando Bolsonaro de estar envolvido em um plano para explodir bombas em áreas militares.

No geral, a imagem retratada do capitão reformada não é positiva: alguém ganancioso, sem capacidade de liderança, que não respeita a hierarquia militar e defende pautas corporativistas. Pode ser um viés do autor, mas ele procura apresentar documentos e relatos que corroborem esse retrato.

Ao longo dos últimos meses, parece ter ficado claro que a vida pessoal de Bolsonaro se entrelaça com sua carreira política e profissional. Infelizmente, o livro traz poucas novas informações sobre esse aspecto. Outro lado que deixa a desejar é a escolha do autor em terminar o livro no fim do julgamento no STM, não retratando os últimos meses desse capitão no Exército, que provavelmente se misturam com sua corrida para se eleger vereador.

O livro parece uma grande reportagem. De toda forma, é interessante para conhecer mais sobre a origem do atual presidente e da história desonrosa que quase o levou a ser expulso das Forças Armadas e que deu início a sua carreira política.
Profile Image for Ricardo Grings.
60 reviews1 follower
December 30, 2025
Um bom tema, um livro que não se encontra

O cadete e o capitão parte de um objeto que, por si só, já justificaria o livro: a trajetória inicial de Jair Bolsonaro no Exército Brasileiro, do período como cadete até o episódio que o levou à ruptura com a carreira militar. É um recorte importante porque ajuda a entender não apenas o personagem, mas o ambiente que o produziu — e que depois fingiu surpresa com o resultado.

Eu não gostei do livro, a redação é truncada, parecendo uma peça jurídica mal escrita (ou os memorandos característicos do exercito - talvez fosse alguma semiótica que o autor tenha usado - eheh) A redação não me agrada, com muitas partes truncadas, detalhamentos e longas citações não caracterizadas, repetições demasiadas (inclusive dos mesmos trechos de texto), nomes completos e cargos...

Parece um grande relato, tive a sensação de ler um TCC mal escrito de aluno de graduação, cheio de referências mas sem uma história sendo contada.
O autor fez o esforço de contar uma história dividindo os capítulos em partes que pudessem contar a história, mas dentro de cada capitulo, o desenvolvimento não foi bom. Tentando manter certa ponderação no texto (o que claramente não era o caso, no fim das contas) utilizou uma redação xoxa e problemática para desenvolver o texto.
Por outro lado, o tema é bem relevante, bastante importante para analisar o contexto de desenvolvimento da figura complexa e problemática na caserna mesmo.
Teria sido mais interessante o texto ser desenvolvido por alguém que conhecesse um pouco mais o ambiente militar, o dia-a-dia nos quarteis e como o Bolsonaro (e os demais capitães naquele contexto) eram arruaceiros problemáticos.
Faltou também um pouco da contextualização do ambiente militar naqueles anos de transição entre a ditadura militar e o governo civil, e a tensão envolvida nesse processo (motivo pelo qual, inclusive, a questão Bolsonaro foi tão delicada para o EB naquele momento).

A melhor parte foi a publicação das documentações do processo e das reportagens dos jornais e revista da época, de forma cronológica - apenas alguns estavam em formato que impedia a leitura, mas a maioria foi possível ler.
Em resumo, não gostei do livro, embora o assunto seja importante e relevante.

O pano de fundo é decisivo. Fim da ditadura militar, primeira metade dos anos 1980, processo de abertura em andamento, poder civil retomando espaço e um Exército em posição defensiva, tentando preservar coesão, hierarquia e imagem pública. Nesse contexto, oficiais intermediários — especialmente capitães — eram um ponto sensível: jovens o suficiente para ainda disputar espaço interno, velhos o bastante para já se sentirem frustrados, muitos deles formados sob a lógica autoritária, mas agora obrigados a operar num mundo em transição.

Bolsonaro surge exatamente aí: um oficial indisciplinado, ressentido, corporativista, com dificuldade de aceitar limites hierárquicos e inclinação constante ao confronto. Isso o livro mostra. O problema é como mostra.

A narrativa é excessivamente burocrática, truncada, pesada. O texto lembra uma peça jurídica mal escrita ou um relatório administrativo estendido artificialmente até virar livro. Há longas citações sem adequada contextualização, repetição de nomes completos e cargos como se o leitor estivesse lendo uma ata, além de trechos que reaparecem quase idênticos mais adiante. A leitura se arrasta. Falta fluidez, falta costura, falta alguém dizendo: “isso importa, isso não”.

O autor claramente opta por uma postura de aparente neutralidade, mas o resultado não é equilíbrio — é uma escrita anêmica. Ao evitar tomar posição analítica mais clara, o texto perde densidade interpretativa. O livro descreve muito, analisa pouco. Apresenta fatos, mas raramente os articula dentro de um quadro mais amplo sobre cultura militar, disciplina, ethos da caserna e o peso simbólico da hierarquia naquele momento histórico.

E isso é especialmente frustrante porque o contexto permitiria muito mais. A questão Bolsonaro foi delicada para o Exército não por acaso. Não se tratava apenas de um capitão insatisfeito, mas de um problema institucional: um oficial que tensionava os limites da disciplina num momento em que a instituição precisava, acima de tudo, parecer controlada, profissional e subordinada ao poder civil. Esse conflito — entre preservar a corporação e lidar com seus elementos mais indisciplinados — aparece apenas de forma lateral no livro, quando deveria ser eixo central.

Falta também uma compreensão mais íntima do cotidiano militar. O livro ganharia muito se o autor tivesse maior familiaridade com a vida nos quartéis, com as microdinâmicas de poder, com o peso informal das hierarquias e com o modo como figuras como Bolsonaro são vistas internamente: não como “rebeldes”, mas como incômodos, ruidosos, pouco confiáveis. Isso fica subentendido, mas nunca plenamente desenvolvido.

O grande mérito do livro está na documentação. A reunião cronológica de documentos oficiais, processos e reportagens da época é valiosa. É ali que o livro realmente funciona. Quando o autor se afasta e deixa os registros falarem, o leitor finalmente consegue perceber a gravidade do caso, o desconforto institucional e o esforço do Exército em resolver o problema sem ampliar o dano público. Paradoxalmente, o livro é melhor como arquivo do que como narrativa.

No fim, O cadete e o capitão deixa uma sensação clara de oportunidade perdida. O tema é relevante, necessário e ajuda a iluminar a formação de um personagem central da política brasileira recente. Mas a execução é fraca. Faltou domínio narrativo, faltou coragem analítica e sobrou texto burocrático.

É um livro que se lê mais pelo assunto do que pela escrita.
E isso, para quem esperava compreender melhor a gênese de Bolsonaro e a postura do Exército naquele período, é frustrante.

Introdução
O livro se propõe a reconstituir a trajetória inicial de Jair Bolsonaro no Exército, especialmente o episódio que quase levou à sua expulsão da corporação. O autor apresenta o caso como exemplar para compreender a formação de um personagem que mais tarde ocuparia o centro da política nacional. Desde o início, deixa claro que a obra se apoia fortemente em documentos oficiais, processos judiciais e reportagens da época. A introdução estabelece o tom investigativo e documental do livro.

1. O pequeno mateiro e o capitão Lamarca: uma história mal contada
O capítulo revisita a figura de Carlos Lamarca como contraponto simbólico à trajetória de Bolsonaro. Discute como a memória de Lamarca foi construída e disputada dentro e fora do Exército. O autor sugere que a comparação entre os dois personagens revela muito sobre os dilemas da caserna no período pós-ditadura. O capítulo também serve para introduzir o tema da indisciplina militar como problema recorrente.

2. O cadete 531, ou “Cavalão”
Aqui se descreve a passagem de Bolsonaro pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). O texto enfatiza seu desempenho mediano, seu perfil físico destacado e sua postura frequentemente conflitiva. Surgem os primeiros registros de comportamento considerado inadequado à disciplina militar. O capítulo constrói a imagem de um cadete que não se encaixava plenamente nos padrões esperados pela instituição.

3. O salvamento do soldado Celso
O autor narra um episódio em que Bolsonaro participa do resgate de um soldado durante treinamento. O fato é apresentado como um dos momentos positivos de sua carreira inicial, frequentemente citado por seus defensores. O capítulo discute como esse evento foi posteriormente utilizado para reforçar uma narrativa de bravura e heroísmo. Também aponta como episódios isolados foram inflados na construção da imagem pública do capitão.

4. Melancias na fronteira
O capítulo aborda um episódio aparentemente banal ocorrido durante missão na fronteira. A narrativa serve para ilustrar o ambiente de precariedade, informalidade e improviso em certas operações militares. O autor usa o episódio para discutir práticas toleradas na rotina dos quartéis. A análise aponta para a distância entre o discurso oficial de disciplina e a prática cotidiana.

5. “Demonstrações de excessiva ambição”
Aqui começa a se delinear o conflito central do livro. O capítulo apresenta avaliações internas do Exército que apontavam Bolsonaro como alguém excessivamente ambicioso e pouco alinhado à hierarquia. Surgem registros formais de insatisfação com sua postura. O texto mostra como essas avaliações pesariam nos processos disciplinares posteriores.

6. Acidente com paraquedas
O autor descreve o acidente sofrido por Bolsonaro durante um treinamento de paraquedismo. O episódio é analisado tanto sob o aspecto físico quanto simbólico, marcando um momento de inflexão em sua carreira militar. O capítulo discute as consequências do acidente e suas repercussões internas. Também sugere que o episódio contribuiu para seu afastamento progressivo das atividades operacionais.

7. Artigo em Veja e prisão disciplinar
Este capítulo trata da publicação de um artigo atribuído a Bolsonaro na revista Veja, criticando baixos salários no Exército. O texto detalha como o episódio foi interpretado como quebra grave de disciplina. Como consequência, Bolsonaro sofre prisão disciplinar. O autor destaca o choque entre a cultura de obediência militar e a exposição pública de conflitos internos.

8. Operação Beco sem Saída
O capítulo apresenta a acusação mais grave: a suposta participação de Bolsonaro em um plano para explodir bombas em instalações militares. O autor descreve a origem da denúncia e os primeiros desdobramentos da investigação. A narrativa enfatiza o clima de tensão dentro do Exército. Este é o ponto em que o caso deixa de ser apenas disciplinar e passa ao âmbito criminal.

9. Sindicância no Exército
Aqui se detalha a abertura formal da sindicância interna. O capítulo descreve procedimentos, depoimentos iniciais e disputas internas. Fica evidente o desconforto da instituição ao lidar com o caso. O autor mostra como o Exército tenta equilibrar rigor disciplinar e autopreservação institucional.

10. O Conselho colhe os primeiros depoimentos
O texto passa a acompanhar o funcionamento do Conselho de Justificação. São apresentados os depoimentos de colegas, superiores e envolvidos diretos. O capítulo destaca contradições e ambiguidades nas falas. O autor sugere que o processo já nasce marcado por disputas internas e cautela excessiva.

11. Mais perícias
O foco aqui está nas análises técnicas e perícias realizadas para sustentar ou refutar a acusação. O capítulo descreve laudos, pareceres e controvérsias técnicas. O excesso de formalismo e a lentidão do processo ganham destaque. O autor aponta que as perícias acabam mais confundindo do que esclarecendo.

12. Entra em cena o Superior Tribunal Militar
O caso é levado ao Superior Tribunal Militar (STM). O capítulo explica o funcionamento do tribunal e sua composição. O autor contextualiza o STM como uma instância profundamente ligada à lógica corporativa. A entrada do tribunal eleva o peso político do processo.

13. O Ministério Público Militar é impedido de falar
Este capítulo descreve um momento-chave do julgamento, quando o Ministério Público Militar tem sua atuação limitada. O autor analisa o impacto dessa decisão sobre o equilíbrio do processo. A narrativa sugere um enfraquecimento da acusação. O capítulo reforça a sensação de um julgamento defensivo da própria instituição.

14. Fala o relator
O relator do processo apresenta seu voto e interpretação dos fatos. O capítulo detalha seus argumentos, que tendem a minimizar as provas existentes. O autor destaca o tom cauteloso e jurídico do voto. A leitura sugere uma inclinação pela absolvição desde esse momento.

15. Fala a advogada de Jair Bolsonaro
Aqui são apresentados os argumentos da defesa. A advogada questiona a consistência das provas e enfatiza contradições no processo. O capítulo mostra como a defesa se apoia fortemente na dúvida e na fragilidade técnica da acusação. O discurso jurídico passa a dominar completamente a narrativa.

16. In dubio pro reo
O princípio da dúvida em favor do réu é colocado no centro do julgamento. O autor discute como esse princípio foi aplicado de forma ampla no caso. O capítulo analisa se a dúvida era realmente insuperável ou convenientemente construída. Fica clara a dificuldade do tribunal em condenar um oficial.

17. Revisor traça “perfil psicológico”
O revisor do processo apresenta uma análise que inclui observações sobre o perfil psicológico de Bolsonaro. O capítulo descreve essa tentativa de interpretação subjetiva do personagem. O autor sugere que o perfil acaba sendo usado mais como atenuante do que como agravante. A psicologização substitui o exame objetivo dos fatos.

18. Os ministros votam: 9 a 4
O capítulo final descreve a votação no STM que absolve Bolsonaro. O autor aborda cada voto gravado (2 deles não são) e mostra que o julgamento foi muito mais da relação do exército com a Veja do que o caso Bolsonaro.
O encerramento do processo marca o fim da carreira militar e o início da trajetória política do personagem.
Profile Image for Breno Coelho.
74 reviews2 followers
April 8, 2020
O que deveria ter sido uma pequena reportagem foi transformada em livro, que não entrega o que promete no titulo, é praticamente uma descrição do audio do julgamento no STM. Não recomendo.
Profile Image for Tiago Padlir.
42 reviews4 followers
May 21, 2020
Poderia ser uma daquelas grandes reportagens da Piauí, mas de tão extensa, precisou virar livro. Há uma passagem muito interessante sobre um dos juízes militares que votou pela não-culpa do agora presidente. Ele diz, mais ou menos, que Bolsonaro não é louco, mas age como uma criança. Está aí o retrato, anos atrás, da pessoa que hoje usa a faixa presidencial, dita por um dos seus.
Profile Image for Luiz G Scorzafave.
19 reviews
July 27, 2023
O livro relata a vida de Bolsonaro no quartel, mas é muito descritivo e pouco analitico. Centra muito tempo da narrativa no julgamento de Bolsonaro, mas em alguns momentos quase transcrevendo os votos dos ministros do STM.
Profile Image for Gabriel Nunes.
1 review13 followers
April 6, 2021
Como informado pelo autor, "Logo se verá que é um livro com muitas citações literais. Não vi outra saída." De fato, como um bom trabalho de jornalismo investigativo, O cadete e o capitão: A vida de Jair Bolsonaro no quartel é baseado em uma série de documentos oficiais, incluindo laudos periciais e gravações de audiências secretas, mantidos por órgãos como o Superior Tribunal Militar e fornecidos ao autor. Apesar de tantas citações, a princípio, parecerem um obstáculo à leitura, o conteúdo apresentado garante a atenção do leitor.

O eixo central do livro, a acusação contra os então capitães do Exército Jair Bolsonaro e Fábio Passos por planejarem ataques a bomba contra instalações do Exército, é de extrema relevância histórica. Amplamente noticiado pela imprensa à época, o plano foi vazado à revista Veja pelos próprios capitães, que em seguida passaram a negar qualquer envolvimento. Entretanto, foram desmentidos pelo Conselho de Justificação militar ao qual foram submetidos, como apontou o subprocurador-geral do Ministério Público Militar, Milton Menezes da Costa Filho:


O resultado do Conselho de Justificação levou à publicação de um editorial no Noticiário do Exército nº 7449, de 25 de fevereiro de 1988, intitulado "A verdade: Um símbolo da honra militar", com a afirmação de que Jair Bolsonaro e Fábio Passos "faltaram com a verdade e macularam a dignidade militar". A "verdade", talvez aquela mesma que vos libertará.

Mas além da acusação contra Jair Bolsonaro e do processo que dela decorreu, é também interessante notar como o então capitão era descrito à época pelos seus superiores (e o quanto essas descrições continuam válidas ainda hoje), como no caso do coronel Carlos Alberto Pellegrino, comandante de Jair Bolsonaro quando no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista:


Por fim, não poderia deixar de ressaltar o melhor comentário, gravado, feito por José Luis Clerot, do Superior Tribunal Militar:
Profile Image for Igor.
596 reviews19 followers
March 31, 2021
Leitura rápida e interessante para quem quer conhecer mais o atual presidente. E digo que vale também para compreender um pouco melhor como pensam boa parte dos militares, e por influência, policiais militares. Não é um livro para ler 'solo', mas dentro de uma estratégia com outros materiais.

Para mim é interessante porque tenho familiar muito próximo com história pessoal, temperamento, carreira e estilo de pensar parecidos com o 'capitão'. Saiu da aeronáutica como capitão, e reformado, virou major (pelas regras da época). Acho que não teve artigo publicado em revista por algum detalhe do destino porque também entrou em conflito com o sistema. E não, não era fascista. Até porque se arriscou na Segunda Guerra, na Itália, para derrubar aquele regime.

Agora é opinião minha, por conhecer pessoas parecidas: dizem que o 'Messias' é fascista, mas penso que ele está mais para 'tenentista'. Sim, daquele movimento do início do século XX. Influência forte positivista. Aqui também tenho um familiar envolvido, tio bisavô, que morreu na revolta do forte de Copacabana em 1922: Octavio, O Civil Dos 18 Do Forte De Copacabana by Afonso Licks , Afonso Licks. Este livro faz justiça histórica do civil, Octavio Corrêa (e não Correia, como ficou durante décadas), meu familiar meio 'esquecido'. Acredito que deva ter dado muita dor de cabeça para os familiares da época, como perseguição política e retaliações. Nem eu sei direito.

Enfim, a parte meu desabafo pessoal, acho que o livro vale, desde que acompanhado de outros materiais sobre milícias, ditadura militar e história do Brasil em geral.
Profile Image for André.
127 reviews16 followers
May 24, 2023
Último livro-reportagem do finado jornalista Luiz Maklouf Carvalho, O Cadete é uma biografia crítica do ex-presidente Jair Bolsonaro até o desfecho de seu julgamento pelo Superior Tribunal Militar (STM). Para escrever a obra, Maklouf realizou entrevistas, leu todos os artigos de imprensa publicados sobre Bolsonaro até o final de seu processo no STM (reproduzidos no livro), analisou os autos do processo e ouviu a gravação dos debates e votos dos ministros. Além disso, consultou algumas fontes bibliográficas, entre elas o livro-propaganda “escrito” por Flávio Bolsonaro sobre seu pai.

A pesquisa de Maklouf desvenda um homem de habilidades medíocres, mas inclinado à automitologização, e que se livrou da expulsão do Exército devido a uma interpretação equivocada, pelos juízes do STM, das perícias apresentadas no processo. Não podemos, contudo, ser benevolentes com os votos dos juízes. O mais provável é que houve um acerto entre alguns ministros e Bolsonaro, que se aposentou logo após o STM absolvê-lo. Admito que Bolsonaro teve seu mérito ao buscar a ascensão social por meio do Exército, mas sua ambição excedia em muito as possibilidades oferecidas pelas Forças Armadas, o que o levou a praticar atos de indisciplina logo no início da carreira militar. Não é coincidência que os atos de indisciplina logo se multiplicaram, chegando à esfera penal, conforme sua carreira política avançava.

O Cadete é uma leitura envolvente até o momento do processo, quando se torna um pouco monótono. No entanto, dada a brevidade do livro, não é difícil concluí-lo em poucas horas.
Profile Image for Leila Mota.
690 reviews6 followers
May 23, 2020
Muito bem escrito e pesquisado, didático em sua exposição de fatos que iluminam um pouco um episódio específico da vida de uma figura hoje relevante para a história e a política do Brasil. Não vejo como uma biografia, embora apresente dados biográficos. Tenho uma preferência pelo gênero. Sempre acho fascinante o descortinar de aspectos das vidas de pessoas que influenciaram ou influenciam a história ou a cultura. Não é o caso. Embora continue me interessando por esse nicho, a figura pesquisada não tem brilho suficiente para fascinar. Pelo contrário. Confesso o desgosto.
Profile Image for Rodolfo Borges.
252 reviews3 followers
April 13, 2021
O trabalho de reportagem é exemplar. O histórico de Bolsonaro no quartel é honroso, pelo menos até o episódio em que é acusado de tramar explosões em unidades militares para protestar contra os baixos salários. Mesmo nesse caso, contudo, seria possível louvar a obstinação do capitão ou sua preocupação com a categoria. Mas o que se sobressai como característica do personagem é o que parece ser o motor da política brasileira: ressentimento.
Profile Image for Rachel ✿.
251 reviews2 followers
June 5, 2022
Segundo algumas outras avaliações, o conteúdo é praticamente idêntico à matéria da revista, que não haveria nenhuma novidade. Realmente, o conteúdo parece matéria jornalística, mas considero que tem riqueza de detalhes. Já que intencionavam publicar em livro, que o fizesse antes das eleições de 2018. Todo brasileiro tinha que ler, mas chegou tarde.
123 reviews1 follower
July 6, 2020
Não gostei do livro em si, da forma como as informações foram dadas. Mas gostei de saber que o processso contra o Bolsonaro foi uma farsa, havendo um "acordo" entre ele o ministro do exército Leônidas Pires Gonçalves que seria inocentado mas que deixaria o exército.

Profile Image for Amanda Ariela.
87 reviews2 followers
February 1, 2021
Gostaria que ele tivesse elaborado um pouco mais sobre o Bolsonaro pós-julgamento, para ajudar a entender, de fato, como aquele resultado o propulsou para a política, como é explicado no livro.

Agradeço a Todavia, que na época das eleições disponibilizou o livro para download gratuito no Kindle.
Profile Image for Roberto Rudiney.
77 reviews1 follower
April 21, 2023
Sempre foi um merda e sempre foi acobertado pelas instituições.


Só não achei que o livro tem cara de livro, parece só uma reportagem qualquer. Não sei bem expressar como isso é negativo na verdade, foi mal aí. Vale muito a pena pela documentação colhida.
Profile Image for Mayra Barbosa de Souza.
93 reviews4 followers
June 28, 2021
Relato jornalístico interessante sobre o Bolsonaro na época em que serviu às Forças Armadas.
Desde sempre, uma vergonha.
Profile Image for Italo.
77 reviews
July 19, 2025
Esperava mais do livro, mas a história é interessante para entender um pouco da vida dessa pessoa e como ele já se mostrava horrível desde sempre
Profile Image for Leonardo.
22 reviews1 follower
April 26, 2022
Apesar de passar o dobro de tempo no Congresso Nacional, Bolsonaro se considera muito mais "capitão" do que "deputado". No meio do caminho, porém, acabou sendo preso disciplinarmente por 15 dias e, cerca de um anos depois, foi julgado e condenado pelo Conselho de Justificação pelo plano "Beco Sem Saída", com objetivo de explodir bombas caseiras em diversos quartéis como protesto contra o 'baixo soldo', sendo mais tarde absolvido pelo Supremo Tribunal Militar (STM).

O livro se propõe a analisar a vida de Bolsonaro no quartel, mas assim como a sua vida no congresso, nada de excepcional acontece. Aluno de algumas notas, teve um acontecimento aqui outro acolá, foi chegando ao título de capitão sem muitos acontecimentos. Depois de uma entrevista para a Veja criticando os baixos salários, teve seus 15 minutos de fama, foi punido e sua vida começa finalmente a mudar de rumo.

Um ano depois da entrevista, Bolsonaro aparece novamente na Veja, mas dessa vez em forma de denúncia contra o plano que estava bolando junto de outro colega para explodir bombas. O livro no fundo é uma análise do julgamento de Bolsonaro, tanto na comissão que o julgou culpado quanto no STM que o inocentou. Contextualiza a vida de Bolsonaro e a época, apresenta as provas e os julgamentos.

As provas são claras de que Bolsonaro era realmente o autor do plano "Beco Sem Saída", onde ele conseguiu transformar 2 laudos que afirmavam categoricamente que veio de punho próprio do capitão os croquis do plano em um "empate" de 2x2. Apesar de não gostar de ser chamado de mentiroso, Bolsonaro adotou um discurso de que a jornalista queria manchar a sua imagem, mas nunca tomou medidas legais contra a jornalista nem mostrou provas para suportar a sua tese.

Como foi dito, o livro é muito mais uma análise do caso "Beco Sem Saída" do que um estudo sobre a vida no quartel ou até uma avaliação do personagem central. O livro é uma referência, com fontes, reproduções e entrevistas que dão extrema credibilidade para a história. Apesar de não ser um livro explicitamente sobre Bolsonaro, lendo entra as linhas é possível fazer uma avaliação do personagem que se tornaria presidente do Brasil em 2018. No exemplo citado, Bolsonaro cria uma narrativa dele, que apesar de contraditória, distorce alguns fatos e provoca sensação de incerta em quem não busca os fatos nos detalhes.

Outras características podem ser extraídas, como Bolsonaro conceder entrevista à Veja mesmo que isso contrariasse as condutas do exército, ou os relatos sobre sua crescente autoridade, desrespeito à hierarquia, péssima aceitação de críticas e falta de tato em efetivamente liderar. Vale ressaltar um acontecimento quando Bolsonaro, ainda jovem, decidiu ir para o interior da Bahia atrás de um boato sobre garimpo de ouro. Bolsonaro assumiu a presidência em 2018 ainda falando do milagroso nióbio, mostrando que ainda se deixa levar por boatos e metais "preciosos".

Maklouf utiliza-se muito bem de ironias pontuais para contar essa história de uma forma que prende o leitor e torna a leitura atraente. O livro não traz um discernimento do personagem Jair Messias Bolsonaro, mas essa nunca foi a proposta. O livro é claro e serve de referência para entender como Bolsonaro acabou entrando para a vida política, o que mudaria o rumo da sua vida e, consequentemente, do país. Quando foi absolvido por 9x4, é nítido como 5 votos dos ministros à favor de Bolsonaro foram na verdade contra a revista Veja, e alguns que compraram a narrativa distorcida do acusado.

As consequências de deixar até pequenos crimes impunes são vistas no futuro, e esse é mais um exemplo disso. O STM decidiu não condenar Bolsonaro para atacar a Veja e proteger a imagem do então ministro do Exército, Leônidas, preferindo um acordo por baixo dos panos que acabou lançando o capitão para a política. Não é um estudo sobre Bolsonaro, sobre sua vida, sobre como virou deputado, ou nem como virou presidente, mas é um livro importante para lançar luz no momento de maior tropeço de Bolsonaro e de como essa queda foi na verdade um trampolim para lançá-lo onde realmente se encontrou na vida.
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