A perspectiva decolonial é uma das mais atuais e contestadoras linhas do pensamento feminista contemporâneo, reivindicando a desconstrução de leituras hegemônicas sobre a mulher e o discurso de feministas oriundas dos países historicamente dominantes. Como reação ao processo de colonização – histórico e intelectual – o pensamento decolonial irrompe o cenário do feminismo com novas teorias e novos questionamentos sobre o problema do gênero, raça, classe e da própria epistemologia.
Heloísa Teixeira, formerly known as Heloísa Buarque de Hollanda was a Brazilian writer, essayist, editor, and literary critic, whose research activity focused on the relationship between culture and development, particularly with regard to poetry, feminism, gender and ethnic relations, marginalized cultures, and digital culture.
Provavelmente o Volume mais crucial da série, no sentido de que apresenta artigos e textos de feministas “amefricanas”, isto é, de ascendência africana e indígena. Para as leitoras brasileiras este livro é essencial porque nos permite ter uma visão mais completa do movimento feminista: não apenas como uma luta pela liberdade sobre o nosso corpo, liberdade sobre nossos relacionamentos, da nossa vida profissional, mas o feminismo como uma ferramenta revolucionária que também deve servir para transformar o sistema-mundo no qual vivemos.
Partindo das margens, como diz Patricia Hill Colins, estas feministas nos trazem duas perspectivas importantíssimas: 1) uma análise crítica do modelo de Modernidade instaurado nas Américas desde a época colonial - sendo o projeto colonial um projeto necessariamente eurocêntrico, classicista, sexista e racista, cuja lógica se vê instaurada na subjetividade dxs latinx-americanxs até os dias atuais -; 2) a construção de novas perspectivas para se pensar o mundo a partir de agentes “amefricanos”, não no sentido de buscar num passado longínquo e romanticizado os conceitos para se reconstruir o presente, mas no sentido de deixar que as experiências destes agentes sejam usadas na confecção de modelos que venham a substituir a lógica colonial vigente (que é extremamente opressiva, de múltiplas formas).