Por que tantos de nós estão perdidos e ansiosos nadando entre a raiva e a melancolia? Nossa subjetividade tem sido sugada por um redemoinho de idealizações, imediatismo, comparações, angústias, miopia para a alteridade e confusão entre narcisismo e amor-próprio, e isso tem implicações individuais e sociais. O mundo que habita em nós convida leitores e leitoras a entender, por meio de deliciosas e precisas reflexões filosóficas, o mundo em que vivemos e o que ele muitas vezes provoca no interior de cada um. Tais reflexões são embasadas em citações literárias, poéticas e musicais, verdadeiras inspirações para quem lê. A obra é divida em quatro partes: 1. O “nós” que habita o “eu”, 2. O apagamento do outro, 3. Muros e carências, e 4. O si mesmo no mundo, e os assuntos abordados são, entre outros: solidão; parecer versus ser; pressa, busca do prazer e perda da singularidade; adequações e escolhas; medo e controle; o encontro com o si mesmo e o fortalecimento do si mesmo, todos eles de extrema relevância nos dias de hoje. Tempos sombrios pedem informação de qualidade; tanto melhor se ela vier por meio de uma leitura luminosa. Aceite, então, o convite irrecusável da autora: “Espero que, após a leitura, você ganhe mais consciência de si mesma/si mesmo, aumente sua compreensão sobre as distâncias e os emaranhados entre você e as coisas, distinga com mais clareza o que quer daquilo que não quer para você, e sinta mais profundamente, com mais graça do que frustração, a experiência de estar vivo”.
Nasceu em 20 de outubro de 1980 em Formiga, Minas Gerais, cresceu em Belo Horizonte e atualmente mora em São Paulo com seu marido e filha. É formada em Jornalismo, pela UFMG, e em Filosofia, pela USP. Por oito anos, foi colunista da revista Capricho, na qual trabalhou também como editora assistente por três anos. Atualmente, é editora da revista Claudia. É autora dos livros juvenis O Diário de Débora, O Diário de Débora 2 (Marco Zero) e de O novo mundo de Muriel (Planeta), do chick lit Uma bebida e um amor sem gelo, por favor (Marco Zero), e dos romances adultos À revelia (Letras do Brasil), Três viúvas e Sem rumo (Planeta).
um livrinho curto que carrega em si toda a mente humana, ou pelo menos uma parecida com a minha, se é que isso é possível, afinal, somos todos tão diferentes. cada um enxerga à sua maneira, podemos olhar a mesma coisa e termos visões completamente diferentes. deve ser por isso que vivemos nos chocando, nos desentendendo, frustrando-se uns com outros, e na maior das loucuras, nos amando.
o fato é que compartilhamos de um mundo ao mesmo tempo que vivemos em um de nossa própria autoria. nos julgamos auto suficientes quando até mesmo a nossa solidão só pode ter sido concebida porque existe o outro. e, às vezes, estamos sozinhos porque não conseguimos enxergar a realidade de alguém além de nós mesmos. não acredito que seja possível entender outro ser humano, mas enxergar, sim.
lili traz aqui o peso do que é viver no mundo atual, com pensamentos que qualquer um de nós já deve ter tido. aquela falta de capacidade de se enxergar, sempre querendo mais, sem desfrutar do que somos na expectativa do que seremos no futuro. aqui temos a busca pelo si, mas o de hoje, não com todas as possibilidades que nos transformará.
aqui saímos com uma nova percepção sobre si e com um novo olhar sobre o outro. afinal, e se ele só estivesse sendo ele mesmo e não pudesse ser nada além daquilo, e aquela versão dele não incluía me amar e fiquei magoado por ele não poder fazer o que eu fiz com facilidade?
às vezes, culpamos o outro e a nós mesmos por não se enquadrar ao que que temos como verdade. e acho que aceitamos isso como parte da natureza humana, como se fosse puro instinto e não algo passível de evolução. nos acomodamos em nós mesmos e confundimos os pedidos do ego com os do coração e assim nunca estamos satisfeitos.
nessa leitura, é possível tirar uma pausa de tudo isso. abrimos a mente para tudo o que podemos ser hoje e agora, sem querer nada além do que já temos. sem desdenhar dos sonhos ou da ambição de ser melhor, mas também não fazer o mesmo com o que nós e os outros já somos.
“A pessoa convicta é uma fanática, uma prisioneira da própria ótica. É diferente de tomar uma decisão e seguir em frente, apesar de eventualmente tentarem nos demover disso. A pessoa convicta, nesse sentido de ter convicções muito engessadas, já se decidiu antes de se abrir à experiência, enquanto o decidido se abriu, caminhou pelo mundo, ouviu, viu e escolheu, de modo mais ou menos livre, por que rua ir dali em diante.”
[Storytel]Este livro é uma caminhada pelo autoconhecimento que o motiva a se questionar sem ter uma resposta. O trabalho feito pela storytel me pareceu ótimo, a autora Liliane Prata, fez um livro com objetividade e determinação. Não sou fã desse tipo de leitura e devo admitir que a escutei desinteressadamente, porém alguns recantos permaneceram em minha cabeça que acho que deveriam ter despertado mais interesse. Apesar de tudo isso, eu o recomendo.
gostei muito. o livro não podia ter um título melhor. fininho (130pags) mas profundo. provocativo, não da pra ler de uma vez só, te faz olhar pra dentro e pensar. um daqueles livros que equivalem a algumas sessões com a psi. recomendo, lembrando que ele é bem filosófico.