«Assim como quatro quintas partes do corpo humano são água, assim quatro quintas partes da grande corpulência do globo são mar. Parecendo separar os homens, o belo destino eterno do mar é reuni-los.
A bacia do Mediterrâneo confinava o mundo antigo habitado pelos gregos, pelos fenícios e pelos egípcios. Foi pelo Mediterrâneo que partiram as primeiras colónias que povoaram a África e a Ásia, estabelecendo o princípio das nossas relações com o mundo novo. No Egipto, na Pentapotâmia e na China as primitivas civilizações seguiram, segundo Humboldt, o curso dos rios e baixaram dos montes ao litoral. Na Fenícia, na Grécia, as primeiras expedições marítimas iniciaram os nossos domínios sobre as forças da natureza.
De tal modo o mar foi o primeiro guia da humanidade.»
José Duarte Ramalho Ortigão nasceu no Porto, na Casa de Germalde, freguesia de Santo Ildefonso. Era o mais velho de nove irmãos, filhos do primeiro-tenente de artilharia Joaquim da Costa Ramalho Ortigão e de D. Antónia Alves Duarte Silva Ramalho Ortigão.
Viveu a sua infância numa quinta do Porto com a avó materna, com a educação a cargo de um tio-avô e padrinho Frei José do Sacramento. Em Coimbra, frequentou brevemente o curso de Direito, começando a trabalhar como professor de francês no colégio da Lapa, no Porto, de que seu pai era director, e onde ensinou, entre outros, Eça de Queirós e Ricardo Jorge. Por essa altura, iniciou-se no jornalismo colaborando no Jornal do Porto . Foi colaborador em diversas publicações periódicas, nomeadamente: Acção realista (1924-1926); O António Maria (1879-1899); Branco e Negro: semanario illustrado (1896-1898); Brasil-Portugal: revista quinzenal illustrada(1899-1914); Contemporânea (1915-1926); Galeria republicana (1882-1883); A imprensa: revista científica, literária e artística (1885-1891); O occidente: revista illustrada de Portugal e do estrangeiro (1877-1915); A semana de Lisboa: supplemento do Jornal do Commercio (1893-1895); Serões: revista semanal ilustrada (1901-1911); O Thalassa: semanario humoristico e de caricaturas (1913-1915).
Em 24 de outubro de 1859 casou com D. Emília Isaura Vilaça de Araújo Vieira, de quem veio a ter três filhos: Vasco, Berta e Maria Feliciana.
Ainda no Porto, envolveu-se na Questão Coimbrã com o folheto "Literatura de hoje", acabando por enfrentar Antero de Quental num duelo de espadas, a quem apodou de cobarde por ter insultado o cego e velhinho António Feliciano de Castilho. Ramalho ficou fisicamente ferido no duelo travado, em 6 de fevereiro de 1866, no Jardim de Arca d'Água.
No ano seguinte, em 1867, visita a Exposição Universal em Paris, de que resulta o livro Em Paris, primeiro de uma série de livros de viagens. Insatisfeito com a sua situação no Porto, muda-se para Lisboa com a família, obtendo uma vaga para oficial da Academia das Ciências de Lisboa.
Reencontra em Lisboa o seu ex-aluno Eça de Queirós e com ele escreve um "romance execrável" (classificação dos autores no prefácio de 1884): O Mistério da Estrada de Sintra (1870), que marca o aparecimento do romance policial em Portugal. No mesmo ano, Ramalho Ortigão publica ainda Histórias cor-de-rosa e inicia a publicação de Correio de Hoje (1870-71). Em parceria com Eça de Queirós, surgem em 1871 os primeiros folhetos de As Farpas, de que vem a resultar a compilação em dois volumes sob o título Uma Campanha Alegre. Em finais de 1872, o seu amigo Eça de Queirós parte para Havana exercer o seu primeiro cargo consular no estrangeiro, continuando Ramalho Ortigão a redigir sozinho As Farpas.
Entretanto, Ramalho Ortigão tornara-se uma das principais figuras da chamada Geração de 70. Vai acontecer com ele o que aconteceu com quase todos os membros dessa geração. Numa primeira fase, pretendiam aproximar Portugal das sociedades modernas europeias, cosmopolitas e anticlericais. Desiludidos com as luzes europeias do progresso material, porém, numa segunda fase voltaram-se para as raízes de Portugal e para o programa de um "reaportuguesamento de Portugal". É dessa segunda fase a constituição do grupo "Os Vencidos da Vida", do qual fizeram parte, além de Ramalho Ortigão, o Conde de Sabugosa, o Conde de Ficalho, o Marquês de Soveral, o Conde de Arnoso, Antero de Quental, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro, Carlos Lobo de Ávila, Carlos de Lima Mayer e António Cândido. À intelectualidade proeminente da época juntava-se agora a nobreza, num último esforço para restaurar o prestígio da Monarquia, tendo o Rei D. Carlos I sido, significativamente, eleito por unanimidade "confrade suplente do grupo".
Na sequência do assassínio do Rei, em 1908, escreve D. Carlos o Martirizado. Com a implantação da República, em 1910, pede imediatamente a Teófilo Braga a demissão do cargo de bibliotecário da Real Bi
This book is about Portuguese beaches. From the north to the south of the country. The most and the least famous. But not only. Its characteristics, the animals that populate them, the food that the waters of these beaches provide, the qualities and its purposes, and the very literature that gave rise to the history of our beaches. Its inhabitants. Places of great interest, life in society, small memories, curiosities and historical monuments, gastronomy, cost of living, and rivalries between neighboring settlements. There are multiple subjects in the book: Portuguese hospitality, indigenous people, religious miracles, thermal healing of our waters, tertulias on the waterfront, two types of bathers, the vineyard by the river, beaches less known to the general public at the time, precautions before and after the bath. In short, in a few words: It is essential to highlight, above all, the enormous contribution that Ramalho Ortigão gave in writing this work, revealing the Portuguese beaches of the time (late eighteenth and early nineteenth century), revealing the habits and customs of the Portuguese at that time. What are some specific examples of the characteristics and animals found on Portuguese beaches? What are some of the historical monuments and places of interest mentioned in the book? What are some of the precautions recommended before and after swimming in the waters of these beaches?
O título já diz tudo sobre o livro. Escrito em 1876, é uma viagem pela costa portuguesa, descrevendo as praias, as vilas onde elas se situam e a população (tanto os moradores quanto os turistas). Ramalho Ortigão tem uma ótima escrita, o que torna a leitura muito agradável. Temos histórias fascinantes como a dos pescadores da Póvoa de Varzim, das rendeiras de Vila do Conde, da elite de Cascais, da rivalidade Espinho x Granja, das viagens entre o centro do Porto e a Foz do Douro, entre outras. Também aparecem alguma história da região e lendas locais. Ramalho Ortigão também faz críticas a sociedade de uma forma muito bem humorada em algumas partes do livro.
Além das praias, o livro tem um capítulo sobre o mar, que é uma mistura de aula de biologia marinha com uma ode ao mar. Há também alguns capítulos sobre saúde que mostram as vantagens de frequentar o litoral e tomar banho de mar (banho frio em geral) e até mesmo um pequeno guia de resgate e tratamento de afogados.
Foi um excelente leitura. Funciona quase como um guia turístico.
Não sei qual era a vida das demais famílias que iam para a Foz nesse tempo, porque a convivência era tão pouca que a gente comia salada de algo , francamente, sem receio de vir a a falar com outrem que não fosse da família.
Este é um livro sobre as praias portuguesas, e o que de melhor cada uma delas tem tanto ao nível das suas características espaciais, como também das suas características populacionais, mas sobretudo sobre o mar. Sobre a sua importância no carácter e na história do povo português, reflectindo-se nas obras arquitectónicas e nas obras literárias, e sobre os seus efeitos benéficos na saúde dos banhistas tanto física como psicologicamente. E o mar português tem ainda uma outra característica de que não devemos abdicar, a água fria, como refere Ramalho Ortigão. Escusado será dizer que as praias do Sul são em "As Praias de Portugal" deixadas de lado, sendo que a obra se centra essencialmente nas praias do Norte de Portugal continental. Mas a obra merece a nossa leitura nestes dias quentes de Verão...É retemperadora!
“O serviço dos caminhos de ferro americanos, explorador com talento, converterá dentro de pouco tempo a Foz num bairro do Porto. A empresa do carril da Boavista anuncia bilhetes anuais reduzidíssimos. Como esses bilhetes são pessoais e intransmissíveis, em cada bilhete será impessoal a fotografia do seu dono. Para este fim a empresa fará de graça o retrato fotográfico de cada um dos seus clientes.”
“A gente foge para o canto da cama, acalcanha como pode um apr de sapatos, enviar à pressa uma jaqueta, ata um lenço no pescoço, corre ao chapéu de palha que está num tabuleiro da mala em cima da cadeira, e lança-se na vida “de família” a braços com uma garrafa de Chably e com receio de ter talvez, indiscretamente, manifestado a cor dos seus suspensórios às amáveis senhoras A… e às encantadoras meninas B…”
“A primeira obrigação de uma pessoa bem-educada, antes ainda de saber distrair os outros, é saber distrair-se a si mesma.”