Inês Pedrosa é autora de um dos livros de que mais gostei: Fazes-me Falta. Foi dos poucos a que atribuí cinco estrelas. Dela também gostei de Fica Comigo Esta Noite, mas não ao nível do primeiro. A Eternidade e o Desejo foi uma desilusão e, como vêem, as opiniões têm ido em decrescendo. Por isso, estava um pouco receosa em relação a este último livro. Nada disso. Em boa hora o quis ler.
Tendo o fado como elo de ligação entre as personagens, este livro relata de forma exímia os amores e desamores entre as várias personagens, a consequente fome de amor e a complexidade subjacente às relações humanas. Sempre com uma pitada de ironia e reflexão sobre o momento actual que se vive. Temas como o HIV e a condição dos povos árabes são também abordados, o que, embora de forma melíflua, ajuda a fazer uma reflexão no contexto do tema.
Destaque positivo para a personagem Farimah (uma doçura imensa) - e mais ainda para Gabriel (manipulador e que dá razão de ser ao livro, a meu ver). Este vive de aparências, como alguns portugueses de classe média. No entanto, tem uma vida deprimente, tanto a nível familiar como a nível pessoal. Homem que tem como garantida a mulher em casa a tratar dos filhos, filhos esses que só pensam em sucesso profissional e em poder voar mais alto. Numa palavra, poder-se-ia dizer que é uma família hipócrita, como tantas outras, em que os aspectos contraditórios e irónicos vindos do patriarca acabam por provocar momentos de boa disposição. Pelo meio, deparamo-nos com outras personagens encantadoras que dão um encanto especial a este livro e que o tornam naquilo que é.
Uma nota final para as críticas que tenho lido acerca da obra... Não sei até que ponto quem deu pontuação tão baixa a este livro, o terá lido mesmo. Ou, de outra forma, se quem o pontuou assim, o terá realmente percebido. Julgo que não... São dúvidas/intrigas que me assaltam, mas a que não reconheço qualquer fundamento.
Recomendo sem qualquer sombra de dúvidas. Para ler, saborear e reler mais tarde.