Mário Raul de Morais Andrade was a Brazilian poet, novelist, musicologist, art historian and critic, and photographer. One of the founders of Brazilian modernism, he virtually created modern Brazilian poetry with the publication of his Paulicéia Desvairada (Hallucinated City) in 1922. He has had an enormous influence on Brazilian literature in the 20th and 21st centuries, and as a scholar and essayist—he was a pioneer of the field of ethnomusicology—his influence has reached far beyond Brazil. Andrade was the central figure in the avant-garde movement of São Paulo for twenty years. Trained as a musician and best known as a poet and novelist, Andrade was personally involved in virtually every discipline that was connected with São Paulo modernism, and became Brazil's national polymath. He was the driving force behind the Week of Modern Art, the 1922 event that reshaped both literature and the visual arts in Brazil. After working as a music professor and newspaper columnist he published his great novel, Macunaíma, in 1928. At the end of his life, he became the founding director of São Paulo's Department of Culture, formalizing a role he had long held as the catalyst of the city's—and the nation's—entry into artistic modernity.
Você pode criticar o quanto quiser o estilo meio afetado do Mário de Andrade mas quando a gente lê Belazarte, a gente vê exatamente o que era o subúrbio paulista no início do século, em toda sua confusão.
O uso subversivo da língua portuguesa é um traço marcante de Mário. Neste livro, em particular, figuras muito diversas são construídas, com suas idiossincrasias e marcadores linguísticos próprios de seus grupos sociais e de origem.
A mulher (ou "as mulheres") é figura central de vários contos. Seus pensamentos/não -pensamentos, desejos e perspectivas são tratados de modos diversos, mas sempre com a astúcia característica do poeta. Nestes contos, subjaz a inteligência e os desejos que permeiam a vida das mais diversas "mulheres paulistanas". Por exemplo: "Nascia nela (Teresinha) esse ódio impaciente e sem destino, que vem da virtude conservada a custo de muita miséria, virtude que ela estava certa, mais dia menos dia tinha de se acabar" (PG.90). E, efetivamente, acabou-se, quando a personagem consuma o ato com Fernandez, o carroceiro...
Para falar sobre a pobreza, o narrador também é muito fecundo: "Batia uma fome triste nele que outra saúva combatida não conseguia distrair mais. Banzava na desgraça, melancolizado com a repetição do elemento quotidiano" (PG.91).
“Desque principei abrasileirando minha literatura, tomei sempre bem tento nisto: se emprego termos, locuções, sintaxes do povo, não faço fala do povo porém literatura, isto é, busco enobrecer na linguagem escrita os monumentos populares.”
Mário de Andrade era diferenciado, sabia como poucos inserir em suas obras a realidade de sua época. Esses dias, por acaso, li uma matéria do jornal da USP o colocando como intérprete de um Brasil racista e eu não poderia concordar mais. Todos os contos são perpassados por questões de gênero, raça e classe dos personagens e é possível perceber que os personagens são frutos de sua época, não são ideias do próprio autor, pelo contrário, ele expõe as hipocrisias da sociedade em questão.
tem um conto que diz
"Não paga a pena a gente imaginar que todos somos iguais, besteira! Mamãe, por causa da muita religião, imagina que somos. Inventou de convidar Ellis, mãe e tutti quanti pra comer um doce em nossa casa, vieram. Foi um ridículo oprimente pra nós os superiores, e deprimente pra eles os desinfelizes."
A mãe por ser uma mulher de alta classe e religiosa, pensa "diferente" do filho, pq as influências são outras por conta da religião. Ela não necessariamente acha que são todos iguais, mas faz a caridade pregada pela igreja.
Mário teve várias sacadas geniais e soube usá-las de maneira primorosa.
Uma coleção de contos que poderia ter por títutlo "Tragédias de Belazarte".
Belazarte é o narrador dos contos desse opúsculo.
Entretanto, invariavelmente tendem a terminar com "X foi infeliz".
A natureza humana descrita lembra muito Aluízio de Azevedo em "O Cortiço", abordando pessoas de poucas posses, ou sofridas, ou que cavam a própria armadilha onde caem ...
Uma deliciosa leitura com sabores de São Paulo, imigrantes italianos, princípios do século XX, semana de arte moderna, transgressões ao português padrão... Não sei como poderia avaliar com menos de 5 estrelas!