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O Sangue a Ranger nas Curvas Apertadas do Coração

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«[...] Um mero sorriso, um meio sorriso, um sorriso simples. Já agora teu, mãe, já agora triste.
E de quem mais havia de ser — um sorriso numa altura dessas. Depois do fim.
Senão o teu, mãe única.
Com os teus mil rostos.»

Rui Caeiro

800 pages, Hardcover

Published June 1, 2019

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About the author

Rui Caeiro

24 books5 followers

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Displaying 1 - 4 of 4 reviews
Profile Image for la poesie a fleur de peau.
508 reviews63 followers
July 29, 2024
8.5/10


Cansado de escutar o sangue a ranger nas curvas apertadas do coração, acalentas o sonho:
um barco no mar a afundar-se: sem capitão, sem ratos, sem espavento
um único tripulante a bordo: tu"

***

"Espero um dia ter de esperar-te, com a ansiedade
dos que perderam tudo ou quase, menos talvez a memória
E espero humildemente vir a merecer-te, cometer um acto heróico
e merecer-te, ser outra e a mesma pessoa — e merecer-te
Espero estar bem triste para quando enfim chegares
poder dar-te o mais autêntico: a memória, a tristeza
Espero a grande disponibilidade de poder esperar à vontade
quero o espaço, todo o espaço — e muita falta de ar
Espero a paciência de adivinhar-te e a sufocação de ver-te
ou a graça de poder continuar à espera —indefinidamente
Espero, ardentemente espero que o tempo passe e a morte não exista
e eu apenas à tua espera rodeado de livros, sem perceber nada
Espero, já agora, que no final, como quem completa um puzzle
afinal mais simples do que parecia, tu simplesmente venhas"

***

"Quem vive para o amor está lixado
não tarda, que o amor é um amplo espaço
vazio sem cor nem forma e um silêncio
tumular por perto. Mau, muito mau
para se levar alguém. Mas tu vieste
e de imediato tudo fora já decidido
como quando alguém nasce e olha em torno
— pouco importa se estranha ou não a paisagem.
Tínhamos o nosso espaço e tínhamo-nos
a nós, um ao outro por natural companhia
era amor, tudo indicava. Podia-se morrer
disso. E tínhamos o tempo todo para ver."

***

Esta partilha não assinala nem um começo, nem um fim de leitura — trata-se de um livro que está comigo há pouco mais de um mês e tem sido uma preciosa companhia. Há semanas participava (pouco, e mais como observadora) numa conversa onde o tema da "posse" surgiu: na altura não me manifestei, mas as duas pessoas em questão concordavam que a posse dos livros é algo sobrevalorizada. A minha discórdia não se fez ouvir, nem essa discórdia serviria para o avançar da conversa: afinal, opiniões são opiniões, percebi o fundo das mesmas e aceitei-as com à vontade... a minha, guardei-a para mim e só a partilho com quem a quiser ler (o facto de estarem aqui, de lerem, de me seguirem, é voluntário, não me imponho perante nada nem ninguém e prefiro estar assim, só assim). Entendo que a posse possa ser sobrevalorizada, quantas vezes não imaginei que morria e que a minha humilde biblioteca ficava esquecida, ou talvez pouco e mal apreciada por quem a herdasse... e quantas vezes não imaginei a possibilidade de um desastre que alagasse todos os livros, ou que os fizesse arder... são objectos que estimo acima de muitos outros, e nem sequer sou especialmente materialista, mas sei que, apesar do sofrimento, iria ultrapassar a perda deste espólio. Mas, ainda assim, valorizo a posse. E muito. Ler poemas dispersos com recurso a um computador ou a um telefone não é uma experiência equiparável à sensação (corpórea, física, sensual — e a minha ligação ao mundo é feita com base nestes pilares) de agarrar na capa de um livro, de o abrir, de o folhear. Quero saber que, de madrugada, às duas da manhã, me posso levantar da cama e ir buscar um livro (ou mais): dentro deles encontro sempre algo de novo, um conforto e uma companhia nocturna que não me falha desde há muitos anos. O Rui Caeiro veio inscrever-se neste espaço de silêncio e não dou a leitura por iniciada nem por concluída: está intermitente, desde o dia 14 de Abril, e acompanha-me discretamente durante a noite... tal como os músculos que temos no lado esquerdo do peito vão trabalhando sem que nos apercebamos deles, também os seus poemas vão surgindo e criando ritmos dentro de mim.
Profile Image for MT.
201 reviews
September 15, 2021
“Espero um dia ter de esperar-te, com a ansiedade
dos que perderam tudo ou quase, menos talvez a memória
E espero humildemente vir a merece-te, cometer um ato heroico
e merecer-te, ser outra e a mesma pessoa – e merecer-te
Espero estar bem triste para quando enfim chegares
poder dar-te o mais autêntico: a memória, a tristeza
Espero a grande disponibilidade de poder esperar à vontade
quero o espaço, todo o espaço – e muita falta de ar
Espero a paciência de adivinhar-te e a sufocação de ver-te
ou a graça de poder continuar à espera – indefinidamente
Espero, ardentemente espero que o tempo passe e a morte não exista
e eu apenas à tua espera rodeado de livros, sem perceber nada
Espero, já agora, que no final, como quem completa um puzzle
afinal mais simples do que parecia, tu simplesmente venhas”

[ESPERO UM DIA, Livro de Afectos]
Profile Image for Castela.
31 reviews
January 22, 2023
Nasceste para dormir, para sonhar, para esquecer. Quem disse que nasceste para viver? E, no entanto, faças o fizeres é sempre a vida o bem que mais se gasta. A tua vida. Se te quedares inerte, esperando que o tempo não dê por ti, dormires, sonhares, tergiversares, esqueceres - é sempre a mesma a erosão sofrida, como idêntico é o bem que se consome. Aconteça o que acontecer, é sempre a vida a coisa mais maltratada. A tua vida. Mas não adianta pensá-lo, dizê-lo. Mas não adianta viver.
Profile Image for Carlos Teixeira Luís .
93 reviews1 follower
July 6, 2025
A ser lido com a calma da eternidade das árvores.

Espreitar a alma dum poeta, editor da extinta &etc, crítico, homem bom e alentejano de Vila Viçosa feito lisboeta.
Recolha definitiva de livrinhos, artigos, pequenos textos, poemas o que for. Para ler e reler ao longo da vida. Um livro que não se esgota.
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