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Estrela da manhã

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Conheça uma das principais obras do poeta Manuel Bandeira: Estrela da manhã!

Sua primeira edição já surgiu como raridade. Foram apenas cinquenta exemplares, impressos com capricho e assinados pelo autor, com capa de Santa Rosa e desenho de Portinari. O livro valorizava a mensagem do poeta, seu impulso de liberdade e de criação muito pessoal que, já naquela época, 1936, o apontava como um dos poetas mais originais e importantes da historia da poesia no Brasil.

Estrela da manhã reafirmava a posição assumida pelo poeta a partir de Libertinagem, seu livro anterior, a linguagem irônica alcançando a plenitude do coloquial, as nuanças de humor trágico, a insistência na poética de ruptura com a tradição, a exploração do folclore negro, o tema do "poeta sórdido", o interesse pela vertente social, a insuspeitada nostalgia da pureza.

O livro reúne alguns dos poemas mais importantes de Bandeira, pontos culminantes de sua poética, a começar pelo que da titulo ao livro, que se inicia pela quadra patética, "Eu quero a estrela da manha/ Onde esta a estrela da manha?/ Meus amigos meus inimigos/ Procurem a estrela da manha", e termina com o apelo doloroso: "Procurem por toda parte/ Pura ou degradada ate a ultima baixeza/ Eu quero a estrela da manha".

Em "Oração a Nossa Senhora da Boa Morte", o poeta revela sua religiosidade de sabor popular, tão brasileira. "Balada das três mulheres do sabonete Araxá" e uma variante moderna e um tanto irreverente de um poema famoso de Luis Delfino, "As três irmãs". Outros momentos marcantes do volume são o sintético e obsessivo "Poema do beco" ("Que importa a paisagem, a Gloria, a baia, a linha do horizonte?/- O que eu vejo e o beco"), "Momento num café", "Tragédia brasileira", "Conto cruel", "Rondo dos cavalinhos", "Marinheiro triste", estrelas de primeira grandeza da poesia brasileira.

O poeta rompe com o passado, expressando seu desagrado com os valores que a poesia tradicional havia consagrado: "Eu quero a estrela da manhã…" Aqui, Manuel Bandeira nos convida a olhar o horizonte onde surge a estrela da manhã e nos guia pela beleza e o encantamento das coisas cotidianas que residem dentro de cada um dos seus versos.

68 pages, Kindle Edition

First published January 1, 1936

174 people want to read

About the author

Manuel Bandeira

85 books95 followers
Manuel Bandeira (April 19, 1886 – October 13, 1968) was a Brazilian poet, literary critic, and translator, who wrote over 20 books of poetry and prose.
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Manuel Bandeira foi desenganado pelos médicos por causa de uma tuberculose, aos dezenove anos de idade. O que provou ser um engano: ele viveu até os 82. Toda a sua poesia tem esse sentimento, em suas palavras, de "Toda uma vida que poderia ter sido e não foi".

Ele foi um dos poetas nacionais mais admirados, inspirando, até hoje, desde novos escritores a compositores. Aliás, o "ritmo bandeiriano" merece estudos aprofundados de ensaístas. Por vezes inspira escritores não só em razão de sua temática, mas também devido ao estilo sóbrio de escrever.

Manuel Bandeira possui um estilo simples e direto, embora não compartilhe da dureza de poetas como João Cabral de Melo Neto, também pernambucano. Aliás, numa análise entre as obras de Bandeira e João Cabral, vê-se que este, ao contrário daquele, visa a purgar de sua obra o lirismo. Bandeira foi o mais lírico dos poetas. Aborda temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estréia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.

É comum criar poemas (como o Poética, parte de Libertinagem) que se transforma quase que em um manifesto da poesia moderna. No entanto, suas origens estão na poesia parnasiana. Foi convidado a participar da Semana de arte moderna de 1922, embora não tenha comparecido, deixou um poema seu (Os Sapos) para ser lido no evento.

Uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver. Doente dos pulmões, Bandeira sofria de tuberculose e sabia dos riscos que corria diariamente, e a perspectiva de deixar de existir a qualquer momento é uma constante na sua obra.

A imagem de bom homem, terno e em parte amistoso que Bandeira aceitou adotar no final de sua vida tende a produzir enganos: sua poesia, longe de ser uma pequena canção terna de melancolia, está inscrita em um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época. Cinza das Horas apresenta a grande tese: a mágoa, a melancolia, o ressentimento enquadrados pelo estilo mórbido do simbolismo tardio. Carnaval, que virá logo após, abre com o imprevisível: a evocação báquica e, em alguns momentos, satânica do carnaval, mas termina em plena melancolia. Essa hesitação entre o júbilo e a dor articular-se-á nas mais diversas dimensões figurativas. Se em Ritmo Dissoluto, seu terceiro livro, a felicidade aparece em poemas como "Vou embora para Pasárgada", onde é questão a evocação sonhadora de um país imaginário, o pays de cocagne, onde todo desejo, principalmente erótico, é satisfeito, não se trata senão de um alhures intangível, de um locus amenus espiritual. Em Bandeira, o objeto de anseio restará envolto em névoas e fora do alcance. Lançando mão do tropo português da “saudade”, poemas como Pasárgada e tantos outros encontram um símile na nostálgica rememoração bandeiriana da infância, da vida de rua, do mundo cotidiano das provincianas cidades brasileiras do início do século. O inapreensível é também o feminino e o erótico. Dividido entre uma idealidade simpática às uniões diáfanas e platônicas e uma carnalidade voluptuosa, Manuel Bandeira é, em muitos de seus poemas, um poeta da culpa. O prazer não se encontra ali na satisfação do desejo, mas na excitação da algolagnia do abandono e da perda. Em Ritmo Dissoluto, o erotismo, tão mórbido nos dois primeiros livros, torna-se anseio maravilhado de dissolução no elemento líquido marítimo, como

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Displaying 1 - 9 of 9 reviews
Profile Image for Jujuba.
156 reviews
August 10, 2021
(3,0)
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"Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?/- O que eu vejo é o beco"
Profile Image for leca.
13 reviews
Read
July 23, 2023
Essa é uma obra pequena, mas alguns de seus poemas são bem bonitos. Dá de notar características ainda ligadas ao simbolismo, mesmo percebendo que os poemas já romperam com os aspectos mais engessados da estética e o que eu mais gostei mesmo nesse sentido, foi ver como a alienação social se transformou em um hedonismo em que a voz acaba festejando as coisas simples, com um tesão por elas.
Profile Image for bimbico.
33 reviews1 follower
August 22, 2022
curtinho, os temas são diversos, alguns textos são bem bonitos, outros (ao meu ver) são um tanto atoa. vale a leitura :)
Profile Image for Henrique.
1,033 reviews29 followers
January 19, 2024
Não cheguei a gostar muito desse, mas também não sou nada entendido em poesia.
Profile Image for Pedro Santos.
187 reviews8 followers
May 28, 2024
A cada vez que leio Bandeira, mais me deixo cativar por sua poesia. Bandeira me deixa mais brasileiro, mais honesto comigo mesmo, com o verso. Quero reencontrá-lo sempre que puder.
Profile Image for Guilherme Vasconcelos.
132 reviews3 followers
July 3, 2025
D. Janaína
Princesa do mar
Dai-me licença
Pra eu também brincar
No vosso reinado.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Vinicius Bruno.
182 reviews
Read
February 10, 2025
2/10 Então este é o tão aclamado Manuel Bandeirola, hã?
...
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Decepcionante. Nada demais. É quase uma ofensa fazer uma poesia seca dessas na mesma língua do Augusto dos Anjos. Até a sua proposta de valorizar o cotidiano é expressada de uma maneira sem vigor. Uma estética que não convence nem o seu zé.
Profile Image for Carolina Morales.
320 reviews69 followers
February 22, 2013
"Meus amigos, meus inimigos/ Procurem a Estrela da Manhã" o decadentismo da obra de Bandeira é um dos mais belos e poeticamente bem trabalhados que se tem notícia.
Displaying 1 - 9 of 9 reviews

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