O PIOR DIA DE TODOS é um romance terno e perturbador, uma ficção criada a partir de um dia trágico, que realmente aconteceu – o Massacre de Realengo, como ficou conhecido o atentado a uma escola do subúrbio do Rio, em que um ex-aluno matou 12 estudantes, a maioria meninas, em abril de 2011. Não é um livro sobre o massacre, mas sobre a amizade. Escrito por uma jornalista que cobriu o episódio, O PIOR DIA DE TODOS é uma narrativa comovente e original sobre a difícil experiência de crescer menina no Brasil, especialmente quando são poucos os recursos, e a imprevisibilidade da vida nos atropela.
um livro que mesmo sendo ficção retrata a vivência de muitas famílias e muitas meninas do subúrbio. um livro que mesmo retratando sobre um dia horrível não tem o foco nessa tragédia. o foco dele é na vida das meninas, no amor, na família, na amizade, em tantos sentimentos que sentimos, como meninas, mulheres, ao longo da vida e o quanto tudo isso impactou em tantos momentos e mais ainda, no pior dia de todos. natalia e malu não existiram como natalia e malu mas muitas meninas são elas e foram elas. um livro forte, delicado, gentil, triste, muito triste, mas muito bonito. que as meninas de realengo nunca sejam esquecidas.
Esse livro me prendeu desde o momento que decidi ler as primeiras páginas, eu li em uma manhã. É extremamente triste e real. Impossível de largar e impossível de não se emocionar. Queria que mais pessoas conhecessem esse livro e pudessem sentir tudo o que eu senti enquanto lia.
"Eu não tinha idade para entender o que talvez ninguém tenha idade para entender: a nossa rotina é frágil e desaparece de repente. Basta uma brecha no desenrolar do dia e a vida como a conhecemos acaba em ruína. O prédio desaba, um carro explode ou um homem entra na escola e mata 12 crianças."
O Massacre do Realengo, como foi denominado à época pela imprensa, foi um dos primeiros episódios desta natureza a ocorrer no Brasil e voltou à memória coletiva recentemente, após os trágicos eventos ocorridos numa escola em Suzano. Remetendo-se à chacina como clímax de uma história de amizade entre duas garotas, Daniela Kopsch estreia na literatura com "O Pior Dia de Todos", livro que faz migrar a narrativa do massacre das páginas dos jornais para as da literatura.
Repórter que cobriu a tragédia em 2011, Kopsch baseia apenas certas passagens da trama nos acontecimentos que levaram à morte de 12 estudantes (a grande maioria mulheres) e do assassino, ex-aluno da escola pública que atacou numa típica manhã de subúrbio, no Rio de Janeiro. Seu verdadeiro eixo é a relação de afeto entre as jovens Natália e Maria Laura, primas que foram criadas como irmãs e cresceram no seio de uma família proletária, que divide sua rotina entre trabalhos manuais e os cultos numa igreja evangélica.
Laura, a narradora, foi deixada pela mãe na casa da tia e, embora se sinta plenamente acolhida pelos parentes, experimenta o abandono de uma vida constantemente submetida ao contraste daquela que, por direito, pertence à sua antípoda: Natália, a prima com quem divide o quarto de dormir e a sala de aula. Os dramas próprios da formação das garotas, como namoros feitos e desfeitos, mergulham em outros abismos mais profundos, como o racismo e o abuso que permeiam o trato das meninas com um casal de vizinhos, pais de uma de suas colegas.
Tais traumas, porém, passeiam de maneira um tanto apressada pelos capítulos curtos que constituem o relato de Laura, dividido entre a primeira parte (a infância até o fatídico dia aludido pelo título) e a segunda (o fim da infância, que acompanha a rotina da família e a elaboração do luto de Laura após o massacre). A opção de Kopsch por situar a narrativa muito mais no núcleo familiar das protagonistas que no da escola tem suas vantagens, mas perde força quando o centro nervoso do romance começa a operar e nos vemos diante de um atirador que dispara contra fantasmas: os colegas de sala de Natália e Maria Laura - personagens que pouco conhecemos em comparação a elas.
Na segunda parte, trechos de um diário de Natália se misturam à narração de Laura, mas são poucas as luzes que estes excertos lançam sobre fatos cuja densidade passa despercebida pela adição de uma nova focalizadora - como o caso do abuso, por exemplo, quiçá vivenciado por ambas. Ao fim, o romance ganha uma circularidade interessante, que associa a leitura do diário e seu final abrupto à própria narração, seguindo o fio das lembranças de Laura.
Abdicando do fetiche midiático criado em torno de nossas catástrofes diárias (problematizando, inclusive, este discurso com o qual a autora se familiarizou na sua profissão), "O Pior Dia de Todos" entrega ao leitor um registro imprevisto sobre amadurecimento e dor, e sobre o viés humano que se perde quando convertemos vítimas em manchetes com números.
eu nem sei de onde saiu esse livro na minha biblioteca do kindle mas agradeço pela existência, pq esse foi até o agora O Pior Livro de Todos, mas calma, o "pior" é no sentindo de ter acabado com meu emocional. o livro é MUITO BOM, com uma narrativa super fluída e simples, sabe? mas a carga emocional nessas duzentas e poucas páginas foi o suficiente pra me fazer chorar, dessa vez até soluçar. confesso que não me lembrava do Massacre de Realengo mas depois de conectar algumas infos (e principalmente depois de ler o pósfacio da autora), a história se tornou impossível de ser esquecida por mim.
Visceral. Se eu fosse escolher uma palavra para definir esse livro ao todo seria visceral. Ao mesmo tempo que é terno. A ideia de acompanharmos o pré massacre e o pós massacre é interessante pois faz criarmos apego aos personagens de uma forma intensa. Daniela criou uma ambientação tão perfeita, personagens tão reais e complexas que é como se a ficção por trás da história real também fosse real. Uma obra sensacional e importante que trata diferentes realidades, traz diversos sofrimentos, desigualdades, afetos, formas de lidar com a vida e entre outras. Apesar de curto recomendo leitura em pequenas doses porque, de fato, ele é visceral.
É uma leitura arrebatadora. Li algumas páginas quando ainda estava na livraria e fiquei toda arrepiada. Levei para casa e terminei no mesmo dia. O texto é fluído e os capítulos curtos te prendem de uma forma que é impossível largar. Acompanhar a vida de Malu e Natália me fez pensar na minha infância e adolescência. Chorei litros. Não por causa do atentado (que é narrado em alguns capítulos) mas chorei por causa da delicadeza dessa história e dessa amizade. Apesar do dia trágico, é um livro muito muito bonito sobre dor e superação.
É com muito pesar que dou 2 estrelas para esse livro. Talvez eu não tenha entendido, tenha lido no momento errado mas ele simplesmente é só mais um livro.
Aqui temos a vida da Malu uma sobrevivente do ataque a escola no Rio e carrega consigo as memórias de sua prima. A autora quer contar histórias de inúmeras garotas e que elas tem uma vida inteira de vivências não sendo apenas vítimas de um atentado. Vemos desde o primeiro beijo, medos, expectativas entre outros. Porém isso não me prendeu em nenhum momento. A autora tentou colocar muitos assuntos sensíveis e em nenhum momento eu consegui entrar de fato na história que deveria ser escrita por uma menina de 12 anos. Toda hora eu me pegava pensando "isso foi escrito por uma mulher na casa dos 30". Momentos que deveriam ter sido mais explorados são colocados na história e nunca mais mencionados. Muitas partes poéticas e de efeitos para fazer o leitor se emocionar mas que ao meu ver eram rasas.
eu sinto que esse livro é cheio de contrastes ele narra de forma simples, o complexo de forma sensível, o brutal acho que é um livro muito honesto, muito real e sendo assim, dolorido de muitas maneiras. É um retrato de uma realidade que muitas vezes nos deixa desejando explicações e sem uma resposta para a pergunta mais feita "por quê?". E o objetivo do livro não é responder perguntas e esclarecer fatos. É, talvez, mostrar a complexidade de fatos. A complexidade do ser humano e da sociedade. Seria mais simples se as situações fossem simples, mas elas não são. A brutalidade e agressividade que invadem o cotidiano acabam muitas vezes em situações difíceis de nomear. Por fim, acho que uma frase do posfácio retrata bem o objetivo e razão do livro existir "a literatura nos oferece respostas que a realidade não é capaz de dar"
Esse livre me deixou sem palavras e em estado de lágrimas, por isso nem sei se essa resenha fará sentido.
É uma tocante homenagem às vidas perdidas e às inúmeras pessoas profundamente marcadas pelos acontecimentos retratados. A leitura deste livro é dolorosa, pois, ao transformar uma história real em narrativa ficcional, a obra alcança uma representação vívida e sensível da experiência de ser mulher no Brasil. A trama perpassa por múltiplas camadas, da violência cotidiana à solidão que tantas mulheres enfrentam, sem jamais perder de vista a delicadeza das relações humanas. No entanto, mais do que um relato de sofrimento, este é um livro sobre amizade, sonhos e resistência. Qualquer pessoa que leia esse livro consegue enxergar alguém ou se enxergar em cada uma das personagens.
“Eu não tinha idade para entender o que talvez ninguém tenha idade para entender: a nossa rotina é frágil e desaparece de repente. Basta uma brecha no desenrolar do dia e a vida como a conhecemos acaba em ruína.”
Definitivamente um dos melhores livros que já li. Se você quer algo que te prenda do início ao fim, você encontrou o livro certo. Tão bem escrito que me fez rever reportagens sobre o ataque e escutei um podcast sobre também.
absolutamente maravilhoso, impecável e comovente. a história é ficcional, mas se inspira em uma tragédia real, que abalou os dias do rio de janeiro: o massacre de realengo. a densidade da história impacta do início ao fim, trazendo mistos de sentimentos. emocionante demais
histórias narradas por crianças sempre terão todo o meu coração, mas ler sobre o massacre de realengo nesse pov me destruiu.
mesmo que a história seja uma ficção ( tirando os capítulos do massacre em si ) você se envolve de uma forma absurda. é lindo, é triste, é trágico e visceral .
um dos livros que todo mundo deveria ler, pq ele é mais do que uma história de uma tragédia, é sobre ser mulher, sobre família, sobre solidão, sobre abandono, sobre amor e principiante sobre crescer e viver .
Lindo! Não tem como dar uma nota menor, merece muito mais. A autora pegou uma história triste e foi por um caminho totalmente diferente, inesperado, simples mas lírico e retratou com uma destreza absurda a realidade de muitas crianças do Rio, do Brasil, causando até um sentimento de nostalgia nas partes boas.
Embora trate de crianças a história em si, o background das meninas, a realidade é bem dura, seca, muitas vezes te faz parar, refletir sobre, até assusta de tão ríspida mas isso é a vida né?!
Uma obra dita como ficção, mas mais verossímil do que gostaríamos que fosse. Não há “Malu e Natalia”, mas elas representam tantas meninas que existiram / existem, que a história infelizmente se confunde com a realidade. Um livro que retrata, também, como a falta de controle é uma constante em nossos dias, que reforça a cada página a necessidade de realmente priorizar-se o que é prioridade. Torna-se uma obra não sobre a tragédia em si, mas sobre as vidas, laços e relações por ela afetadas.
ATENÇÃO: Quero começar dizendo que isso é uma perspectiva minha. Não consegui achar o que os sobreviventes disseram sobre o livro (se é que algum quis ler), então estou me baseando na forma que outros autores/jornalistas retrataram outras tragédias.
Eu achei 90% desse livro bem estranho, quase beirando o desrespeitoso (de novo, baseado na minha visão - se os sobreviventes não se importaram, eu tirarei a resenha no mesmo instante).
Lendo o posfácio, eu não tenho dúvidas que a jornalista e autora desse livro tem o maior respeito pela história que ela teve contato direto. Ela pareceu bem sensível sobre esse assunto.
Entretanto, não gostei nem um pouco a forma que "O Pior Dia de Todos" foi abordado.
Eu achei que seria super interessante uma vida fictícia ser retratada, pois humaniza os sobreviventes. Tira o foco do assassino, que já é muito coberto pela mídia, e devolve a vida para as pessoas afetadas na tragédia. Fiquei até pensando se não faria paralelos com o documentário "Newtown" e o que os pais das crianças disseram sobre seguir a vida.
Porém, fiquei desconfortável com a retratação da vida da Malu desde o início até o final do livro.
Na primeira parte, em "Infância", somos bombardeados com informações e situações em que a vida dela é uma verdadeira merda. Muitas coisas ruins acontecem com a Malu e ela aguenta tudo calada até que vê a prima, Natália, beijando o menino que ela sempre gostou. Nisso, ela briga com Natália dias antes do pior dia de todos.
Para mim, pareceu que a autora colocou essas coisas que aumentaram a raiva da Malu para que elas brigassem convenientemente dias antes do massacre e depois tivesse esse sentimento pesado de arrependimento. Quase como uma lição de moral de como a vida é curta para ficarmos brigando.
Ela tinha mil maneiras de abordar esse sentimento de "eu deveria ter feito isso ou falado aquilo" que passamos quando estamos de luto, mas decidiu fazer desse jeito. No final, pareceu que as tragédias da vida da Malu estavam competindo com a tragédia do massacre.
E vale lembrar que essa tragédia foi algo real. Pareceu que ela usou ele como objeto pra desenvimento e mais uma das coisas ruins da vida da Malu. Pra algo que aconteceu de verdade, acho que ela deveria ter dado um pouquinho mais de atenção.
Eu entendo que o objetivo foi retratar a vida de milhares de meninas do Brasil, mas fiquei pensando se retratar isso NESSE livro era realmente necessário. Não gostei dessa abordagem. Vejo várias resenhas falando sobre esse aspecto e esquecendo completamente que sobreviventes de um tiroteio em uma escola foram usados para a escrita. Ficou como pano de fundo e eu achei meio de mal gosto.
Sei que há espaço para todas essas coisas em um só livro, mas pra mim o jeito que a autora escreveu pareceu uma competição de tragédias pra ver qual o pior ponto que pode chegar a vida de alguém.
Outra coisa que me incomodou foi a descrição em detalhes do dia e acontecimentos. Eu leio true crime e histórias reais constantemente e os fatos crus ou sangrentos não me antingem de forma tão forte, mas pelo que sei, o objetivo do livro era mostrar a vida da sobrevivente.
Era realmente necessário colocar aquilo pra chocar os leitores? Não era melhor focar no luto ou nas outras coisas da vida da Malu? Ela literalmente descreveu o que aconteceu sobre a perspectiva de uma menina lá, contando em detalhes a Malu vendo a prima morrer. O que ela ganha com isso? Não entendi o objetivo dela nisso. Focar naquele dia com esse tanto de detalhe é dar ao assassino o que ele queria e fazer isso enquanto falando de uma sobrevivente é... nem sei a palavra pra usar.
Eu achei que a parte sobre luto muito real e bem escrita (assim como o livro é super fluido), mas não compensou todo o desconforto que senti ao ler.
Outra coisa: gostaria que ela tivesse desenvolvido um pouco mais da recuperação e da terapia da Malu ao invés de focar tanto na infância dela com as tragédias. É importante que a gente leia e entenda sobre a vida de meninas como a Malu, mas eu sinto também que o luto era um fator super importante a ser comentando.
Enfim, acredito que seja isso. Gosto da ideia da autora, mas não gosto da forma que ela aborda isso e tenta abraçar o mundo de problemas nesse livro.
De novo, se os sobrevivente não tiveram problemas com o livro, eu tiro a resenha, pois não é meu lugar para dizer se algo é desrespeitoso ou não, porque como não achei nada por enquanto, fica aqui minha decepção com essa história.
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Escrita fluida, afiada e multifacetada. Daniela acertou muito nessa ficção/realidade, nas nuances da infância e do pensamento inocente, juvenil e ao mesmo tempo tão consciente do seu redor. A tragédia, sempre vista de forma impessoal na tv, ganha personagens que ilustram quão devastadora a vida pode ser.
Emocionante e real. Não pela história do massacre em si, mas pela história de amizade. Uma linda história de amizade que serviu como base para contar a história de tantas meninas dos nossos subúrbios. E não só a história das personagens principais, mas as histórias coadjuvantes também emocionam. Como professora de ciências da Baixada Fluminense, vi muitas das minhas alunas nas histórias contadas.
"O Pior Dia de Todos" não é sobre o massacre de Realengo, é sobre vidas e pessoas normais, é sobre como tudo pode mudar de uma hora pra outra, é sobre os problemas que enfrentamos e os sofrimentos que passamos, sobre não nos deixar abalar por nada disso. É sobre a vida, desde cedo, ser difícil para alguns, é sobre o valor de uma amizade, sobre o valor de uma família. Esse livro é muito real, por mais que os personagens que a narrativa tras sejam fictícios, suas histórias e seus sofrimentos são de pessoas reais, até porque se baseia em um fato real que aconteceu, e a autora soube muito bem como mesclar a realidade e a ficção nessa obra. Não é um livro que me prendeu muito, pelo motivo da narrativa ser muito lenta, durante os primeiros capítulos várias histórias são contadas sobre o passado das personagens, e as mesmas não tem serventia nenhuma no futuro, o que me deixou levemente desapontado, assim como o final, que apesar de ser bom, me deixou com vontade de saber mais, pois a impressão que tive foi que o livro acaba do nada, haviam tantos planos pro futuro dos personagens e poucos foram realmente colocados no papel, principalmente no final. Acho que faltou um pouco de desenvolvimento na narrativa mais do final do livro, ao passo que no começo do livro tem narrativa demais que, de novo, não teve ligação nenhuma com o futuro da história. Não deixa de ser um ótimo livro, muito tocante, muito angustiante, mas também gostoso de ler e lembrar de vários elementos da nossa cultura brasileira.
eu não imaginava que a capa fosse entregar tanta coisa até terminar de ler o livro. a menina sozinha na capa ilustra o que foi a vida de malu (não chamo de laurinha, porque só natália a chamava assim) depois do pior dia de todos, caminhando sozinha.
não tenho muito o que falar desse livro depois de ter acabado ele, continuo a processar o que aconteceu, e talvez ainda demore um tempo até lá. segurei minhas lágrimas em vários momentos, principalmente no final, quando malu completou a última página do diário de natália, depois dela ter falecido. além disso, gostei do posfácio e da sensibilidade que a escritora tratou do assunto que, apesar das personagens e de suas narrativas serem fictícias, foi sensível quanto aos fatos que ocorreram no dia e prestou uma homenagem às vítimas desse terror que foi.
pude ver não só sobre esse ocorrido como, também, a vida pessoal das meninas, o que é crescer menina no brasil e as dificuldades enfrentadas por famílias de baixa renda. é uma história que fala muito sobre família, luto, religião, amizades, questões de gênero e disparidades socioeconômicas. amei ter lido, apesar de ter aberto uma ferida no meu coração.
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A literatura é a forma mais revolucionária que o homem encontrou de traduzir sentimentos que vão além de sua compreensão. Apesar de sermos capazes de captar diversos detalhes de uma realidade em alguns milésimos de segundo, tendemos a esquecer (ou melhor,abafar) os realces dos nossos traumas. Foi assim que Daniela Kopsch escolheu como missão carregar uma resposabilidade imensa: retratar o pior dia da vida de diversas crianças que estiveram no massacre de Realengo. Com uma sutileza de tirar o folêgo, transforma a realidade em uma dura ficção ao eternizar as histórias de Malu e Natália.
O que mais me chamou atenção nesse livro foi a maneira com que a autora optou por escreve-lo. Aos olhos de uma criança que é forçada a amadurecer muito cedo, que tem suas inseguranças e mágoas projetadas de diversas formas, desde a alegria até o ódio. Vemos uma relação de irmandade surgir a partir de situações adversas. Apesar de termos um ganho de maturidade, não há uma perda de pureza e eu creio que isso foi o que mais doeu ao ler esse livro.
Terminei de ler com um peso imenso no meu peito. Me senti próxima dessas crianças e queria abraçar cada uma delas.
comecei esse livro sabendo apenas que era uma obra de ficção baseada no massacre na escola de realengo, e fui surpreendida positivamente!
a leitura flui muito bem, os capítulos não são maçantes, e a forma como a história foi dividida consegue prender o leitor do início ao fim. antes de se debruçar sobre o massacre em si e as consequências dessa tragédia, somos apresentados à protagonista malu/laurinha e à sua prima natália, personagens que revelam grande complexidade nas suas personalidades, tão distintas, e na relação que constroem uma com a outra.
é muito curioso perceber como criamos uma visão de natália na primeira seção do livro, baseados no que laurinha sente e pensa, e como essa visão muda depois que passamos a ler os escritos da própria natália sobre tudo que aconteceu ao decorrer do livro. além disso, toda a retratação do massacre é muito honesta, humana e empática com todas as vítimas.
diria que, apesar da trama girar em torno do massacre de realengo, é um livro que fala principalmente sobre relações humanas, em específico relações familiares e tudo que elas carregam, e, às vezes, escapam da nossa capacidade de comunicação - só nos resta, então, sentir, e viver.