Breves histórias que são verdadeiros curtas cinematográficos, cheios de desafios e determinação. Na coletânea Contos de Mentira, as personagens estão em trânsito, suspensas entre um fato e outro, um gesto e outro, uma e outra espera. Dessa suspensão emerge o ser humano sempre solitário, envolto no tempo que passa lentamente sem trazer a possibilidade de redenção ou apenas de acolhimento.
O livro traz uma série de contos que retratam momentos e / ou pensamentos pontuais na vida de pessoas, sem nenhuma preocupação com princípio, meio e fim. Ler este livro é como andar num metro e ouvir pequenos trechos de conversas de pessoas que entram e saem a todo momento. Pedaços de vida. Esta falta de contextualidade em algumas vezes incomoda, mas de maneira geral me fez pensar e imaginar a continuação de cada um daqueles pedaços de narrativa. Muito diferente e interessante.
Achei irregular. Tem uns contos com ideias bem interessantes e outros mais confusos. A maioria tem final pouco impactante, à exceção do último, talvez o melhor deles,
“E o pessoal dizendo que tudo é simbolismo, que tudo é muito bonito. O caralho que era!”
É um livro morno, sem grandes emoções. “Uma coisa que eu tenho guardada há muito tempo”, “White lies” e “De Bowie” foram contos que coloco na mesma categoria porque me remetem à dinâmica jovem de flertes cautelosos, de vários não-ditos e de assuntos que ficam pairando no ar. “Ovelha branca” teve um final tão inesperado que me deixou com vários pontos de interrogação. Alguns contos eu entendi, mas ao mesmo tempo não. Por terem sido histórias fraquinhas, eu ficava tentando achar o simbolismo, os significados ocultos e bem, eles não existem. O significado está nos olhos de quem vê ou, no caso, lê.
Meh. Teve um ou dois contos que eu gostei e alguns que eu quase gostei mas o final completamente nada a ver matou o entusiasmo. Mas a maioria dos contos foi simplesmente meh.
Geisler, além de ser uma figura interessante em entrevistas, é também corajosa como diz Raimundo Carrero. Seus contos trazem, em maior parte, o cotidiano e temos muitos personagens crianças e adolescentes, personagens que geralmente não figuram o cânone como os adultos. Há de se aplaudir a capacidade da escritora de transformar frases soltas e pequenos momentos em clímaxes narrativos. Destaque para "Casaco de lã..." que é uma espécie de auto ajuda ao contrário, "Ovelha branca" e seus contrastes, "Belas, mulheres" e suas coincidências, a sensibilidade de "mar" e o melhor, na minha opinião: "Todos".